sábado, 28 de Março de 2015 06:49h Atualizado em 28 de Março de 2015 às 07:05h. Mariana Gonçalvez

Síndrome de Down

APAE e Instituto Helena Antipoff apresentam “Cromossomo do Amor”

Num clima total de descontração, regado a muitos sorrisos, os alunos da APAE e Instituto Helena Antipoff provaram mais uma vez que deficiência é apenas um pequeno detalhe. As crianças e jovens com Síndrome de Down apresentaram, ontem, o projeto “Cromossomo do Amor”, o qual incluiu danças e depoimentos emocionantes de algumas mães.  
Segundo a Terapeuta Ocupacional, Maria da Glória Silva Mendes, a intenção foi mostrar a potencialidade das crianças e jovens da instituição. “Temos o Christian, que se destaca no taekwondo e já ganhou várias medalhas nesse esporte, a Alícia está sendo alfabetizada em uma escola comum, de ensino regular, trouxe para nós a leitura de um poema, e ainda a Amanda, o Anderson, o Eduardo e a Larissa apresentaram lindas danças”, destaca Maria.
Além de mostrar a capacidade das crianças com Down, o projeto também foi uma forma de celebrar o Dia Internacional da Síndrome de Down, tradicionalmente lembrado em 21 de março. “Queremos que as famílias fiquem cada vez mais estimuladas, para que continuem estimulando seus filhos e para que os coloquem na sociedade de forma que sejam respeitados”, acrescenta a terapeuta ocupacional.
A data escolhida para representar o Dia Internacional da Síndrome de Down, faz alusão à trissomia do cromossomo 21, isso porque as pessoas que possuem a Síndrome de Down carregam 3 cromossomos número 21.  A data é comemorada desde 2006 e sua importância está no fato de reconhecer que o indivíduo com a síndrome merece respeito, garantia de direitos e oportunidades de inclusão social.

 

IGUALDADE

Desde os seis meses de vida, Alícia recebe os atendimentos da APAE. Com três anos, a pequena pôde ser matriculada pela mãe Raquel Silvana, em uma escola de ensino regular, hoje Alícia está com onze anos de idade e está alfabetizada de acordo com a sua faixa etária. Todo esse processo não foi fácil, precisou de muita persistência da mãe e também da própria criança. “É uma caminhada árdua, porém, o segredo é o estimulo. Ela tinha o atendimento aqui da APAE e por fora, eu paguei sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicólogo, investi bastante nela”, complementa Raquel.
Raquel é residente de São Sebastião do Oeste, conforme nos relatou, quando decidiu inserir a filha na rede municipal de ensino, não encontrou dificuldades por parte da escola em receber a pequena, mas, no que se refere à assistência, o serviço deixa a desejar. Cabe destacar que tal situação não é encontrada somente na rede municipal, pois a rede pública também tem as suas mazelas no atendimento escolar às crianças com deficiência. “A terapeuta, Ana Fernanda, acompanha a Alícia já há dez anos, na escola, ela me ajuda muito, porque ela (Terapeuta) orienta a escola. Minha filha precisa de atendimento especializado, e isso não tem na escola, vivo numa luta constante”, pontua Raquel.
No projeto “Cromossomo do Amor”, a pequena leu um poema para a mãe ver todo esse desempenho, fez com que a emoção falasse ainda mais forte. “Não tem palavras que possam expressar o que sinto. Sinto-me realizada como mãe e sinto que estou no caminho certo com minha missão, hoje lá em São Sebastião do Oeste, a Alícia é a primeira criança com síndrome de Down a estar matriculada no ensino fundamental nos anos finais, então ela está abrindo caminho para que as futuras crianças com a síndrome sejam inseridas mais facilmente nesse processo”, encerra Raquel.

 

DISTÚRBIO GENÉTICO

A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra, que pode ser total ou parcial. Estima-se que a incidência da Síndrome de Down seja de um em cada 660 nascimentos, o que torna esta deficiência uma das mais comuns de nível genético. A idade avançada da mãe influencia bastante o risco de concepção de bebê com esta síndrome. Ela é caracterizada por uma combinação de diferenças maiores e menores na estrutura corporal e aparência facial, como por exemplo: achatamento da parte de trás da cabeça, inclinação das fendas palpebrais, pequenas dobras de pele no canto interno dos olhos, língua proeminente, ponte nasal achatada, orelhas ligeiramente menores, boca, mãos e pés pequenos, tônus muscular diminuído (ficam mais molinhos) e apresentam pele na nuca em excesso.
Além das características físicas, sabe-se que há uma tendência em demonstrar a afetividade na interação com as famílias e as pessoas com quem convivem. São mais atuantes na sociedade, estão inseridos em escolas, no âmbito do mercado de trabalho, possuem vida social ativa e menos reclusa. A conscientização dos pais sobre a estimulação e o papel de facilitadores são fatores ímpares para o desenvolvimento adequado. É importante frisar que um ambiente amoroso e estimulante, intervenção precoce e esforços integrados de educação e saúde serão sempre aspectos que influenciarão de modo positivo o desenvolvimento e qualidade de vida da pessoa com a síndrome.

 

Crédito: Bruna Costa

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.