quarta-feira, 2 de Dezembro de 2015 09:05h Atualizado em 2 de Dezembro de 2015 às 09:07h.

São João de Deus suspende cirurgias cardíacas e reduz procedimentos urológicos

Hospital alega dificuldades financeiras e não tem previsão de normalização dos serviços

A grave situação do Hospital São João de Deus (HSJD), que desde 2012 se vê afundado na maior crise financeira dos 42 anos de prestação de serviços à região, continua gerando dificuldades para pacientes e colocando em risco o sistema de saúde de todo o município. Com uma dívida de mais de R$ 120 milhões, que cresce em média R$ 3 milhões ao ano, o único hospital a atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade, está envolto em uma cortina de fumaça, com a administração de uma empresa interventora indicada pelo Ministério Público questionada e com muitos serviços suspensos ou reduzidos.
Nos últimos 15 dias, a situação se agravou ainda mais e o Hospital paralisou os processos de cirurgias cardíacas para pacientes do SUS. Em nota, o hospital confirmou a suspensão dos procedimentos e disse que alguns pacientes de Planos de Saúde continuam recebendo os atendimentos normalmente. A suspensão das cirurgias afeta somente os pacientes do SUS, muitos aguardando procedimentos de emergência. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, três pacientes estão internados na UPA 24h, aguardando pela cirurgia cardíaca. Um deles, que aguarda a implantação de uma ponte de safena, disse que há 10 dias está internado na unidade e não tem nenhuma perspectiva de quando será submetido à cirurgia. “Tem hora que eu penso que vou morrer”, diz ele, bastante debilitado e recebendo oxigênio através de uma bomba portátil.
Além das cirurgias cardíacas, o São João de Deus também suspendeu os serviços de plantão na clínica de Urologia. Segundo a nota encaminhada pelo Hospital, “atendimentos para pacientes internados na instituição e convênios [Planos de Saúde] continuam sendo realizados. Além disso, os atendimentos de Urologia Oncológica permanecem normais, sendo os pacientes atendidos via Hospital do Câncer”.
Sem previsão para a normalização desses dois imprescindíveis serviços para um Hospital de urgência e emergência, o HSJD informa que o motivo pelo atendimento parcial na clínica de Urologia e a suspensão total do serviço nas Clínicas de Cirurgia Cardíaca se devem às dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. “Esperamos em breve retomar totalmente com os atendimentos”, concluiu a nota, sem, contudo, manifestar uma provável data para a normalização do atendimento.

 

ESTADO
A informação que circulou ontem na cidade de que o governo do Estado estaria com os repasses de recursos atrasados para o São João de Deus, foi prontamente desmentida pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em nota encaminhada ao Gazeta, a SES informou que não há nenhum pagamento em atraso. Segundo a assessoria de imprensa da SES, o Hospital recebe recursos do Estado referente a dois Programas, Pro-Hosp e Rede Resposta - Urgência e Emergência.
Referente ao Pro-Hosp Incentivo, o valor total a ser repassado pelo governo estadual em 2015 é de R$ 2.304.237,45 divididos em três parcelas iguais de R$ 768.079,15. Segundo a SES, a primeira parcela foi paga no dia 9 de julho e a segunda em 10 de setembro, totalizando um valor de R$ 1.536.158,29. O pagamento da terceira parcela está previsto para dezembro, sem nenhum desconto, conforme Resolução 4.809, de 10 de junho de 2015.
Ainda segundo a SES, referente ao programa Rede Resposta, que repassa incentivo financeiro complementar de custeio das equipes de Urgência e Emergência dos Hospitais que compõem a Rede de Resposta Hospitalar às Urgências e Emergências, o São João de Deus recebeu, até outubro de 2015, R$ 400 mil mensais. “Portanto, não há pendências da SES até o momento com o Hospital”, completa a nota da assessoria de imprensa.
A situação ontem à tarde, tanto no Hospital São João de Deus quanto na UPA 24, era de tensão e muitos pacientes aguardavam atendimento. A reportagem acompanhou o movimento no São João de Deus da parte externa e constatou que apenas um paciente foi transferido da UPA para o Hospital até o início da tarde. Na UPA 24h, uma longa fila aguardava para obter senha de atendimento, enquanto na sala de espera todas as cadeiras estavam ocupadas e nos corredores pacientes eram atendidos e socorridos por médicos e enfermeiros. Maria Das Dores de Jesus, dona de casa, 47 anos, estava com um parente para ser atendido ontem na unidade e resumiu a situação. “Tem que esperar, não há outro jeito. A gente só não sabe se vai ser atendido”.

 

Créditos: Jotha Lee

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.