sexta-feira, 27 de Novembro de 2015 09:10h Atualizado em 27 de Novembro de 2015 às 09:12h. Mariana Gonçalves

Sem reajuste, funcionários da Cemig iniciam greve

Em várias localidades do Estado, parte dos funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) entrou em greve na última quarta-feira (25)

De acordo com o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), a paralisação foi decidida depois da realização de assembleias nos dias 23 e 24 deste mês. Os eletricitários rejeitaram a proposta da empresa de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e disseram que a greve é por tempo indeterminado.
Conforme o diretor do Sindieletro regional Divinópolis, Celso Primo, cerca de cinquenta e cinco eletricitários atuantes na cidade aderiram o movimento grevista. “Precisar o número exato é complicado, porque têm pessoas que trabalham aqui, mas moram em outra cidade, então, algumas já aderiram à greve de suas residências mesmo, nem chegaram a vir aqui”, destaca.

 

REIVINDICAÇÕES

Entre as reivindicações, a categoria quer o aumento real de 6% pela produtividade de 2014 e 4,87% pela produtividade de 2015; contratação imediata de 1,5 mil eletricistas na Cemig, aprovados no último concurso público; e assinatura de Acordo de Primarização (fim das terceirizações das atividades-fim), conforme compromisso do governador Fernando Pimentel; e distribuição linear da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
“Hoje, a Cemig tem aproximadamente 8 mil trabalhadores efetivos e 22 mil trabalhadores de empresas terceirizadas, com isso, a sociedade acaba perdendo, porque, ao contrário do Estado, está gerando bons empregos, gera subempregos”, pontua Celso.
O diretor do Sindieletro de Divinópolis chamou atenção ainda para os registros de acidentes e mortes ocorridos durante o trabalho. “Só esse ano já morreram seis trabalhadores na rede da Cemig, o que dá uma média de uma morte a cada 45 dias. Tem também a questão de beneficio, mesmo para sociedade, porque a companhia já teve um quadro de funcionários de aproximadamente 19 mil trabalhadores (isso na década de 1990), fazia-se concurso todos os anos. Hoje, a Cemig só reduz o seu quadro e vai fechando as portas de emprego para a maioria dos jovens”, afirma.

 

NEGOCIAÇÃO

A Cemig apresentou contraproposta de reposição das perdas em 10,3%, mas conforme o sindicato, com corte de 60% na PLR, redução de até 80% do capital do seguro de vida coletivo, não cumprimento do plano de cargos e carreiras e ainda condicionou o acordo à retirada de ações trabalhistas.
O Sindieletro-MG alega que a Cemig está usando a desculpa da crise econômica para impor o arrocho aos trabalhadores. O lucro da empresa até o 3º trimestre deste ano foi de R$ 2,2 bilhões, acima do registrado no mesmo período de 2014.
“Desde o inicio do ano estamos tentando negociar com essa nova gestão, mudou o governo, mudou o presidente da empresa, então nós achamos que era a oportunidade de discutir uma melhora da empresa pública e, desde então, ficamos à disposição da empresa, com estudos, com números, com a experiência que nós temos, já que a grande maioria dos trabalhadores da Cemig tem mais de 25 anos de casa, então ninguém conhece a Cemig mais do que a gente. Colocamos isso para a nova gestão, mas, infelizmente, não avança. Ficamos 15 dias estando 24h à disposição da Cemig para negociar lá em Belo Horizonte e isso não aconteceu”, finaliza Celso Primo.

 

CEMIG

Em nota, a Cemig informou que a paralisação não interfere no atendimento e na prestação de serviços aos consumidores. “Uma liminar deferida no dia 24/11 pelo desembargador José Murilo de Morais, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, determinou a manutenção de um quadro mínimo de 60% dos trabalhadores em cada atividade, o que está sendo cumprido. O desembargador justificou sua decisão, alegando que o serviço prestado pela Cemig é “uma atividade essencial, vinculada à produção e distribuição de energia elétrica, cuja interrupção inviabiliza a manutenção de serviços fundamentais à população, como hospitais, escolas, estações de bombeamento e tratamento de água, semáforos, estações de metrô, dentre outros”.”.
Ainda em nota, a Companhia destacou que a decisão de parte dos empregados de paralisar suas atividades foi tomada em meio às negociações salariais em curso. “A Cemig propôs reajuste de 10,30%, assegurando a reposição da inflação, e a manutenção de empregos e salários cujos valores estão acima da média da remuneração das demais empresas do setor elétrico. Além da recomposição salarial, a Cemig também propôs o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A proposta de PLR em ano de grave crise é inferior ao pagamento efetuado nos anos anteriores, mas ainda assim superior à média do benefício pago por empresas do setor elétrico brasileiro.
Além da remuneração, a Cemig tem discutido de forma franca e permanente com os sindicatos que representam os empregados da empresa temas relativos à Saúde e Segurança, benefícios e Relações Trabalhistas. Nas reuniões entre a direção da Cemig e o sindicato, a empresa tem mostrado o grande esforço que vem sendo feito para assegurar a sustentabilidade e o futuro da empresa.
Os próprios empregados, chamados a colaborar, têm sido fundamentais no amplo programa de corte de despesas que vem sendo feito para o enfrentamento da crise. Além dos empregados, os acionistas também foram chamados a colaborar e, em 2015, receberão como dividendos o mínimo previsto em lei. A Cemig reitera sua disposição de negociar com os representantes dos trabalhadores e pede o máximo empenho de seus funcionários para que o abastecimento de energia de seus clientes seja mantido.”

 

 

Créditos: Mariana Gonçalves

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