terça-feira, 1 de Dezembro de 2015 08:38h Atualizado em 1 de Dezembro de 2015 às 08:40h. Mariana Gonçalves

Sociedade de Dermatologia chama atenção para o Câncer de Pele

Depois do Outubro Rosa e do Novembro Azul, o Dezembro Laranja chega para alertar sobre o tipo mais comum de câncer no Brasil, o câncer de pele

A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Combate ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que afirma que a maioria dos casos pode ser evitado com medidas simples de proteção solar: usar filtro, chapéu, boné e cuidado com o excesso de exposição ao sol e aos horários certos para isso.
No entanto, dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que os brasileiros não se protegem adequadamente, contribuindo para a grande incidência da doença. São estimados 188.020 novos casos no país somente em 2014. Destes, 98.420 devem ocorrer em homens e 83.710 em mulheres. De todos os casos, 5.890 correspondem ao tipo mais agressivo do câncer, o melanoma.
Conforme explica o dermatologista Dr. Delano Santiago, a exposição ao sol prejudica a pele a partir do momento que os raios solares ultrapassam as três camadas da pele: Epiderme, mesoderme e hipoderme. “O sol entre 8h e 10h é benéfico, por que se estabeleceu horário? Porque, conforme pesquisas, depois das 10h o raio solar modifica as nossas três camadas de pele, com isso, a pele passa a não ter mais proteção, porque o sol emite raios ultravioleta A e B. Raios esses, que ultrapassam a camada de ozônio e incidem direto na pele”, afirma.
Ainda segundo o dermatologista, principalmente por termos buracos na camada de ozônio, é necessário, e importante, que as pessoas façam a sua camada de proteção contra os raios ultravioletas, aí entra a utilização do protetor solar. “Hoje, nós temos, por obrigação, usar protetor solar de três em três horas, até o sol se pôr. A cada três horas, o protetor solar perde a sua validade na pele, então, aquele fator de proteção – 30,60, 80 ou 100 – vai a zero, por isso, precisamos retocar essa camada, para que o sol depois das 10h, que emite os raios UVA e UVB, não modifique a pele e não propicie o câncer de pele”, acrescenta.

 

FATOR DE PROTEÇÃO

É comum que, na hora da escolha do protetor solar, a pessoa fique em dúvida sobre qual fator levar, devido à série de opções fornecidas na indústria. Dr. Delano destaca que, quanto mais alto for o fator de proteção solar, mais alto também será o Persistent Pigment Darkening (PPD) – ou seja, o fator de proteção contra os raios UVA. “As pessoas, quando vão comprar o protetor solar, olham apenas se ele é fator 30, 60 ou 100, mas, com isso, elas esquecem de olhar se ele tem PPD acima de 10, isso não tem nada a ver com fator de proteção. O fator de proteção é medido em camadas, mas quando vamos comprar, é necessário, por exemplo, termos um fator de proteção de, no mínimo, 30, que já é suficiente para nos proteger 98% e, com isso, temos que saber se naquele produto existe um PPD maior do que 10”, explica o dermatologista.
O médico chama a atenção quanto ao fato de que muitas pessoas acreditam que usar o protetor só pela manhã já garante proteção por todos os outros períodos do dia. Ao contrário, quem tem esse hábito, deve mudar imediatamente, pois, conforme já falamos acima, só está, de fato, protegido aquele que faz o retoque do protetor na pele no prazo de três em três horas. “Se eu passei o protetor às 7h, às 10h, eu já não tenho mais proteção e, com isso, eu começo a receber os raios solares de maior intensidade. O erro dos pacientes que me procuram, por exemplo, é essa questão de achar que só de passar o protetor no início do dia, então já está protegido”, salienta Delano.

 

TIPOS DE CÂNCER DE PELE

Os cânceres de pele podem ser divididos em câncer de pele não-melanoma e câncer de pele melanoma. Dentre os cânceres não-melanoma, há o carcinoma basocelular (CBC), que é o mais frequente e menos agressivo, e o carcinoma espinocelular ou epidermoide (CEC), mais agressivo e de crescimento mais rápido que o carcinoma basocelular. Aproximadamente 80% dos cânceres de pele não-melanoma são CBC e 20% são CEC. Já o melanoma cutâneo, mais perigoso, dos tumores de pele, tem a capacidade invadir qualquer órgão e espalhar pelo corpo. Omelanoma cutâneo tem incidência bem inferior aos outros tipos de câncer de pele, mas sua incidência está aumentando no mundo inteiro.
O dermatologista diz que o câncer de pele tem tratamento e cura, no entanto, assim como ocorre com os outros tipos dessa doença, quanto mais cedo o problema for diagnosticado, a chance de melhores resultados para a cura é maior. Além disso, o câncer de pele também pode vir a criar metástase, que, se espalhado para o pulmão e o cérebro, torna o problema mais demorado do que diz respeito ao tratamento. “O melanoma é o nosso pior câncer de pele, porque, se não retirado, manda as células dele para o pulmão e cérebro, e com isso, a pessoa começa a ter uma mancha no pulmão, e começa a ter esquecimentos, perda de memória, que confunde muito com alzheimer e parkinson”, esclarece.
Dependendo do diagnóstico, a cirurgia é o tratamento mais indicado (embora, se detectado no início, em muitos casos, a cirurgia não se faz necessária). A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas, levando em consideração o estágio do câncer. Quando há metástase (o câncer já se espalhou para outros órgãos), o melanoma é incurável, na maioria dos casos. A estratégia de tratamento para a doença avançada deve ter então como objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
“O câncer de pele mata, assim como qualquer outro tipo de câncer. Ele é silencioso, não dá dor, não coça. Apresenta uma lesão que não cicatriza, que sangra com facilidade, é um machucadinho que forma na pele e, a todo o momento, sara e volta a se apresentar como uma ferida. Então, toda lesão que tem dificuldade de cicatrizar, deve ser analisada por um dermatologista. Para que todos nós saibamos – pejorativamente, diagnosticar um câncer de pele, devemos passar a palma da mão (de forma delicada) nos nossos braços, tronco e face. A mão deve deslizar sem agarrar, se sentirmos alguma coisa arranhando ao passar a mão, é necessário ir ao dermatologista”, encerra Dr Delano.

 

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