terça-feira, 5 de Março de 2013 05:12h Atualizado em 5 de Março de 2013 às 05:16h. Mariana Gonçalves

Semusa inicia Levantamento de Índice Rápido ao Aedes Aegypti – LIRAa

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) iniciou nessa semana o segundo Levantamento de Índice Rápido ao Aedes aegypti, LIRAa. O estudo visa avaliar todos os domicílios do município

A Secretaria Municipal de Saúde - Semusa iniciou nessa semana o segundo Levantamento de Índice Rápido ao Aedes aegypti, LIRAa.
A Semusa segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle da Dengue, PNCD, que prevê a realização do estudo pelo menos 4 vezes ao ano. Levando em consideração principalmente os períodos em que as condições ambientais são favoráveis para a proliferação do mosquito.
A pesquisa entomológica teve inicio ontem (4) e segue atá a próxima quinta-feira(7). A atividade visa obter indicadores epidemiológicos acerca da situação atual do município em relação ao mosquito transmissor da dengue. Trazendo informações úteis sobre os bairros com maior infestação, o tipo de imóvel com larvas (residências, comércios e ou lotes vagos) e também quais são os depósitos preferenciais.
Conforme o coordenador de Vigilância Ambiental, Wanderson Teixeira, espera-se que essa pesquisa possa trazer melhores resultados acerca das ações implantadas após o primeiro levantamento do ano que revelou dados não muito positivos. Mas, é bom lembrar que as condições climáticas interferem de maneira direta sobre os resultados. Portanto é possível que ao final das análises os resultados mostrem um aumento bem como uma diminuição dos focos de dengue na cidade.“Provavelmente esses resultados podem divergir levando em consideração que está fazendo muito calor e nós estamos tendo um índice pluviométrico grande, tem chovido muito. Esse final de semana mesmo choveu. E isso faz com que o inseto tenha condição e oferta de vários criadouros. Mas, nós sabemos que em julho quando a temperatura cair e a chuva ficar mais escassa poderá haver diminuição dos depositos para o Aeds. Nós fizemos o primeiro levantamento em janeiro deste ano e naquela ocasião tivemos um índice de infestação de 2.2% , o que caracteriza no município de Divinópolis a situação de alerta. Haja visto que o Ministério preconiza alguns dados para que esse levantamento deva se repetir.  Por exemplo, abaixo de 1% é considerado uma condição satisfatória de pouco risco de epidemia. Acima de 1 até 3,9 a situação se torna de alerta, e acima de 3,9% já consideramos o risco de epidemia”explica.
Ainda conforme Teixeira os agentes de saúde irão percorrer todas as regiões da cidade. Observando atentamente se os criadouros do mosquito estão em residências, comércio, escolas ou nos terrenos baldios. O coordenador da Vigilância Ambiental, salienta que para esse trabalho obter um resultado satisfatório é necessário que a população também se empenhe, facilitando a entrada dos agentes nas residências e seguindo as orientações corretamente. “As pessoas precisam entender que os agentes estão salvando vidas, porque a dengue mata. O agente leva promoção de vida para as famílias. Às vezes o agente chega e a pessoa esta saindo, em outras situações ela tem ali no quintal garrafas e pneus e o agente pede pra esse material ser retirado, e o munícipe não retira. Então para que o trabalho resulte em dados positivos as pessoas precisam cooperar”afirma.
Recomenda-se que mesmo sem a presença dos agentes de saúde nos domicílios, os próprios moradores façam o papel de fiscalizador da casa.  É fundamental que as pessoas saibam que os materiais que são considerados criadouros do mosquito, não podem ficar ao ar livre. “mesmo que ele não esteja com água, pois a  literatura cientifica já comprova que o ovo do Aeds pode ficar por mais de um ano seco, por volta de 450 dias, se nós levarmos isso em consideração, as latinhas e os pneus que estejas ao livre mesmo que a seco precisam ser removidos, porque  na primeira chuva que der os ovos se estoram e se torne novos isentos”orienta Wanderson.
Em entrevista a equipe de reportagem da Gazeta, o coordenador de Vigilância Ambiental, diz não descartar uma futura epidemia. “Posso dizer que nos estamos trabalhando de forma seria para que isso não aconteça. Esse problema é multifatorial, então não tem como fazermos uma previsão para o futuro, porque temos que levar em consideração as questões relacionadas ao inseto que esta circulando. O que não podemos é ficar de braços cruzados, a dengue é um desafio nacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde está é a doença tropical que mais se expande pelo mundo. Já foi registrado, em praticamente todos os continentes, numa proporção de mais de 125 países. Então temos que trabalhar com a prevenção, a conscientização da comunidade e das autoridades”conclui Teixera 

 

MANIFESTAÇÃO DA DOENÇA NO CORPO

 

O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do Aedes aegypti, um mosquito diurno que se multiplica em depósitos de água parada acumulada nos quintais e dentro das casas. Existem 4 tipos diferentes desse vírus: os sorotipos 1, 2, 3 e 4. Todos podem causar as diferentes formas da doença.
Depois de muitos anos sem registro de nenhum caso de contaminação, o sorotipo 4 voltou a circular em alguns estados do Brasil.
A doença se manifesta em três formas clínicas: dengue clássica, forma benigna, similar à gripe; dengue hemorrágica, mais grave, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea; e a chamada síndrome do choque associado à dengue, forma raríssima, mas que pode levar à morte, se não houver atendimento especializado.
A Dengue clássica nos adultos a primeira manifestação é a febre alta (39º a 40º), de início repentino, associada à dor de cabeça, prostração, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos, vermelhidão no corpo (exantema) e coceira. Num período de 3 a 7 dias, a temperatura começa a cair e os sintomas geralmente regridem, mas pode persistir um quadro de prostração e fraqueza durante algumas semanas. Nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta acompanhada apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos e diarreia. O exantema pode estar presente ou não.
A dengue hemorrágica tem as manifestações iniciais da forma clássica. Entretanto, depois do terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival, vaginal e rompimento dos vasos superficiais da pele.
A síndrome do choque associado à dengue, nesse caso o potencial de risco é evidenciado por uma das seguintes complicações: alterações neurológicas (delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia), sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, derrame pleural. As manifestações neurológicas, geralmente surgem no final do período febril ou na convalescença.

 

TRATAMENTO

 

Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue. Tomar muito líquido para evitar desidratação e utilizar medicamentos para baixar a febre e analgésicos são as medidas de rotina para aliviar os sintomas. Pacientes com dengue, ou com suspeita da doença, precisam de assistência médica. Sob nenhum pretexto, devem recorrer à automedicação, pois jamais podem usar antitérmicos que contenham ácido acetilsalecílico (AAS, Aspirina, Melhoral, etc.), nem anti-inflamatórios (Voltaren, diclofenaco de sódio, Scaflan), que interferem no processo de coagulação do sangue.
Uma vacina contra os quatro tipos da dengue, desenvolvida a partir de uma cepa do vírus vivo, geneticamente modificado, está sendo testada em humanos. Até o momento os voluntários não apresentaram reações adversas.

Leia Também

Imagem principal

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.