quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015 10:23h Atualizado em 19 de Fevereiro de 2015 às 10:33h. Pollyanna Martins

SUS gasta em média R$ 60 milhões com dependentes de álcool

A Pesquisa Nacional de Saúde apontou que 24,3% dos motoristas assumem a direção do veículo após ter consumido bebida alcoólica

O Ministério da Saúde divulgou na última sexta-feira a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), feita em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), no período de julho de 2013 a fevereiro de 2014. O estudo mostrou que aproximadamente um quarto dos brasileiros que dirige insiste em desobedecer à lei e colocar a vida em risco. A pesquisa informou ainda que 24,3% dos motoristas afirmam assumir a direção do veículo após ter consumido bebida alcoólica.
A violência no trânsito é uma das principais causas de morte no Brasil. Em 2014 foram registradas 172.780 mil internações relacionadas a acidentes de trânsito. Entre 2010 e 2013, ocorreram mais de 313 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS) decorrentes do alcoolismo.
São gastos, em média, cerca de R$ 60 milhões por ano com pessoas dependentes do álcool. Os dados preocupam a diretora de Vigilância e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, que fala sobre a importância da conscientização da população em períodos de festa. “É importante conscientizar a população dos riscos do consumo abusivo de álcool associado à direção, principalmente nos períodos de festas, quando as pessoas costumam exagerar. É essencial que os brasileiros aproveitem o carnaval, tendo em mente que se beber, não dirija.”
Outro dado preocupante que a pesquisa mostrou foi o do consumo de álcool por adolescentes. Apesar da venda proibida em todo o país para quem tem menos de 18 anos, a pesquisa mostra que um em cada cinco (21,9%) adolescentes consegue comprar álcool por conta própria. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, a prática é crime e o comerciante que for pego vendendo a bebida pode ser punido.
No entanto, o estudo revela que parte dos adolescentes (10% a 12%) consegue a bebida no ambiente doméstico e na companhia de parentes. “Crianças e adolescentes não devem em hipótese alguma fazer o uso de álcool. O consumo afeta a maturidade cerebral, o aprendizado, a memória e pode prejudicar seriamente o desenvolvimento dos jovens”, ressalta Malta.

 

RISCOS
Quanto maior o consumo, maiores os riscos. Do total de entrevistados, 13,7% bebeu álcool de forma abusiva nos últimos 30 dias, o que representa a ingestão de quatro ou mais doses para mulheres ou cinco ou mais doses para homens em uma única ocasião. Entre os homens o índice chega a 21,6%, enquanto essa proporção no público feminino foi de 6,6%.
O comerciante Francisco de Assis Pinheiro, de 38 anos, natural do Rio de Janeiro, faz parte dessa estatística. Ele sofreu um grave acidente quando voltava de uma festa após ter bebido álcool. “Não andei nem 300 metros e em uma curva bati em outro carro. Eu estava sem cinto, fraturei o osso da região da bacia e estou sem andar. Aprendi a lição. Não se deve beber e dirigir”, lembra.

 

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