sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016 08:52h Pollyanna Martins

Termina a greve dos peritos do INSS

A greve durou 165 dias, e o atendimento pode demorar até seis meses para ser regularizado

Terminou nessa quarta-feira (17) a greve dos médicos peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Após 165 dias paralisados, a classe assinou com o Governo Federal o Termo de Acordo de Fim de Greve e Reposição. De acordo com a Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social, os peritos médicos irão, em um prazo máximo de seis meses, repor todo o atendimento atrasado das agências do INSS.

 


Na Gerência do INSS em Divinópolis, são 46 médicos peritos, e 50% deles aderiram à paralisação. Segundo a delegada da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), Bianca Tavares, a gerência abrange 22 municípios do Centro-Oeste, sendo que, na agência de Divinópolis trabalham cinco peritos. De acordo com Bianca, o atendimento voltou ao normal ontem (18) e,aproximadamente, 18 mil perícias estão atrasadas devido à greve. A delegada ainda explicou que, o plano para a reposição ainda será definido, mas estará dentro do prazo estipulado pela associação. “Ainda não temos uma definição de como vai ser feita essa reposição. No termo de acordo assinado, não ficou estabelecido quem terá prioridade de atendimento, esses pontos ainda vão ser definidos”, afirma.

 

 


A greve começou no dia 4 de setembro, e de acordo com a ANMP, em janeiro deste ano, a fila para a realização de perícias médicas em todo o Brasil estava acima de2 milhões de solicitações. “Pelo nosso último levantamento, já são mais de 2,1 milhões de perícias que não foram realizadas neste período de greve. Estamos mantendo o efetivo de 30% de atendimentos, mas as negociações estão paradas”, informou o presidente da Entidade, Francisco Eduardo Cardoso Alves.
A delegada esclarece que, desde o dia 25 de janeiro, os médicos retomaram os trabalhos apenas para perícia inicial e, com o fim da greve, todas as perícias serão realizadas, incluindo a possibilidade de algumas perícias serem adiantadas. “Todo o tipo de atendimento será realizado. As perícias de prorrogação, de reconsideração e as perícias de BPC [Benefício da Prestação Continuada]. Nesses seis meses, nós vamos tentar antecipar essas perícias que estão represadas, para que haja a garantia de que o pagamento que foi descontado dos peritos durante a greve seja devolvido”, detalha.

 

 


REIVINDICAÇÕES
A categoria pedia um aumento salarial de 27%, 30 horas semanais de trabalho, reestruturação da carreira e o fim da terceirização. Em outubro de 2015, logo após completar um mês de paralização, Bianca ressaltou que uma das prioridades nas reivindicações eram as 30 horas semanais de trabalho. “Nosso pleito está sendo por causa das 30 horas semanais. Hoje, nós temos colegas que recebem o mesmo tanto que o outro, mas têm uma carga horária diferenciada. A gente quer uma isonomia”.

 

 


Conforme a delegada, o Ministério do Planejamento, órgão responsável pela negociação com a categoria,ainda não atendeu a reivindicação da carga horária dos médicos peritos, mas pediu um prazo de seis meses para definir se atenderá ou não a pauta. “Foi criado um grupo de trabalho, com prazo de seis meses para definir essa questão com a gente. Creio que eles vão nos atender sim. Nós assinamos o termo, mas algumas reivindicações ainda não foram atendidas”, conclui.

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