terça-feira, 11 de Outubro de 2011 18:08h Atualizado em 12 de Outubro de 2011 às 09:23h. Sarah Rodrigues

Trabalho infantil ativo em Divinópolis

Crianças menores de 14 anos não podem trabalhar. A partir dos 14 anos eles podem trabalhar como aprendiz, para aprender uma profissão no futuro. Somente a partir dos 16 anos é que o adolescente pode ter um trabalho, como um empregado qualquer. Contudo, nem sempre é o que percebemos, em Divinópolis mesmo, basta andar por alguns bares, lanchonetes e restaurantes que sê vêem crianças e adolescentes vendendo balas, doces, chocolates e outros artigos.


A reportagem da Gazeta flagrou em um bar, um adolescente vendendo bombons livremente durante a madrugada. De acordo com a psicóloga Cristine Strassburguer Nunes o trabalho infantil afeta tanto a área física como emocional da criança.


A psicóloga avalia que ao trabalhar na infância a criança pula uma fase considerada muito importante, como de aprendizado e passa a ter responsabilidades como na vida adulta. Ela explica que este tipo de trabalho pode acarretar transtornos à criança como perda da criatividade, da inteligência entre outras funções.


Cristine conta que para se desenvolver a criança passa por diversos aprendizados, em que as brincadeiras são muito importantes. Ao trabalhar nesta idade, a criança queima uma etapa, o que pode trazer vários comprometimentos para a vida adulta, por fazer atividades que não são próprias para a idade. “A criança pula a fase infantil, passa pela idade e deixa de aprender muitas coisas”, relata.


Segundo o promotor da vara da infância e juventude Carlos José e Silva Fortes, grande parte das crianças e adolescentes trabalham devido a negligência. Ele explica que na cidade existem várias ações em relação a cada uma das crianças que muitas vezes estão fora da escola, são mal tratadas, principalmente pela negligência de seus pais.


Elas trabalham em horários e profissões inadequadas pela idade o que é considerado crime.


De acordo com o promotor existem alguns fatores que podem ser considerados negligência como drogas em que os pais drogados não ligam para os filhos, fator que leva as crianças e adolescentes a trabalharem para terem condições melhores. Fortes ressalta que não somente as drogas como o crack são sinais de negligência, mas também a bebida alcoólica contribui para o trabalho infantil.


O promotor avalia que muitas crianças largam a escola, pois são incentivadas pelos pais para ajudarem na renda familiar. Todas as denúncias, caso a caso, estão sendo apuradas pelos órgãos responsáveis, Carlos ressalta que a promotoria tem lutado para melhorar a situação das crianças e adolescentes.

TRABALHO


Dados apontam que no Brasil cerca de 4,8 milhões de crianças de adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando, desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos.


Apesar de no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos, a realidade continua sendo outra. Para adolescentes entre 14 e 15 anos, o trabalho é legal desde que na condição de aprendiz.


O Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) vem trabalhando arduamente para erradicar o trabalho infantil. Contudo, estima-se que o programa atenda 1,1 milhões de crianças e adolescentes, deixando cerca de 3,7 milhões de fora. Por isso muitas autoridades estão empenhadas em mudar essa realidade.
No país o trabalho infantil ainda é predominantemente agrícola. Cerca de 36,5% das crianças estão em granjas, sítios e fazendas, 24,5% em lojas e fábricas. No Nordeste, 46,5% aparecem trabalhando em fazendas e sítios.
 

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