terça-feira, 19 de Maio de 2015 09:55h Atualizado em 19 de Maio de 2015 às 10:02h. Jotha Lee

Secretaria diz que Sindicato não cumpriu acordo para investigar assédio moral na UPA 24h

Sintram afirma que buscou o diálogo e ameaça acionar o Judiciário

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) voltou a denunciar que servidores municipais em disponibilidade para prestação de serviços à UPA 24h continuam sendo vítimas de assédio moral. De acordo com o Sintram, são várias as queixas de servidores sobre a diferença de tratamento entre os concursados e contratados com frequentes intimidações por parte dos gerentes com grosserias e ameaças. "Estamos tentando resolver as questões através do diálogo, no entanto nada foi feito para sanar o problema", afirma Luciana Santos, presidente do Sintram.
Já o médico Alberto Gigante Quadros, Diretor Jurídico do Sintram, comunicou à direção da unidade, que já existem casos nitidamente caracterizados como assédio moral. Em fevereiro, o Sindicato se reuniu com o secretário municipal de Saúde, Davi Maia do Amaral, como última tentativa de solucionar o impasse, antes que a justiça seja acionada. "Viemos em missão de paz, de tentar resolver a questão sem ter que gerar um desgaste maior no ambiente de trabalho, levando o debate à Justiça", afirmou o médico após encontro com a direção da UPA na semana passada.
A diretoria do Sintram, representada pela presidente, Luciana Santos, e pelos diretores, Alberto Gigante e Ivanete Ferreira, reuniu-se com o diretor da UPA, Helder Antônio da Silva, que há dois meses encontra-se na direção da unidade. O Sindicato apresento novamente as denúncias. Helder Silva solicitou ao Sintram a formalização de todos os casos, nos quais os servidores alegam assédio moral. Disse que vai discutir junto à administração municipal o que poderá ser alinhado caso a caso e assegurou que muitas denúncias são irreais. Para Helder Silva, isso é falta de compromisso no ambiente de trabalho.
Segundo o Sintram, já foi sugerido ao Executivo a formação de uma Comissão de Ética com membros da administração, sindicato e setores envolvidos para tratar as situações de modo imparcial, mas a sugestão não foi acatada.  "O Sintram defende os direitos e também os deveres do servidor. A Comissão de Ética paritária assumiria esse papel de analisar caso a caso ouvindo as partes envolvidas", declarou a dirigente sindical, Ivanete Ferreira.

 

PANFLETAGEM
Como ação paralela à reunião entre o Sintram e o diretor da UPA, o sindicato distribui panfletos orientando aos trabalhadores sobre as medidas necessárias para coibir o assédio moral, além de alertá-los a procurar o Departamento Jurídico do Sintram em qualquer caso de suspeita. "Estamos mais uma vez, solicitando a solução para o problema por meio do diálogo, se não for sanado, o servidor saberá se munir de provas para encaminhar ao nosso Jurídico. Do jeito que está, não poderemos mais aceitar", ressaltou a presidente do sindicato, Luciana Santos.
Ainda de acordo com o Sindicato, apenas um profissional de carreira faz parte das gerências da unidade, “o que somado a alta rotatividade de comandos resulta na falta de formação de equipes de trabalho”.  Ainda segundo o Sintram, não existem mais critérios para contratação e faltam treinamentos e profissionais recém-formados iniciam atividades sem o perfil para urgência e emergência, colocando pacientes em risco.
Através de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) afirmou que na reunião entre sindicalistas e o secretário Davi Maia, ocorrida em fevereiro, o Sintram denunciou a existência de assédio moral na UPA 24h, mas não cumpriu o acordo para que a investigação fosse encaminhada. “Foi solicitado ao sindicato que os casos fossem formalizados junto à Semusa e a Diretoria de Urgência e Emergência para apuração e providências. No entanto, até a data de hoje, a formalização desses casos ainda não ocorreu. Em virtude disso, a Semusa endereçará ofício ao Sintram solicitando esta formalização dos casos. Sem que isso ocorra, fica inviável tomar providências, ou seja, sem relato da ocorrência do assediador e assediado. A Semusa aguarda posicionamento da Diretoria Jurídica do Sintram a esse respeito”, diz a nota da Secretaria.
Na reunião com Helder Silva na semana passada, o sindicato se comprometeu a formalizar as denúncias e se dispôs mais uma vez a ser parceiro no processo. “Caso não haja posicionamento novamente, a diretoria irá recorrer ao Judiciário como medida última na defesa do direito do servidor a um ambiente de trabalho de respeito e dignidade”, finaliza nota do Sintram.

 

Crédito: Jotha Lee

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