Sem posto de saúde, moradores precisam ir até outra comunidade para serem atendidos

Posto de saúde do Córrego do Paiol foi desativado no ano passado. Distância e demora no atendimento preocupa a população

Tomar vacinas, consultar com um médico, agendar exames e atendimento odontológico são rotinas dos postos de saúde espalhados país afora. Mas a falta de uma unidade médica tem dificultado o acesso a esses tipos de serviço aos moradores de Córrego do Paiol, em Divinópolis. O posto de saúde da comunidade foi desativado no ano passado e os moradores precisam deslocar até Buritis para serem atendidos.

O problema tem causado desconforto. O posto de saúde da comunidade de Buritis atende aos moradores do Paiol somente na segunda, quinta e sexta-feira. São quase dez quilômetros de uma localidade a outra. Quem mais sofre são as crianças e os idosos. Esse é o caso da Deliene dos Santos Ribeiro, de 20 anos. A jovem tem um bebê de um ano e dois meses e constantemente precisa levar a filha ao médico.

“Tá muito difícil, viu? Ainda mais a gente que tem criança, tem que estar levando no posto para tomar vacina, fazer puericultura e está faltando médico aqui demais. A minha menina tem um ano e dois meses. E eu preciso pegar ônibus pra ir lá. Interfere muito isso, sabe? Porque às vezes chove e ônibus nem passa. Fica complicado de dar as vacinas e o acompanhamento que ela precisa”, conta a mãe.

A nossa reportagem conversou com vários moradores do Córrego do Paiol e todos queixaram da ausência de atendimento médico. Com problemas de saúde e vivendo há mais de 60 anos na comunidade, dona Vanda tem pressão alta e necessita de acompanhamento médico quase diariamente. Ela vive quase em frente à sede onde funcionavao posto de saúde, desativado em 2016.

“Pra nós está muito ruim porque tem que ir no Buritis, tem hora que a gente perde o ônibus das 11h e pra voltar o outro ônibus é só às 15h. Eu tenho problema no pé, preciso de medicamento, tenho problema de pressão alta. Chega lá o povo do Buritis está tudo na frente e a gente fica sendo as últimas. Se perder a lotação das 11h tem que vir só às 15h. Isso já aconteceu comigo. Podia ser aqui, mais perto, mais condições, mas não, eles não atendem aqui mais”, explica a doméstica Vanda Aparecida de Oliveira.

POPULAÇÃO QUER O POSTO

O local em que funcionava o posto de saúde também já foi uma escola. Hoje, a situação desagrada. O abandono não reflete apenas na saúde. Além disso, mato alto e sujeira só acumulam no antigo posto. Apenas com um cadeado trancando o portão principal, a segurança também deixa a desejar. Parte do muro lateral está comprometida e segundo os moradores, o local se tornou ponto para pessoas mal intencionadas consumirem drogas. E o posto já foi alvo de criminosos.

“Já fui atendida, mas aqui foi roubado, as coisas que o médico usava eles levaram tudo. A gente nem sabe quem roubou. Depois disso, fechou o posto e a gente está sem atendimento. Nós temos que ir no Buritis, por ser do Córrego do Paiol, a gente é atendido só na terça. Se for outro dia, não atende. E tem outra coisa, eles fazem hora com a gente, eles atendem quem mora lá primeiro e nós ficamos por último. E é uma má vontade que vou te contar[...]”, desabafa a moradora Sandra de Oliveira Araújo.

Deslocar até a comunidade vizinha é praticamente um desafio, principalmente para quem não tem carro. Os moradores relataram à reportagem que os atendimentos são feitos pela manhã, mas os horários de ônibus não ajudam. Os moradores querem o posto de volta e a Sandra explica o motivo. “É muito demorado, tem vez que nem passa, quando chove então, piora tudo. Às vezes você perde o ônibus, está com criança e nem dinheiro pra comprar um lanche tem. Se conseguisse atender aqui, para nós ia ser muito bom, que é muita gente que mora aqui e precisa, que tem problema de saúde e pessoas mais velhas também, que não conseguem ficar esperando, então se voltasse aqui pra nós, era que o eu mais queria. Nem que seja uma vez no mês já estava bom”, acrescentou.

IDAS E VINDAS

Talvez se o posto de saúde estivesse funcionando, a aposentada Maria Aparecida Sacramento não teria passado sufoco no ano passado. Com uma grave crise alérgica, ela teve de ser socorrida às pressas e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Nações.

“No finalzinho do ano passado eu tive problema de alergia e tive que ir pra UPA, nem exame não fiz, porque me deram encaminhamento para ir ao posto, mas cadê? É isso aí que você tá vendo. . O problema mesmo é a falta de estrutura. Aqui funcionava até pra gente tomar vacina. Hoje nem isso tem mais. Faz muita falta, não só pra mim, mas para a comunidade inteira. Porque lá no Buritis é tudo estruturado, organizado. Aqui são só as salas. Ah, e tem outra, lá [Buritis] o posto não funciona o dia todo”, contou Cida.

Deliane, mãe da bebê de um ano e dois meses, está cansada de esperar ônibus para consultar no posto de outra comunidade. “Tem os dias certos. Tem dia que não tem nem enfermeira e é só uma vez por mês para consultar com o médico. Elas não acham muito bom atender não, mas atendem, depois que o pessoal do Buritis é atendido. Aí o problema fica quando a gente perde o ônibus e tem que ficar até 15h esperando no ponto”, lamentou.

SECRETARIA DE SAÚDE RESPONDE

Nossa reportagem procurou a prefeitura de Divinópolis, que encaminhou uma nota sobre os questionamentos. “A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) informa que o atendimento na unidade de saúde da comunidade de Córrego do Paiol é realizado na primeira e na terceira terça-feira do mês. O atendimento foi definido de acordo com a demanda da comunidade. Além do atendimento, o agente comunitário de saúde visita os moradores em casa. Os moradores do Córrego do Paiol também podem procurar a unidade mais próxima na comunidade de Buritis toda segunda, quinta e sexta-feira para serem atendidos”, disse a prefeitura em nota enviada.

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