terça-feira, 12 de Janeiro de 2016 08:31h Atualizado em 12 de Janeiro de 2016 às 08:34h. Jotha Lee

São João de Deus apresenta dívida de mais de R$ 6 milhões da prefeitura

Hospital alega ter mais de R$ 10 milhões a receber do município, Estado e União

A crise no Hospital São João de Deus (HSJD) atingiu o mais alto grau de tensão nos últimos dias, com informações contraditórias e questionamentos à gestão da empresa Dictum, interventora nomeada pelo Ministério Público. As declarações do promotor Sérgio Gildin, curador das Fundações, praticamente responsabilizando o Estado por um eventual fechamento do hospital, ou na melhor das hipóteses, a negociação da instituição para a iniciativa privada, acirraram os ânimos ainda mais.
Sem solução à vista para a crise, uma reunião está marcada para o próximo dia 22, da qual participarão os deputados federais Domingos Sávio (PSDB) e Jaime Martins (PSD), e o estadual Fabiano Tolentino (PPS). Ainda participarão do encontro a superintendente regional de Saúde, Gláucia Sbampato e o secretário municipal de Saúde, David Maia. Ontem a assessoria de imprensa do HSJD informou que o hospital foi notificado da reunião, mas ainda não sabe se participará do encontro. O deputado Fabiano Tolentino não conhece a pauta da reunião e prevê que o encontro terá como objetivo a apresentação de um raio-X da situação real da instituição. Gláucia Sbampato também não foi comunidade sobre a pauta. O promotor Sérgio Gildin encontra-se em férias e não foi localizado ontem pela reportagem.

 


DÍVIDAS
Embora a pauta do encontro ainda seja um mistério, uma fonte informou que um dos assuntos que certamente serão debatidos, será a dívida que o HSJD alega ter para receber do Estado, União e Município. O Hospital sustenta que essa dívida é superior a R$ 10,6 milhões e o dinheiro seria suficiente para a instituição se equilibrar e normalizar boa parte dos serviços, além de pagar fornecedores e quitar salários atrasados dos médicos. Há casos de médicos que estão há um ano sem salário.
De acordo com um levantamento feito pelo hospital e entregue ao Ministério Público (MP) o maior devedor é a prefeitura, cuja dívida com o HSJD passa de R$ 6,4 milhões. Ainda segundo o levantamento, a dívida do Estado é de R$ 2,8 milhões e da União, de R$ 1,2 milhão. A superintendente regional de Saúde, Gláucia Sbampato, nega que o Estado esteja em atraso com o hospital. Segundo ela, o hospital alega que R$ 2 milhões são referentes a aportes para o serviço de maternidade e compreende o período de dezembro de 2014 a novembro de 2015. A superintendente é categórica ao afirmar que o Estado não reconhece esse débito. Ainda segundo o hospital, o Estado deve mais R$ 800 mil, para a rede de urgência e emergência, no período de janeiro a novembro de 2015, débito que também não é reconhecido. “O Estado está absolutamente em dia com o São João de Deus”, assegurou a superintendente. 
O levantamento encaminhado ao MP informa ainda que o hospital tem R$ 1,2 milhão a receber do Ministério da Saúde, referente ao Incentivo de Adesão à Contratualização (IAC) do período de agosto de 2013 a novembro de 2014. Essa dívida de fato existe e Gláucia Sbampato garantiu que o pagamento deverá ser liberado pelo Ministério da Saúde nos próximos dias.

 


MAIOR DEVEDORA
Maior devedora do HSJD, segundo o levantamento apresentado pelo próprio hospital, a Prefeitura reconhece o débito, mas não sabe quando vai quitá-la. Ontem, através da Diretoria de Comunicação, a prefeitura disse apenas que “a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital já estão conversando sobre essa dívida”.
Dos R$ 6,4 milhões que a prefeitura deve ao São João, R$ 3 milhões são referentes ao extrapolamento dos atendimentos de média complexidade, do período de dezembro de 2013 a outubro de 2015. “Isso significa que o hospital atendeu muito mais do que o que foi contratado pela prefeitura”, explica Gláucia Sbampato. Outros R$ 95,5 mil são referentes a procedimentos não autorizados no período de junho a outubro de 2015, enquanto R$ 125,5 mil correspondem a cobrança administrativa do período de novembro de 2013 a dezembro de 2015.
O maior montante da dívida da Prefeitura com o São João de Deus, que chega a R$ 3,2 milhões, é referente a todo o período de funcionamento da Unidade II, de abril de 2014 a abril de 2015. Inaugurada tão longo o antigo Pronto-Socorro Regional deu lugar à UPA Padre Roberto, a Unidade II foi motivo de longos discursos e promessas de que estava incluída em parte da solução em curto prazo para a falta de leitos na cidade. Funcionou apenas um ano e ficou a dívida que a prefeitura ainda não pagou. A Unidade II foi fechada em abril do ano passado e no local foi implantado o Centro Especializado para tratamento de diabéticos e hipertensos

 

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