quinta-feira, 16 de Agosto de 2012 13:09h Marina Alves

Siderúrgicas esperam melhora no comércio

De acordo com Ronan Júnior, Presidente do Sindigusa , o comércio do produto ficou comprometido em todo o país, porém agora é possível prever melhoras para as siderúrgicas.

O ramo da siderurgia em Minas Gerais é um dos maiores do país. Grande exportador e responsável por boa parte da movimentação da economia brasileira, o mercado do ferro gusa sofreu uma grande queda desde o ano de 2008, onde houve a crise financeira no exterior, o que comprometeu as exportações.

 


De acordo com Ronan Júnior, Presidente do Sindigusa (Sindicato das Indústrias Siderúrgicas do Oeste de Minas), o comércio do produto ficou comprometido em todo o país, porém agora é possível prever melhoras para as siderúrgicas.

 

Segundo Ronan, Minas  tem a maior produção de ferro gusa do Brasil: “Quando falamos em Divinópolis, falamos na cidade e região. Minas Gerais hoje tem uma produção instalada de 720 mil toneladas de ferro gusa, isso é a produção instalada. Nós temos hoje uma capacidade de produção estimada em torno de 282 mil toneladas. Isso quer dizer que nós estamos atualmente em Minas com 60,8% da capacidade instalada paralisada. Isso em função do mercado nacional e o que mais afeta a produção de gusa e o comércio é o mercado americano que é o maior comprador de gusa brasileiro”, conta.

 

Ronan ainda afirma “Divinópolis compreende a região de Itaúna, Bom Despacho, Carmo do Cajuru e Pitangui. É o que a gente chama de centro-oeste na cadeia produtiva de ferro gusa. Nós estamos com uma capacidade instalada de 286 mil toneladas, um pouco inferior a Sete Lagoas, que é a maior instalada em Minas”.

 

A região que compreende a cidade de Divinópolis teve a redução de produção, conta Ronan: “A produção atual de Divinópolis sofreu uma redução de 67%. A outra região de Minas, que é a região da grande BH tem estimadas 75 mil toneladas de produção, com uma redução de 56%. Minas  tem a produção de 720 mil toneladas, isso por mês, de produção estimada. E no Brasil o número total é 1,293 milhão toneladas, ou seja, Minas é responsável pela maioria da produção no Brasil. O resto da produção está no Mato Grosso do Sul e no norte do país”.

 

O ferro gusa tem uma parcela significativa destinada a exportação. Segundo Ronan, metade do produzido é direcionado a outros países: “O produto é 50% destinado ao mercado interno e 50% ao mercado externo. A grande verdade é que a redução dessa produção se deve a falta de demanda externa. Com isso o mercado externo está abastecido, apesar que as assearias, os grandes exportadores de gusa, estão com a produção reduzida. Isso vem da baixa do dólar da facilidade de importação de aço, desde 2008”, afirma.

 

Ronan ainda ressalta que algumas medidas do Governo federal foram favoráveis ao mercado do ferro gusa: “Alguns pacotes do governo, não necessariamente direcionados ao ferro gusa, deram, em meados de 2012, um fôlego para a nossa atividade. Estão falando que vai haver um novo pacote agora, que ainda não sabemos se terá mesmo”.

 

Sobre as diversas formas de consumo do produto, Ronan ainda conta que a procura maior é pelo gusa sólido: “O mais consumido é o gusa sólido. O gusa líquido ele tem uma vantagem, que ele não precisa gastar energia para derreter. Mas isso só acontece nos polos que tem uma usina integrada produtora de ferro gusa. Mas a demanda nacional e mundial é pelo gusa sólido”, conta.

 

Outra questão abordada pelo Presidente do Sindigusa é a sustentabilidade: “Hoje tem a Lei Minério, que restringiu o consumo de carvão nativo, e criou-se um decreto, dando um prazo para as empresasse tornarem autossuficientes, e todas as empresas estão tendo que investir. Hoje, a gente torce e acredita que essa Lei seja levada a sério”.

 

Ronan finaliza com a expectativa de melhorias no mercado: “De uma maneira ou de outra estamos conseguindo, isso em 2012, ter uma melhora. O Governo Federal está intervindo, de uma maneira ou de outra, na taxa cambial. Deu uma retraída nas vendas no último mês, mas no princípio de agosto os Estados Unidos, que é o maior consumidor, volta a consumir mais. Acho que o pior já passou”, conclui.

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