quinta-feira, 23 de Julho de 2015 10:10h Atualizado em 23 de Julho de 2015 às 10:12h.

Salário dos funcionários do abrigo feminino da Missão Maria de Nazaré continua em atraso

Prefeitura informou que não tem data para efetuar o pagamento

O salário dos funcionários do abrigo feminino da Associação Missão Maria de Nazaré continua atrasado. Sem resposta sobre o atraso e previsão para que o pagamento seja realizado, cerca de dez funcionários estiveram na tarde de ontem na Prefeitura de Divinópolis para pedir um posicionamento do prefeito, Vladimir Azevedo.
De acordo com o missionário Matheus Henrique Dias, após uma hora de espera, apenas cinco funcionários foram atendidos pelo assessor do prefeito, Walon Delano, pela gerente de políticas e de proteção social, Michelle Teixeira Lopes, e pelo gerente administrativo e de controle orçamentário, Gustavo Xavier Costa, que não trouxeram boas notícias. “Deixaram entrar só cinco pessoas e falaram que não têm previsão para nos pagar, que vão se reunir com a direção da Associação na segunda-feira para ver o que pode ser feito”, lamenta o missionário.
Os funcionários do abrigo chegaram à Prefeitura com as contas em atraso em mãos. O salário já está há 16 dias em atraso. Segundo Matheus, o administrativo do abrigo tentou um contato com o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Paulo dos Prazeres, mas foram informados que o responsável pela pasta está de férias. “Nós tivemos a informação de que o secretário está de férias, então os funcionários resolveram se reunir para fazer essa manifestação. A gente, como coordenação da Missão Maria de Nazaré, aderiu ao movimento, porque a gente vê a responsabilidade deles [funcionários], da luta, da doação deles”, ressalta.
O missionário frisou ainda que, no convênio, ficou estabelecido que a Associação arcasse com as despesas de água, luz, telefone e as despesas pessoais dos adolescentes e a Prefeitura pagaria o aluguel do abrigo e o salário dos funcionários. “Esse serviço tem que ser oferecido pelo município e para eles terceirizarem com instituições comprometidas e sérias é mais viável. A alimentação, o vestuário, material escolar, medicação, somos nós que custeamos através de parceiros. A Prefeitura paga os funcionários, encargos e o aluguel, todo o restante somos nós que pagamos”, esclarece.

 

DESABAFOS
Ao todo, são 21 funcionários responsáveis pelo abrigo, divididos em coordenador, psicólogo, assistente social, educador social, cozinheira e cuidador social. A cuidadora social Bianca Moreira foi quem organizou a ida dos funcionários à Prefeitura, para que tivessem um posicionamento. A cuidadora está com as contas atrasadas e conta que tem um filho pequeno e, com o atraso no pagamento do salário, ela não tem como ajudar o marido em casa. “Todas as contas estão atrasadas, e eu vendo a tristeza dos outros funcionários também os chamei para vir até a Prefeitura para sabermos o que está acontecendo. A gente espera uma resposta. Eu tenho um filho pequeno e preciso trabalhar por causa dele e para ajudar o meu esposo, e a gente não está tendo a verba. Eu fico muito angustiada”, desabafa.
A psicóloga Kátia Aparecida de Souza trabalha no abrigo há dez meses e conta que nunca teve o seu salário em dia. Conforme Kátia, ela e os outros funcionários querem apenas uma data certa para receber o salário do mês. “A gente vive a insegurança do pagamento do salário. A gente sabe que ele vai chegar, mas não sabe quando. Desde que eu estou na instituição, não teve um mês que a gente recebeu em dia. Dá uma agonia muito grande. Meu cartão de crédito, a Cemig a Copasa estão em atraso, aí o pagamento cai, mas os juros das contas não são depositados, ou seja, a gente fica no prejuízo”, reclama.

 

POSICIONAMENTO
A Prefeitura informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não há previsão para o repasse do convênio, mas que o órgão está negociando com a Associação.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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