quinta-feira, 23 de Abril de 2015 10:48h Atualizado em 23 de Abril de 2015 às 10:50h. Lorena Silva

Sintemmd reúne trabalhadores em assembleia na próxima semana

Objetivo da reunião é discutir a campanha salarial e propor indicativo de greve caso não haja negociação com a Prefeitura

Uma assembleia unificada dos trabalhadores da Educação Municipal está prevista para ocorrer na próxima quarta-feira, em Divinópolis. O objetivo da reunião, que ocorre a partir das 18h, na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal do Município de Divinópolis (Sintemmd), é discutir a campanha salarial 2015/2016 e propor indicativo de greve caso não haja negociações com a Prefeitura.
De acordo com a diretora do Sintemmd, Maria Aparecida de Oliveira, a ideia é que o diálogo sobre a campanha salarial dos trabalhadores do município ocorra juntamente com a categoria do Estado, já que nesse mesmo dia também haverá uma assembleia estadual, em Belo Horizonte. “Se o Estado põe um calendário de lutas e de greves, nós vamos propor que a rede pública pare. É o momento. Rede estadual e rede municipal. É assim que vamos fazer o enfrentamento com os dois gestores”, argumenta.
“Chega desse negócio dos professores municipais ficarem isolados como se não fizessem parte da rede pública de todo Estado ou como se não tivessem poder de enfrentamento”, emenda a diretora. Para divulgar as reivindicações da categoria e mobilizar mais trabalhadores para a assembleia, desde ontem – até o próximo dia 28 – representantes do sindicato distribuem um panfleto informativo nas portas das escolas, dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei’s) e também em reuniões com lideranças comunitárias.

 

REIVINDICAÇÕES
No informativo, a principal reivindicação diz respeito à manutenção dos serviços, programas e direitos da educação municipal, com aumento da verba e negociação imediata das reivindicações da categoria. Outra exigência é a imediata realização de concurso público com provas e títulos – de acordo com os princípios constitucionais de ingresso na educação pública – com nomeação imediata para todos os cargos que estão sendo contratados temporariamente na rede municipal.
A categoria pede ainda o aumento de 100% no vale-refeição que, segundo Maria Aparecida, está congelado há dez anos. Atualmente, os trabalhadores recebem o valor de R$ 7 por dia para alimentação. Eles também exigem que haja salário igual para os trabalhadores. Segundo Maria Aparecida, este ano a Prefeitura concedeu aumento diferenciado para a categoria.
“Para nós, politicamente ela acaba com o gatilho, que é um único percentual para todos. Ela concedeu o gatilho de reposição do INPC de 6,23% para todos os trabalhadores que ganham acima de salário mínimo e meio e 8,84% para os trabalhadores que ganham até o salário mínimo e meio. Houve um aumento diferenciado e todos querem ganhar 8,84%, porque todos trabalham em um mesmo setor da educação”, relata a diretora.
Procurada, a Prefeitura não disse se vai se reunir com a categoria para negociar as reivindicações dos trabalhadores, assim como não quis se pronunciar sobre a campanha salarial 2015/2016.

 

PARALISAÇÃO
Sobre a paralisação que ocorre hoje no município, envolvendo os trabalhadores da rede municipal de ensino, Maria Aparecida explica que não houve envolvimento do sindicato na iniciativa. Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e pelo Conselho Municipal de Educação (Comed), a paralisação tem como objetivo protestar contra os cortes anunciados pela Prefeitura nas áreas de educação e saúde.
“Nós não chamamos a paralisação para amanhã. Não que não haja [nosso] apoio, mas nós não construímos isso. Nosso calendário de organização passa pelas assembleias, que a gente já construiu. Passaram pela sede do sindicato, portaria de escola, visita em comunidade, fizemos reunião dentro de sala de professores. E não vamos desorganizar a campanha. Tudo que o governo conta é que nossa campanha se desorganize nesse momento para ele não negociar a pauta específica da educação”, diz Maria Aparecida.

 

TERCEIRIZAÇÃO
Outro assunto abordado pela diretora do sindicato e que tem sido uma preocupação do órgão nos últimos dias é a questão da aprovação do Projeto de Lei 4.330/04, que regulamenta a terceirização no país. Segundo Maria Aparecida, a luta do sindicato com relação ao assunto vem desde 2010, quando foi votado o Plano de Carreira. “Uma das denúncias nossas era que a Prefeitura estaria abrindo caminho para extinguir cargo e terceirizar setores na educação e na saúde”, explica.
Sobre como o assunto já afeta o setor da educação, ela cita o caso de uma empreiteira que coloca as auxiliares de serviço básico para fazer merenda para as crianças, limpar e fechar as escolas. “Sem controle nenhum. Isso tudo passa por fora da Prefeitura. E é muito dinheiro em jogo. Mas isso não reverte em serviço público bacana”. Outro caso é a contratação temporária de professores, que aumenta a cada ano. Segundo ela, por isso, a falta de profissionais este ano chegou a 20%.
“[Caso seja aprovada a lei] você vai poder ser atendida dentro de uma escola por um professor que não tem um concurso público, que pode não ter qualificação para estar ali. É o que acontece já hoje em salas de aula. Você vai poder ser atendido por um médico ou um enfermeiro que não tem credenciamento nenhum. Aqui em Divinópolis, a terceirização pode atingir aproximadamente 15 mil famílias. Por isso todo movimento que tiver, nós não mediremos força para tentar barrar”, finaliza a sindicalista.

 

Crédito: Lorena Silva

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.