terça-feira, 26 de Janeiro de 2016 09:03h Atualizado em 26 de Janeiro de 2016 às 09:07h. Jotha Lee

São João de Deus deve R$ 9 milhões em salários aos médicos

Estado e município garantem ajuda parcelada para pagamento da dívida

Com a aproximação do fim do prazo dado pela Ordem Hospitaleira para a extinção da Fundação Geraldo Correa, o que seria praticamente a aniquilação total do Hospital São João de Deus (HSJD), já que a instituição perderia o caráter filantrópico, ontem foi um dia de muita movimentação em busca de uma solução para a crise que afeta o maior hospital da região. Uma reunião na Cidade Administrativa em Belo Horizonte discutiu soluções, na tentativa de evitar que a Ordem Hospitaleira mantenha a decisão e também para garantir o mínimo de atendimento à população.

 


Participaram da reunião o secretário de Estado da Saúde, Fausto Pereira, o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB), a superintendente regional de Saúde, Gláucia Sabampato, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Edimilson Andrade (PT), do promotor Sérgio Gildin e os deputados estaduais Fabiano Tolentino (PPS) e Fábio Avelar (PT do B), e o federal Jaime Martins (PSB), além de Ariston Silva, diretor da Dictum, empresa interventora que administra o Hospital. Durante mais de duas horas o assunto foi amplamente discutido e chamou a atenção o posicionamento do vereador Edimilson Andrade, que exigiu que o Estado participe mais efetivamente do processo de recuperação do hospital.

 


O diretor da Dictum, Ariston Silva, repetiu o velho discurso que vem adotando desde que a intervenção não surtiu o efeito esperado e a dívida do HSJD, ao contrário de ser reduzida com a nova administração, cresceu de R$ 85 milhões para R$ 130 milhões. Ele alega que os recursos não são suficientes e admite que o hospital não conseguirá sobreviver se não houver ajuda oficial. Ele disse durante o encontro que existe a possibilidade de uma participação mais efetiva do plano de saúde Unimed na recuperação da instituição. “Uma parceria mais estreita com a Unimed. O presidente da Unimed abraçou o Hospital e falou ‘tamo juntos’. Mas tudo isso demanda um certo tempo e esse tempo nosso esgotou”, disse ele numa alusão ao prazo dado pela Ordem Hospitaleira.

 


REPASSE
De acordo com Ariston Silva, a dívida do hospital em salários atrasados somente com os médicos já chegou a R$ 9 milhões e esse é um dos problemas que mais preocupam, pois boa parte da categoria ameaça parar as atividades. Em nome do Estado, o secretário de Saúde, Fausto Pereira, garantiu um repasse de R$ 4,5 milhões especificamente para pagamento dos salários atrasados, porém esses recursos serão repassados parceladamente, sendo R$ 1,5 milhão em fevereiro, e mais R$ 1 milhão em março, abril e maio.

 


O secretário de Estado da Saúde avaliou a reunião como um encontro importante e de decisões. “Conseguimos avançar bastante no processo, priorizando questões que são emergenciais como a divida [salarial] com os médicos e outras questões estruturais do hospital. Procuramos também desenhar soluções, com a participação do Estado, do município e da direção do hospital”, afirmou. De acordo com Fausto Pereira, além dos R$ 4,5 milhões emergenciais para pagamento dos salários do médico, a prefeitura de Divinópolis vai entrar com R$ 10 milhões, divididos em 10 parcelas de R$ 300 mil. Ele afirmou ainda que os recursos de R$ 17,1 milhões anunciados pelo governador Fernando Pimentel no ano passado durante o lançamento do Fórum Regional, continuam à disposição do HSJD. “O município, o Estado e o Hospital vão discutir qual a melhor forma que esses recursos possam ser utilizados para equilibrar a operação quotidiana do hospital”, afirmou.

 


Para o prefeito Vladimir Azevedo, na reunião de ontem conseguiu-se chegar a um bom termo para socorrer o hospital. “Foi uma reunião de conciliação, de comprometimento institucional, cada um fazendo a sua parte e um chamado para que a gente consiga ir ao fundo do poço e quem sabe o hospital saia mais forte”, declarou. “Hoje discutimos uma agenda de fomento para que o hospital recupere o fôlego e tenha braço para ter produção operacional em todas as suas frentes”, acrescentou.

 


Para o deputado federal Jaime Martins, a reunião atingiu os objetivos esperados e houve os encaminhamentos adequados.  “Oito pontos de encaminhamento foram tirados dessa reunião, entre eles aquele que busca dar maior transparência à gestão do hospital, auditorias serão realizadas, será feito um levantamento das urgências, além dos números das necessidades específicas para cobrir o déficit operacional”, afirmou.

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