terça-feira, 6 de Setembro de 2016 16:34h Pollyanna Martins

Sociedade São Vicente de Paula quer reintegração de posse de terreno invadido

Todo o terreno foi tomado por moradores da Rua Cambuquira, que já tinham recebido doações de partes do lote da sociedade

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

A Sociedade São Vicente de Paula (SSVP) está lutando para ter a reintegração de posse de um terreno invadido por mora­dores no bairro Afonso Pensa, em Divinópolis. Conforme o coordenador de patrimônio do Conselho Metropolita­no da SSVP de Divinópolis, Walter José Ferreira, o lote ocupa parte das ruas Pains e Cambuquira. De acordo com Walter, o problema come­çou no final do ano passado, quando o conselho central de Divinópolis da SSVP começou a identificar e regularizar a si­tuação dos imóveis e terrenos para transformar em fonte de renda. “Quando nós começa­mos a identificar e legalizar os terrenos e imóveis, para que a Sociedade São Vicente de Paula tomasse posse, começaram as invasões”, relata.

Segundo o coordenador de patrimônio da SSVP, parte do terreno ao longo da Rua Cambuquira foi doada para famílias carentes desde 1970 e, não satisfeitos com o que lhes foi repassado, os moradores fizeram cercas invadindo a parte que ainda pertence à So­ciedade São Vicente de Paula. De acordo com Walter, mesmo com toda a documentação em dia, a sociedade não conseguiu a reintegração de posse do ter­reno. O coordenador de patri­mônios da SSVP relata que no dia 27 de julho esteve no local, escoltado pela Polícia Militar, para que o lote fosse reempos­sado, mas foi impedido pelos invasores. “Infelizmente, as pessoas se sentiram no direito de invadir o terreno. Nem com a proteção policial nós con­seguimos agilizar o trabalho, porque o pessoal começou a ficar na frente da máquina no dia que viemos aqui. Nós para­mos para evitar um transtorno maior”, detalha.

Walter esclarece que, logo após negociada com a Prefei­tura de Divinópolis a abertura de ruas, incluindo a Rua Pains – onde fica parte do terreno –, os moradores começaram a instalação de cercas. “Foi neste momento que vizinhos, mo­radores e outros se sentiram no direito de invadir o terreno, fazendo cerca como extensão de seus imóveis”, explica. De acordo com o coordenador, os documentos que comprovam a posse do terreno já foram enviados ao poder público, porém nada foi feito para que haja a reintegração de posse. “As doações foram feitas ao longo dos anos. Desde 1970, a sociedade vem legalizando o lote e doando para as pessoas que não tinham condições de comprar uma casa. Nós sabe­mos que só podemos sanar este problema com o apoio do poder público”, frisa.

MELHORIAS

De acordo com Walter, o terreno invadido será vendido para que o dinheiro seja rever­tido em melhorias nas 13 obras assistenciais mantidas pela SSVP. Atualmente, a Sociedade São Vicente de Paula tem 491 acolhidos, sendo 73 em enfer­maria e 418 em alojamento. Segundo o coordenador, em média, cada acolhido tem um custo mensal de R$ 1,8 mil, e todos são mantidos pela SSVP. “Nós não temos ajuda oficial nenhuma. As obras são manti­das com doações, a gente conta com o apoio do comércio, das famílias, das pessoas que con­tribuem”, informa. Conforme Walter, o dinheiro da venda do terreno será para fazer melhorias nas casas mantidas pela SSVP. “Nós queremos usar e vender, para que possamos ter uma renda para aplicar na qualidade de vida desses internos”, afirma.

O coordenador de patri­mônio da SSVP ressalta que a sociedade irá recorrer à justiça para ter a reintegração de posse do terreno. Walter ressalta ain­da que os homens e mulheres que estão internados nas obras assistenciais dependem da SSVP para viver e que a luta é em nome deles. “Se nós não cuidarmos dele, quem vai cui­dar? Nós estamos lutando por eles e vamos recorrer à justiça para termos a reintegração de posse”, garante.

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.