quarta-feira, 13 de Agosto de 2014 06:04h Atualizado em 13 de Agosto de 2014 às 06:07h. Pollyanna Martins

Superintendente do HSJD quebra o silêncio

Afrânio Emílio recebeu nossa reportagem na tarde de ontem

Após um longo período em silêncio, e de boatos de falência cercando o Hospital São João de Deus, o superintendente da Fundação Geraldo Corrêa, Afrânio Emílio Carvalho Silva, recebeu nossa reportagem na tarde de ontem para esclarecer sobre o atraso do salário do SUS dos médicos da entidade, a suspensão das cirurgias eletivas realizadas pelo SUS e sobre o atraso de um ano do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço de muitos funcionários.
Atualmente a paralisação do atendimento de cirurgias eletivas, incluindo ortopédicas, pelo SUS, e a falta de pagamento do salário dos médicos, é o que preocupa a população. O pagamento referente ao mês de junho deveria ser pago no dia 25 de julho, mas isto não ocorreu.
De acordo com o superintendente, o atraso de repasse foi o causador do problema. “O hospital estava atendendo acima da sua capacidade financeira, do pacto que existe entre Estado, Município e hospital. Este pacto está sendo revisado e, para não deixar ninguém com risco de morte, até que seja concluído o processo de revisão, o hospital está priorizando os atendimentos de urgência e emergência”, explica.
O superintendente afirmou ainda que ontem o hospital recebeu verba e então foi possível pagar o salário de 60% dos médicos, mas não estabeleceu data para pagar os outros 40%. “Tem outro recurso para ser recebido. A gente conseguindo receber este outro recurso, zera a dívida relacionada a salário, e volta o atendimento das cirurgias eletivas do SUS. O hospital está ajustando o atendimento de acordo com o recurso que ele tem. Agora estou aguardando recurso para colocar tudo em dia”, acrescenta.

 

 

 

 

 

FALÊNCIA
O Brasil passa por uma crise em várias Santas Casas. A Santa Casa de Manaus, por exemplo, está fechada há anos. As dívidas milionárias são as responsáveis pela falência dos hospitais ou pelo fechamento de alguns serviços. Quando questionado se o HSJD corre o risco de fechar as portas, Afrânio é enfático. “O Hospital São João de Deus nunca vai fechar as portas. Nós estamos repactuando os contratos financeiros justamente para evitar a falência. A gente já definiu um modelo de gestão para o hospital e estamos com novos projetos para 2015. Os serviços do hospital ampliaram, ampliamos o número de leitos. Então o fechamento do hospital não existe”, garante.

 

 

 

 

DÍVIDA
A empresa Dictum, que administra a Fundação Geraldo Correa na condição de interventora nomeada pelo Ministério Público, assumiu o hospital em setembro do ano passado, e encontrou uma crise que começou em 2010 e se acentuou em 2012. No ano passado, quando a crítica situação foi divulgada, inclusive com a intervenção administrativa determinada pelo Ministério Público, a dívida era de R$ 84 milhões.
Segundo Afrânio, a dívida do hospital está em torno de R$ 110 milhões. “Em doze meses nós pagamos cerca de R$ 9 milhões de dívidas. No passivo do hospital, nós estamos amortizando R$ 1 milhões por mês, nós já estamos pagando os bancos, prestadores. Fizemos um planejamento orçamentário financeiro e em cinco anos o hospital não terá mais dívidas”, afirma.

 

 

 

FGTS DOS FUNCIONÁRIOS
Outro problema que assombra os servidores do HSJD é a falta de depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nas contas de muitos funcionários, há mais de um ano. Nossa reportagem teve acesso ao extrato de um dos funcionários e constatou a falta do pagamento.
Quanto à liquidação desta dívida, o superintendente se limitou a dizer que “já tem uma linha com o Ministério da Saúde, que é o parcelamento da parte tributária. Já estamos avaliando para colocar em dia, mas ainda não tem prazo definido porque não depende do hospital.”

 

 

 

 

INSUMOS BÁSICOS
A falta de medicamentos, lençóis e até mesmo de fraldas geriátricas também foi motivo de revolta de pacientes que estavam internados no HSJD. Afrânio alega que este problema é comum, até mesmo em hospitais que estão com dinheiro sobrando no caixa. “O hospital implantou um sistema de compra e gerenciamento de estoque eletrônico. Todos os dias eu vou dispensando o que foi usado e o sistema avisa automaticamente o que precisa ser comprado. Pode ter um atraso por causa de entrega ou pela falta mesmo do insumo no mercado. Os hospitais pegam emprestado entre si. Mas não faltam insumos essenciais que coloquem em risco a vida de um paciente.”

 

 

 

ATENDIMENTO NO HOSPITAL SANTA LÚCIA
Os usuários do plano São João de Deus Saúde não estão sendo atendidos no Hospital Santa Lúcia desde junho deste ano. Por meio de nota, a diretora geral do Hospital Santa Lúcia, Simone Rausch, confirmou a decisão à Gazeta do Oeste. “O Hospital Santa Lúcia, em respeito aos seus clientes e visando resguardar os interesses dos mesmos, deixa registrado que por questões financeiras, o contrato formalizado com a Operadora de Saúde São João de Deus Saúde, está suspenso a partir de 21 de junho de 2014, até que sejam solucionadas as pendências existentes e, portanto, por período indeterminado não atenderá aos beneficiários deste Plano.”
Conforme Afrânio, o HSJD oferece aos usuários do plano toda estrutura necessária para qualquer tipo de atendimento. “O serviço que tem dentro do Santa Lúcia nós fazemos tudo aqui no HSJD. O plano vai direcionar o atendimento para cá. Então, ao invés de eu pagar terceiros, eu invisto em melhorias dentro do hospital”, conclui.

 

 

Crédito: Pollyanna Martins

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