quinta-feira, 24 de Outubro de 2013 06:03h Simião Castro

Seminário em Divinópolis discute trânsito inseguro

Objetivo é encontrar alternativas que melhorem a conscientização sobre os riscos de acidentes

Acidentes de trânsito são causados em 98% das vezes, conforme dados do Observatório Nacional de Segurança Viária, por falha humana, imprudência acima de todas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o Brasil como o 5° país mais violento no trânsito do mundo. Números levantados pelo Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) mostram que são 150 mortes relacionadas a acidentes de trânsito por dia em todo o país.
Esse quadro alarmante fez com que a Concessionária Nascentes das Gerais incluísse em um plano de ação, previsto no contrato de concessão das rodovias, o “Educando Crianças e Jovens para o Trânsito – Foi Acidente ou Imprudência? Inclua a segurança no seu caminho”, promovido em cidades da região. O programa é voltado para professores, diretores, supervisores, pedagogos, psicólogos e demais profissionais de órgãos públicos e privados que trabalham direta ou indiretamente com trânsito.
A concessionária realizou duas pesquisas para avaliar o risco que as pessoas atribuem a acidentes de trânsito, uma em 2009 e outra em 2012. O resultado foi perceber que apesar das ações de educação para o trânsito junto às escolas, empresas, distribuição de materiais de conscientização, nenhuma tem surtido efeito.
A gestora de comunicação da Nascentes das Gerais, Marcelina Liberato, considera que o mundo passa por uma “epidemia de acidentes de trânsito”. No Brasil, ela cita um dado da OMS que apura que crianças de 0 a 14 anos morrem mais em acidentes de trânsito – em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo – do que por afogamento.
Outro levantamento realizado pelo Instituto Sangari, aponta que o Brasil é o segundo país do mundo em mortes por acidentes de motos. Nos últimos 15 anos a taxa de mortalidade aumentou 846%, enquanto a de carros, por exemplo, foi de 58%.
Marcelina explica que o habitual é que a discussão dos perigos na direção sejam apenas durante a semana do trânsito, realizada este ano entre os dias 18 e 25 de setembro. “A gente pensou em criar uma campanha que durasse um pouco mais de tempo e pegasse inclusive o período de férias”, explica.
O seminário que está sendo promovido na região, como parte dessa campanha, tem por objetivo trocar experiências com profissionais de outras áreas, em prol de se descobrir novas formas de conscientização. “Perguntar, o que eu preciso fazer para você me ajudar a trabalhar esse tema que está matando mais do que AIDS?”, exemplifica.
Presente no evento, o vice-diretor da Escola Estadual Professor Chico Dias, Kléberson Santiago Batista, diz que a escola investe em projetos práticos com os alunos, na busca de alcançar resultados em educação no trânsito. “A gente acredita muito nos projetos. A gente vê que o projeto é uma forma de levar o aluno a trabalhar com o conhecimento concreto”, conta.
Todo ano a escola realiza atividades durante a semana do trânsito e procura sempre atualizar os materiais utilizados com os estudantes. De pouco em pouco, Kléberson começa a notar alguma mudança. “Você vai identificando que o trabalho deu certo. Na saída dos alunos, lá na escola, você vê uma organização de o menino andar no passeio, de não fazer uma travessia desorganizada”, exemplifica.
O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER) é quem fiscaliza a execução dessas ações de cunho social, que falam sobre temas de trânsito e educação social, junto às escolas de toda a região que a rodovia concedida corta. Segundo a assessora da Gerência de Fiscalização de Concessões do DER, Lorena Gonçalves Guimarães, o setor quer aumentar cada vez mais o número de atividades que envolvam o assunto. “A gente está sempre tentando ampliar o leque de atuação da concessionária, porque a gente acredita que isso tem um impacto muito positivo na sociedade”, aposta.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.