terça-feira, 14 de Abril de 2015 10:48h Atualizado em 14 de Abril de 2015 às 10:50h. Jotha Lee

Secretários entregam propostas de redução de gastos

Prefeitura fecha primeiro bimestre com dívida de R$ 124 milhões

Em matéria exclusiva publicada na edição do dia 31 de março, a Gazeta do Oeste antecipou as determinações do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) para contenção de despesas. Na ocasião, a reportagem acompanhou uma reunião secreta ocorrida no dia 30 entre o prefeito e todos os ocupantes de cargos de primeiro escalão na sala de reuniões da Regional Centro-Oeste da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) no Bairro Esplanada. Na reunião, que durou mais de quatro horas, o prefeito exigiu economia de guerra, pediu lealdade ao secretariado no cumprimento de suas ordens e determinou que cada secretaria elaborasse um plano de contenção de gastos.
Cinco dias após a reunião do secretariado, a reportagem teve acesso a um documento interno da Secretaria Municipal de Educação, no qual a secretária, Rosemary Lasmar, elaborou um plano de contenção de despesas na pasta, prevendo fechamento de Cemei’s e cortes no transporte escolar, entre outras medidas drásticas. O vazamento do documento foi o estopim para que a crise financeira que envolve o município viesse a público, exigindo esclarecimentos imediatos da administração.
O relatório demonstrativo de receita e despesa do primeiro bimestre de 2015, publicado na edição de ontem do Diário Oficial dos Municípios, expõe ainda mais a crise financeira do município. A Prefeitura continua gastando duas vezes mais do que a arrecada e há uma sangria que o prefeito espera ser estancada com as medidas de economia que foram exigidas na reunião do dia 30 de março. Segundo o relatório, nos dois primeiros meses do ano a Prefeitura arrecadou R$ 74.359.073,54, enquanto a despesa atingiu R$ 199.198.977,70. Com isso, o déficit da Prefeitura em janeiro e fevereiro ficou em 124.839.904,16.

FALA PREFEITO
Ontem, no programa de rádio “Fala Prefeito”, que é transmitido às segundas e quartas-feiras em seis emissoras de rádios da cidade, o prefeito Vladimir Azevedo voltou a falar sobre a crise financeira do município. Ele falou sobre os ajustes para conter a crise, além de garantir a manutenção dos Cemei’s, diante da revolta que ocorreu após a notícia de que duas unidades seriam fechadas.
“Ajuste precisa ser feito e cada vez mais os municípios não dão conta de cumprir seus compromissos da mesma forma. Os municípios precisam sempre otimizar os gastos públicos, que é gastar bem o dinheiro do cidadão. Na educação sempre aumentamos os investimentos e construímos seis escolas para a educação infantil no padrão novo em bairros como o Danilo Passos, Candidés, Lagoa dos Mandarins, Antônio Fonseca, Ermida e São Roque. Estamos preparando mais duas unidades para triplicar o atendimento e melhorando a qualidade do ensino no Jardinópolis e Jardins das Oliveiras”, garantiu o prefeito.
O secretário de governo, Honor Caldas, braço direito do prefeito, confirmou a informação antecipada pela Gazeta do Oeste sobre a redução de gastos. “Foi determinado para as secretarias que realizassem propostas para equilíbrio da economia municipal. A crise não é do município de Divinópolis, a crise é federativa. A União já cortou 30% do seu orçamento e o Estado a mesma coisa. Por responsabilidade fiscal e compromisso com a população o prefeito determinou aos secretários que apresentem sugestões para o reequilíbrio econômico financeiro. Mas ainda não houve nenhuma deliberação feita pelo prefeito”, assegurou.
Sobre o estouro na execução orçamentária no primeiro bimestre, a Prefeitura ainda não se manifestou. Honor Caldas informou que ainda essa semana o Conselho de Acompanhamento Administrativo e Financeiro (Caaf) – grupo que faz o gerenciamento das contas do município – vai entregar ao prefeito as propostas de todas as secretarias municipais para a redução de despesas.

 

Crédito: Jotha Lee

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