quarta-feira, 31 de Maio de 2017 08:50h Atualizado em 31 de Maio de 2017 às 08:57h. Luiz Felipe Enes

Termina hoje o prazo para aquisição da vacina contra a febre aftosa

Região de Divinópolis conta com aproximadamente 114 mil cabeças de gado em quatro cidades. Vacinação é importante, pois evita a propagação do vírus causador da doença

São com 49 cabeças de gado, criadas na comunidade de Djalma Dutra que o produtor rural Francisco José de Paula tira parte do sustento da família. Aos 55 anos, o trabalhador tem enfrentado frio de até 12°C nas madrugadas divinopolitanas para tirar leite das vacas. A rotina começa antes do alvorecer e após osol nascer, ‘Seu Chico’, como é conhecido na região do bairro São Roque, sai para vender o leite.

Assim como o Chico, diversos produtores rurais na região seguem o mesmo percurso. A qualidade de vida no campo e o contato com a natureza são heranças de família. “Isso já veio do meu pai, que era da roça e mexia com o gado. Eu desde pequeno tinha costuma de ajudar ele. Já tem um tempo que ele faleceu, mas mesmo assim eu mantive o ritmo dele até hoje”, disse Francisco.

Vendendo aproximadamente de 30 a 40 litros de leite diariamente, o produtor rural reconhece os cuidados necessários com gado. Por isso, para evitar problemas, ‘Seu Chico’ já vacinou todo o rebanho contra a febre aftosa. Hoje é o último dia para adquirir a vacina em algum ponto de revenda e os pecuaristas tem até o dia 10 de junho para enviar ao IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) as declarações de vacinação.

A campanha de vacinação contra a febre aftosa é divida em duas etapas. A primeira em Maio e a segunda no mês de Novembro. Na primeira etapa devem ser imunizados animais com um dia de vida até os mais velhos do rebanho. De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária, vacinar os bovinos e bubalinos contra aftosa evita problemas futuros e favorece as vendas e exportações de carne. Cobertura vacinal deve ser de 95% em bovinos e bubalinos (búfalos).

O QUE É A FEBRE AFTOSA?

Altamente contagiosa, a febre aftosa é uma doença viral causadora de inúmeros prejuízos aos animais. Existem sete sorotipos diferentes e em algumas condições, o vírus consegue sobreviver na medula óssea e nos gânglios linfáticos dos bovinos e dos bubalinos. A transmissão pode ocorrer pelas secreções passadas de um animal para o outro. Em casos raros, pode ocorrer também pelo ar, como explica o médico veterinário

do IMA.

“A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa. Então o risco de transmissão é muito grave e muito preocupante porque é uma doença que se transmite de forma muito fácil de um animal para o outro. Pode ser por secreções e até pelo ar. Então a aftosa vai causar vários prejuízos econômicos na cadeia produtiva, tanto direta como indiretamente através dos embargos econômicos que nós sofreríamos”, explicou o fiscal e médico veterinário André de Paula Rodrigues.

Os produtores rurais com mais de 150 cabeças de gado devem fazer a declaração exclusivamente pela internet, pelo site [www.ima.mg.gov.br/componente/article/2118]. No site o usuário terá acesso ao passo a passo explicando o procedimento de cadastro dos bovinos ou bubalinos. Produtores rurais com cabeças de gado inferiores a 150 podem entregar as declarações nos escritórios regionais do Instituto Mineiro de Agropecuária.

IMUNIZAÇÃO

Segundo o escritório regional do IMA, existem aproximadamente 114 mil cabeças de gado em Divinópolis, Carmo do Cajuru, São Gonçalo do Pará e São Sebastião do Oeste, cidades de responsabilidade do escritório da regional Divinópolis. “A partir dessa etapa de maio, o produtor que tem acima de 150 cabeças pode declarar pela internet. É um procedimento relativamente simples, tem o passo a passo que orienta isso. O produtor que tem abaixo de 150 cabeças pode se dirigir a qualquer escritório do IMA e fazer a declaração dele”, incluiu o médico veterinário.

