quinta-feira, 21 de Maio de 2015 10:46h Jotha Lee

Tolentino diz que é preciso pressionar o Estado para salvar Hospital São João de Deus

Audiência Pública debate crise na instituição e tenta encontrar saída para a crise

Para debater a situação do Hospital São João de Deus, que passa por sérias dificuldades econômicas e de atendimento, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública na próxima terça-feira, às 9h, no plenário da Câmara Municipal, em Divinópolis. O autor do requerimento é o deputado Fabiano Tolentino (PPS), que tem sido insistentemente cobrado a se posicionar mais firmemente na busca de soluções para sanear o maior hospital filantrópico da região.
A crise no São João de Deus se arrasta desde 2012, quando foi descoberto um rombo de R$ 85 milhões. Após auditoria realizada pelo SUS, que constatou uma série de irregularidades, o Ministério Público admitiu a intervenção administrativa, que foi entregue à empresa Dictum, especialista em gestão hospitalar. Embora a empresa esteja trabalhando há mais de um ano, a crise não diminuiu e os problemas vão se acumulando, desde atraso em pagamentos essenciais, falta de materiais básicos e medicamentos, até o relacionamento com os funcionários.
Para justificar o pedido de audiência, Tolentino cita dados da Secretaria Estadual de Saúde, que revelam que 22 pessoas morreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, só em abril desse ano, aguardando leitos hospitalares. “Este é um número assustador e uma realidade que temos que combater”, afirma o deputado, para destacar a importância da audiência pública marcada para semana que vem.
O deputado divinopolitano afirma que é preciso exigir maior participação do Estado em busca da solução para a crise. “Vamos convocar autoridades políticas locais e regionais para esse debate, entendendo que a saúde atua em sistema, com maior abrangência. Precisamos também cobrar resultados e investimentos do Governo de Minas, que tem responsabilidade na qualidade da prestação dos serviços de saúde nas nossas cidades”, diz.
Tolentino destaca ainda que o Hospital São João de Deus é referência na prestação de serviços de saúde no Centro-Oeste mineiro e cobra maior transparência. “Entendemos que é preciso transparência nesse caso, tanto dos motivos que levaram às condições atuais como sobre quais seriam as medidas necessárias para tentar remediar tudo isso”, analisa. “A construção do Hospital Público é um fator importante para o Centro-Oeste de Minas, mas o Hospital São João de Deus não pode ser deixado de lado”, assegura.
1.050
O vereador Edimilson Andrade (PT), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, diz que o Hospital São João de Deus é a salvação para a saúde da cidade. Para ele, não basta sanear a crise que afeta a instituição. O vereador defende que toda a rede hospitalar da região receba investimentos, para evitar que a sobrecarga de pacientes seja encaminhada para Divinópolis. “Investimentos em hospitais das outras cidade vai desafogar o sistema, pois casos mais simples não precisarão ser encaminhados para Divinópolis, como acontece hoje.
Na sessão da Câmara da última terça-feira, o vereador informou que havia 1.050 pessoas da região aguardando leito hospitalar para internamento. Edimilson Andrade também defende maior participação do Estado na administração do Hospital São João de Deus. “O Estado tem que participar sim, porque foi o Estado que quebrou o hospital”, afirma.
Instituição filantrópica ligada à Ordem Hospitaleira de São João de Deus, presente em 51 países, o Hospital São João de Deus, começou a ser construído em 1° de junho de 1962 e foi inaugurado em 1° de junho de 1968. Com área construída de 17.600 metros quadrados, a instituição, hoje, dedica mais de 70% de suas atividades ao Sistema Único de Saúde (SUS), atendendo 57 cidades da região Centro-Oeste de Minas Gerais. É a única instituição hospitalar da cidade que atende pelo SUS, o que compromete ainda mais não apenas a crise interna, como também afeta toda a rede pública de Divinópolis.

 

CONVIDADOS
Foram convidados a participar da audiência da próxima terça-feira o prefeito, Vladimir de Faria Azevedo; o presidente da Câmara Municipal, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja; o secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos; o superintendente do Hospital São João de Deus, Afrânio Emílio Carvalho; o diretor do Instituto de Gestão e Perícia, Áriston de Oliveira Silva; o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região do Vale do Itapecerica, Marco Aurélio de Oliveira; a superintendente Regional de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Gláucia Sbampato Pereira; o promotor de Tutela das Fundações, Sérgio Gildin; o promotor nas áreas de Defesa do Patrimônio Público e da Saúde Pública, Ubiratan Domingues; e o promotor de Justiça Coordenador do CAO-Saúde, Gilmar de Assis.

 

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