quarta-feira, 9 de Março de 2016 10:08h Atualizado em 9 de Março de 2016 às 10:11h. Pollyanna Martins

Ruas do bairro Jardinópolis estão em condições precárias

Moradores contam que, para ter calçamento na rua, cada proprietário terá que desembolsar R$1.200

As ruas do bairro Jardinópolis, em Divinópolis, continuam em estado precário, algumas até impossíveis de transitar. O Gazeta do Oeste já relatou em várias edições a situação das vias, e as dificuldades que os moradores enfrentam no dia-a-dia. O problema de infraestrutura do bairro é sério, e os moradores reclamam que pagam Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), mas o dinheiro não é devolvido em forma de melhorias nas ruas. A Avenida Limeira – principal do bairro – está tomada por buracos, problema antigo, que piora com o esgoto empoçado em determinado trecho da via, e obriga motoristas a se arriscarem na contramão, no sentido bairro/centro.

 

 


Além da avenida principal, estão as ruas paralelas, a maioria sem calçamento e em estado total de precariedade. A Rua Pau Brasil é apenas um exemplo do abandono do bairro. Nossa reportagem percorreu pela rua do início ao fim, e a situação é caótica. Já de cara, nos deparamos com vários buracos na entrada da via, pela Avenida Limeira. Perguntamos a uma senhora que estava no portão de casa onde era o número da casa do nosso entrevistado, ela nos respondeu: “Ih, é lá na frente, mas toma cuidado, porque a rua está muito ruim”. Transitar pela rua com qualquer veículo exige atenção redobrada. Em alguns momentos, achamos que o carro do jornal não iria passar. Nos deparamos com casas que as fachadas estavam tomadas pelo mato e, com muita dificuldade, chegamos ao nosso destino.

 

 


No final da rua, mora o pedreiro, Amadeu Dias Filho. Ele conta que mora no bairro há 32 anos e a situação sempre foi a mesma. Revoltado, o morador percorre toda a rua mostrando os problemas que ele e os vizinhos enfrentam. É de assustar o tamanho dos buracos que tomam conta da via, e fazem com que ela pareça, na verdade, um Rally dos Sertões, sem contar na quantidade de lixo jogado nos lotes vagos, o mato alto, e o esgoto que escorre a céu aberto. “Aqui sempre foi assim, uma rua sem calçamento, esgoto a céu aberto, lotes sujos, e más condições de moradias. Os donos dos lotes só querem vendê-los, não limpam e fica nessa situação que está hoje”, reclama.

 

 


Amadeu conta que os moradores entraram em contato com a Prefeitura de Divinópolis para solicitar que a rua fosse calçada, mas o órgão ofereceu o “Calçamento Compartilhado”, mas ele e os vizinhos não aceitaram. O acordo cada vez mais oferecido pela Prefeitura aos moradores da cidade consiste em dividir os custos da obra. Os moradores pagam a mão de obra (calceteiro) e a Prefeitura disponibiliza as máquinas, as pedras e o engenheiro. “O custo desse calçamento compartilhado sairia R$ 1.200 para cada proprietário. Como que nós vamos pagar esse valor, se nós ganhamos aqui pouco mais de R$ 1 mil. Nós vamos comer o que? Pedra?”, questiona.

 

 


IPTU
O operador de lingoteira, Mauro Adriano, mora no bairro há sete anos e emenda as palavras do vizinho, afirma que a situação sempre foi assim, mas que o IPTU chega em casa todo ano para pagar. “Aqui sempre foi assim, não muda, mas o IPTU de R$360 está aí para pagar”, ressalta. É praticamente impossível entrar na casa do caseiro, Jesus Otávio. Apesar de ter tantos buracos na porta do imóvel, o caseiro diz que a situação “está boa”, pois quando chove fica pior. A esperança de ver melhorias na rua já acabou, então, para entrar e sair de casa com o carro, Jesus “dá um jeito”. Ele mesmo joga terra para tapar os buracos - que é levada nas primeiras chuvas - e o ciclo começa mais uma vez, enquanto o IPTU de mais de R$300 já está em casa para ser pago. “Tem 15 anos que eu moro aqui, e a situação da minha casa sempre foi assim, quer dizer, é daí para pior, agora está boa, em vista do que já ficou. Eu “concretei” uma parte do meio-fio, mas a chuva veio e levou embora. Eu mesmo vou dando um jeito, jogo terra nos buracos, a enxurrada vem e leva, e eu jogo terra de novo, mas a gente tem que se virar, porque senão não tem como nem sair de casa”, detalha.

 

 


RUA ANGÁ E PESSEGUEIRA
A situação da Rua Angá não é diferente da Rua Pau Brasil. O acesso é difícil, o mato tomou conta, o esgoto escorre a céu aberto, o mau cheiro é sentido de longe, os insetos e animais peçonhentos, como cobra e escorpião, invadem as casas, o lixo está espalhado pelos lotes, e os moradores pagam para ter um pouco de infraestrutura. A via é cortada pela Rua Pessegueira, e o que impressiona é uma espécie de canteiro central natural que foi criado na rua. A dona de casa, Josina Dias da Silva, mora na Rua Angá, próximo à Rua Pessegueira, há 15 anos, e conta que um buraco se abriu na Rua Pessegueira e, como nunca foi arrumado, o mato tomou conta, criando assim, o canteiro central da via. “Desde que esse buraco abriu aqui, ele nunca foi arrumado, aí o mato tomou conta no meio do asfalto”, relata.

 


Para piorar a situação, o “canteiro central” abriga parte do esgoto que escorre pelas ruas. A poça da água suja causa um mau cheiro, com que os moradores convivem diariamente. “Aqui fica fedendo demais, e o pior é que o esgoto vai para a porta da casa da gente. Eu tenho criança em casa e morro de medo de alguém pegar uma doença”, diz. Assim como Amadeu, Mauro e Jesus, mesmo sem ver o bairro receber melhorias, o IPTU chegou para ser pago. “O IPTU veio mais de R$ 300. Eles cobram por um serviço que eu não vejo, a gente que tem que dar um jeito aqui. O meu marido sempre tem que vir e tapar os buracos, o vizinho também, aí a chuva leva tudo embora. A gente não lembra quando passou uma máquina da Prefeitura nessas ruas nossas aqui. Nós estamos abandonados, as ruas de terra não têm como andar”, conclui.

 


PREFEITURA
A Prefeitura de Divinópolis, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que as seguintes ruas serão calçadas, através do “Calçamento Compartilhado”: Rua Figueira entre as ruas Cedro e Guaritá; Rua Figueira entre as ruas Cedro e Castanheira; Rua Goiabeira entre as ruas Cedro e Castanheiras; Rua Cerejeira entre as ruas Limeira e Mangueira; Rua Pequi entre as ruas Figueira e Mangueira. A assessoria informou que o calçamento da Rua Pau Brasil, por meio do “Calçamento Compartilhado”, ainda está em negociação. Caso seja fechado o acordo, a via será calçada entre as ruas Pessegueira e Cajueira.

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