Dividida em duas etapas, a primeira fase da vacinação termina nesta quarta-feira (31). A segunda etapa ocorre em novembro. Na primeira fase são vacinados todos os animais, sem exceções. Na segunda etapa, em novembro, são vacinados os animais com até 24 meses. O objetivo é que o animal, com até dois anos de idade, tenha tomado quatro doses da vacina. Fiscal do IMA e médico veterinário, André explica como funciona a vacinação dos bovinos e bubalinos na prática.

“O animal com um dia de vida vacinado nessa etapa vai tomar um reforço em novembro. Na campanha de maio do ano seguinte, ele tomaria uma terceira dose. Na campanha de novembro do ano seguinte, uma quarta dose. Após quatro doses consecutivas, em quatro etapas consecutivas, estabelecemos que o animal possui uma segurança imunológica. Aí ele pode passar a ser vacinado uma vez por ano só. Então por isso que o animal, a partir de dois anos, recebe uma vacina só na primeira etapa, que geralmente é em maio”, esclareceu.

PROCURA

A vacina pode ser adquirida até hoje nas lojas agropecuárias credenciadas ao IMA. O pecuarista ou produtor rural que não vacinar dentro do prazo está sujeito à multa de R$ 81,29 por cada animal não imunizado. Se o produtor não declarar dentro do prazo estabelecido – até dia 10 – pode arcar com multa de R$ 16,26 por animal. E assim, como em outras campanhas de vacinação, a cena é a mesma.

“Como sempre, o pessoal deixa para a última hora. Até agora está bem fraca a procura. Dessa loja foram vendidas 2700 doses. Isso representa 30% do que vende em toda campanha. Essa campanha é de zero ano até todo o rebanho. Os búfalos também devem ser vacinados. Geralmente no ultimo dia é o mais corrido. Tem épocas que faltam. Se ela faltar no mercado, o IMA prorroga o prazo”, disse Dejair Rodrigues dos Santos, gerente de uma loja agropecuária.

O gerente da agropecuária disse ainda que na loja em que trabalha ainda há estoque disponível “A gente já deixa, porque sabemos que o pessoal deixa tudo para o último dia, por isso, separamos um estoque maior e a loja está abastecida”, mencionou Dejair. Após adquirida, a vacina deve ser acondicionada em caixas de isopor, contendo gelo e a temperatura nessas caixas devem oscilar entre 2°C e 8°C.

CARÊNCIA

Segundo o Instituto Mineiro de Agropecuária, não existe carência para o consumo de leite dos animais vacinados. No entanto, a carne deve ser observada. “Para o leite a carência é zero. Mas vamos supor que o produtor vacinou esse animal e resolveu mandar ele pro abate. Às vezes ele vai ter uma reação localizada no local vacina. É só tirar e descartar, geralmente nos frigoríficos mesmo é feito esse descarte. Mas não tem carência, não tem resíduo nenhum, não tem contraindicação nenhuma para o consumo humano, tanto de leite quanto de carne”, conta André.

Tranquilo e com dez vacas leiteiras, ‘Seu Chico’ vacinou o rebanho e já fez a declaração junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária. Chico sabe que todos os anos deve vacinar o gado. “Uai, eu acho muito importante é porque é o seguinte, se o gado foi vacinado, ele nunca vai adoecer da aftosa. Imuniza, você vacinou, o outro vacinou, então não tem como chegar essa doença no gado da gente ou no do vizinho”.

Dedicado, ‘Seu Chico’ também preocupa com a higiene dos animais. “O gado tá beleza, tá um gado bonito. Todo o mês passa um óleo que usa no fio do lombo, passou o óleo todo mês, não tem como o carrapato aproximar das grei [sic] e a vantagem até pra gente que o gado fica bonito, limpinho, né? É feio chegar num lugar e ver um gado cheio de carrapato de berne, não pega bem para o dono não, né?”.

Não pega mesmo Seu Chico. Por isso, quem não vacinou os animais tem até hoje, quarta-feira (31) para adquirir a vacina em qualquer revenda credenciada ao IMA. O prazo final para declarar a vacinação de todo rebanho termina em um sábado, dia 10 de junho. A não vacinação e ausência de declaração implicam em multa.

 

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