sexta-feira, 25 de Julho de 2014 05:43h Lorena Silva

Settrans cria sistema de entrega de rotativo para revendedores em Divinópolis

Medida busca aperfeiçoar o processo de aquisição do item por comerciantes e pessoas físicas

Se você é motorista e precisa estacionar em Divinópolis, principalmente no Centro da cidade, muito provavelmente vai precisar utilizar o estacionamento rotativo. Em consequência de uma frota considerável de veículos e um trânsito intenso durante todo o dia, a venda das folhas do rotativo para os condutores também é grande no município.
De acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans), atualmente cerca de 70 pontos distribuem o item na cidade, entre pessoas físicas e jurídicas. Mas muitos comerciantes têm alegado dificuldades para adquirir o rotativo para revenda em Divinópolis.

 

 

 

 

 

PROCESSO
Atualmente, para adquirir talões de rotativo para serem revendidos em Divinópolis, os usuários enfrentam um processo considerado pela maioria como burocrático. O revendedor precisa se deslocar até a Prefeitura, pegar uma senha na sessão de protocolos, enfrentar a fila, retirar a guia com o valor a ser pago pelos talões, enfrentar novamente uma fila em banco ou casa lotérica para quitar essa guia e só assim retornar à Prefeitura para a retirada dos talões.
A funcionária de uma lanchonete do Centro, Graciane Alves, precisa enfrentar esse processo uma vez por semana. Em cada ida, ela adquire uma média de dez talões do item, já que, por dia, são vendidos cerca de dez folhas de rotativo na lanchonete, o que corresponde a um talão.  Para Graciane, todo esse processo dificulta a aquisição dos talões. “É horrível. Porque aqui às vezes você acaba de abrir [a lanchonete] e muita gente já vem pedir o rotativo. Ontem e hoje a gente perdeu muita venda porque não tinha o rotativo.”

 

 

 

 

FUNCIONAMENTO
Para o vendedor, Heber Rodrigues, o processo para conseguir os rotativos para a venda aos condutores também poderia ser mais fácil. Ele vende aproximadamente oito talões por dia e tem que buscar o talão diariamente, uma vez que precisa do retorno que consegue com a revenda para poder investir em outros talões.
Heber conta que nem sempre é possível encontrar na Prefeitura o funcionário responsável pela venda do rotativo. “O povo que administra lá na Prefeitura não tem responsabilidade. A gente paga a guia, vai lá buscar e não tem funcionário para entregar.”

 

 

 

 

SEM DIFICULDADES
Já o proprietário de uma loja de cartões do Centro, Edimar Cláudio, só sentiu dificuldades para adquirir os rotativos na Prefeitura quando houve a mudança de valor, em maio deste ano. “A Prefeitura não tinha o rotativo para vender. Na época eu liguei para a Settrans e me disseram que os agentes [de trânsito] iam multar os condutores que não apresentassem o rotativo. Eu achei totalmente errado, porque se não tinha para o condutor comprar, a culpa não era dele.”
Mas o vendedor ressalta que, desde que o sistema passou a vigorar no município, em 2009, ele revende o rotativo, que nunca faltou em sua loja. “Eu acho que alguns revendedores têm preguiça de ir buscar os talões. E alguns condutores também têm, porque não procuram nos locais que vendem. O correto seria você já ter mais de um rotativo em mãos.”
Para não ter problemas com a falta de rotativo, Edimar, que vende aproximadamente 60 talões por semana, se programa. “Eu chego lá no início do mês e já pego quatro, cinco guias, para facilitar o processo. Então eu acho que falta um pouco de mobilidade da própria pessoa que quer revender o produto”, argumenta.

 

 

 

 

MUDANÇA DE LOCAL
O secretário de Trânsito e Transportes, Simonides Quadros, explica que somente um funcionário atende a demanda de venda do rotativo na sessão de protocolos da Prefeitura. “Tem horário que ele sai para almoçar, por exemplo, e não tem outro para ficar no seu lugar”. Para tentar reverter esse problema, o secretário enviou à Prefeitura, no início dessa semana, um ofício que pede a instalação de um programa que permite a venda do item na própria Secretaria.
“Aqui a gente não vai ter esse problema porque nós vamos ter os horários. Um horário em que essa pessoa não estiver, vamos substituir com outra, porque temos mais funcionários com condição de fazer isso”, explica. A princípio, a venda será feita tanto na Secretaria quanto na Prefeitura, mas o intuito é que, com o tempo, o serviço todo seja feito pela Settrans.

 

 

 

 

 

SISTEMA DE ENTREGA
Além da mudança do local de venda do rotativo, a Secretaria vai criar um sistema de entrega direta do item para o distribuidor. “Ele [o revendedor] vai poder ligar aqui na Settrans e falar quantos talões ele quer. Ele já tem o cadastro, então a gente emite a guia, leva lá para ele a guia com os talões, ele paga e pronto. Ele vai poder comprar o rotativo sem deslocar do comércio dele.”
Simonides acredita que, com o novo sistema, os vendedores irão economizar o tempo com a aquisição do rotativo. “Muitas das vezes eles [os revendedores] reclamam de perder um pouco de tempo para ir até a Prefeitura. Nesse processo ele perde uma hora e meia, duas horas. E o comerciante não tem esse tempo para perder.”
O secretário explica que o sistema estará disponível somente para pessoas jurídicas. “Porque para a pessoa física, infelizmente nós não temos condição. Às vezes a pessoa mora distante e faz a venda do rotativo na área central. Então ele não tem ponto fixo de venda”. A previsão é que tanto a mudança do local quanto o sistema de entrega do rotativo esteja funcionando no município a partir do dia 10 de agosto.

 

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.