sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015 10:15h Atualizado em 9 de Janeiro de 2015 às 10:21h. Mariana Gonçalves

Secretaria de agronegócio pretende retomar este mês programa de doação de alimentos

A Secretaria Municipal de Agronegócio pretende dar continuidade este mês ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em Divinópolis

Segundo o secretário da pasta, Paulo Marius, o programa viabilizado pelo Governo Federal permite que as prefeituras realizem a compra dos produtos da agricultura familiar na intenção de que os alimentos sejam doados a entidades carentes do município.
O secretário explica que essa ação ocorre de forma rápida. No mesmo dia ou, no mais tardar, um dia depois da compra das hortaliças os alimentos já são entregues às instituições carentes. Essa ação só não pôde ser retomada antes devido à lenta burocracia. “Estamos na dependência de Brasília com relação ao software deles, que faz o cadastramento dos produtores rurais. Precisamos somente disso”, complementa Paulo.
O PAA também contribui para a formação de estoques estratégicos e para o abastecimento de mercado institucional de alimentos, que compreende as compras governamentais de gêneros alimentícios para fins diversos e ainda permite aos agricultores familiares que estoquem seus produtos para serem comercializados a preços mais justos. Instituído pelo artigo 19 da Lei 10.696/2003, o PAA é desenvolvido com recursos dos Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA). As diretrizes do PAA são definidas por um grupo gestor coordenado pelo MDS e composto por mais cinco ministérios.

DESTAQUE
Marius afirma que o meio rural de Divinópolis tem tido grande desempenho ao longo dos anos e tem sido referência para outras localidades do Estado. “Temos produção de muito leite, alguns gados de corte e da agricultura familiar que, aliás, tem sido grande destaque porque o número de agricultores rurais de Divinópolis é até maior do que o número de produtores de cidades com grandes zonas rurais”, salienta o secretário de agronegócio.
Por falar em Agricultura Familiar, hoje 40% da merenda escolar da cidade vem dos produtos do município, em razão do intermédio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). “São hortaliças frescas, muito boas para a saúde, para a educação alimentar e para o lado econômico do município, porque o dinheiro fica aqui ao invés de ir para o caixa do Ceasa, como era antigamente”, comenta Marius.
Os produtores rurais também aproveitam para apresentar seus produtos em cinco feiras realizadas na cidade. Fora a venda para supermercados e sacolões.

INCENTIVO
De acordo com o secretário de agronegócio, mais uma vez o país fechou o ano tendo auxílio do agronegócio na economia. “Participamos com 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e agora com o dólar alto temos a exportação de carne e a soja, por exemplo, abrindo ainda mais espaço para as nossas cidades”, afirma.
Segundo matéria publicada na Agência Minas, a receita das exportações mineiras do agronegócio em 2014 somaram 8,1 bilhões de dólares, valor 10,2% superior ao registrado no ano anterior. A cifra alcançada pelas vendas externas equivale a 27,6% do total das exportações estaduais, que somaram 29,3 bilhões de dólares. A informação é da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com base em dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Destacam-se os resultados obtidos com a comercialização externa do café, que somou 4,1 bilhões de dólares, indicando aumento de 32,6% em relação ao registrado em 2013. O volume embarcado de café teve uma variação positiva de 12,2%, alcançando 21,1 milhões de sacas. O café comercializado para o mercado externo foi o segundo maior volume na história da cafeicultura do Estado, representando 50,8% da pauta das exportações do agronegócio de Minas, superando os 42,2% do ano de 2013.
No entanto, para Marius, as políticas relacionadas aos produtos do campo precisam ser revistas. “Com relação ao leite, há 25 anos que participo desse meio agrícola sempre ouço falar de Política de Leite e não se resolve definitivamente o problema do leite no Brasil. O preço deveria ser protegido – com isso o produtor teria que saber qual a cota de leite precisaria comercializar o ano todo, para que pudesse se manter. Acontece muito da pessoa acostumar com um valor determinado de venda do litro de leite e esse valor não se manter ao longo do ano, principalmente na época das águas, onde normalmente o leite tem seu valor abaixado. Fato é que no ano passado o leite teve valor reduzido antes mesmo das chuvas começarem”, diz o secretário.
Para o ele, devera existir uma política nacional de preço de leite e proteção do setor. “Essa é das cadeias que mais emprega no Brasil e a desvalorização vem desestimulando os produtores de leite. Temos que ter um incentivo a longo prazo, de defesa desses produtores e principalmente algo relacionado à compra de leite em pó no país. Que houvesse uma proibição ou um número reduzido disso para proteger a cadeia leiteira do Brasil”, argumenta.
Marius falou ainda sobre as melhorias necessárias nos órgãos de assistência ao produtor rural do Estado de Minas Gerais. “Temos aqui a Emater-MG, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que são duas empresas fortes que nos prestam assistência. Porém, falta mais concurso público para que mais profissionais agreguem estes órgãos. Falta melhorar o salário principalmente dos que já fazem parte dessas instituições, até mesmo para que seja possível colocar mais pessoas em campo trabalhando, porque não se fala em aumento de produção sem assistência técnica. E há tempos que vários prefeitos pedem a realização de concurso público na Emater”, encerra.

 

Crédito: Arquivo GO

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