quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013 05:12h Paulo Reis

Tuberculose, um mal ainda não erradicado

A doença deve ser combatida nos primeiros sintomas. Em Divinópolis nos últimos cinco anos o registro de casos da doença permaneceu estável

Para muitos ela já nem existe mais, está erradicada. No passado a doença foi responsável pela morte de milhares de pessoas, porém com o avanço da medicina a tuberculose conseguiu ser controlada, mas dizer que ela não faz mais vítimas é uma afirmação errada. A doença ainda acomete sim e de forma direta àquelas pessoas que estão expostas ao seu contágio.
Atualmente se registram casos da doença entre as variadas classes sociais. Ela se desenvolve ou propaga com a mesma facilidade de outras doenças infecto-contagiosas. A tuberculose pode atingir desde crianças à idosos.
Todos os anos 1960 milhões de pessoas são infectadas com tuberculose. Embora atualmente esta doença tenha tratamento, ainda mata anualmente 1.7 milhões de pessoas principalmente na África e no sudeste da Ásia.
Com controle feito pela OMS e outras organizações de saúde, e com tratamentos cada vez mais eficazes para doenças imunes, o número de casos no mundo vêm caindo consideravelmente em todos os continentes. O local com mais casos é o sudeste asiático com 34%, seguindo da África com 30% dos casos e da ilhas do Pacífico com 21%. Na Europa ocorrem apenas 4,5% e nas Américas apenas 2,9%.
O Brasil é, segundo dados de 2010 do Ministério da Saúde, o 19º país com maior número de casos da doença. Cerca de 73% dos novos casos são curados, 12% a menos do preconizado pela OMS.
Em Divinópolis a doença nos últimos cinco anos permaneceu estável, oscilando entre 25 e 30 casos registrados. Infelizmente o tratamento como tuberculose é deixado na maioria das vezes de lado, já que esta é confundida antes do diagnóstico como se fosse uma pneumonia, principalmente pela semelhança de sintomas que ambas as doenças apresentam e por afetar o mesmo órgão em alguns dos casos, o pulmão. 
Segundo a Referencia Técnica em Tuberculose na Atenção Primária de Divinópolis, Andreza Cortez em 2012, foram registrados na cidade 25 casos da doença, destes 17 foram da forma pulmonar (esta é transmissível), existe também a forma extra pulmonar (fora do pulmão).
A profissional ainda alerta quanto a frequência do diagnóstico tardio, outro fator que colabora significativamente para a propagação da doença. “Esta ainda é uma situação muito negativa para o controle e combate a tuberculose”, enfatiza.
De acordo com Andreza Cortez a pessoa que for diagnosticada com a doença pode fazer o acompanhamento pela rede particular ou pelo SUS. Ela ainda reforça que o Ministério da Saúde fornece o tratamento totalmente gratuito, que este é feito pela ingestão de comprimidos num espaço de tempo que dura de 6 a 9 meses, podendo se estender caso o médico perceba a necessidade.
Na forma pulmonar, ou seja, quando a doença pode ser transmitida com mais facilidade a pessoa só estará livre de oferecer risco a outras depois de uma media de 15 dias contínuos do tratamento, porém o ideal para se confirmar a não transmissão da doença só ocorrerá depois que a pessoa infectada repetir o exame e este comprovar a ausência dos bacilos da tuberculose no pulmão.
Andreza explica que as pessoas que estiveram em contato com a pessoa diagnosticada devem fazer o exame para descobrirem se foram infectadas pela doença, começar imediatamente o tratamento e assim evitar a disseminação da tuberculose para demais indivíduos.
Os exames para detectar a tuberculose devem ser aplicados naquelas pessoas que apresentem tosse contínua por três ou mais semanas. È por meio do exame do escarro que será avaliado a presença do bacilo da tuberculose. Os indivíduos que convivem por varias horas ao longo do dia e da semana com uma pessoa infectada estão diretamente propensas a contrair a doença, afirma Andreza.
O dia de controle e combate a tuberculose é comemorado em 24 de março, porém a campanha contra a doença se estende durante todo ano. Para 2013 já está em fase de planejamento as ações para a data, finaliza a Referência Técnica em Tuberculose.

História da doença

Por conta de seus variados sintomas, a tuberculose não era identificada como uma única doença até à segunda década do século XIX, e não era chamada de tuberculose até ser batizada em 1839 por J.L. Schoenlein. Algumas formas da doença provavelmente eram conhecidas desde a Grécia antiga, senão antes, considerando-se que a doença se originou a partir do primeiro gado domesticado (no qual também originou a varíola humana) e antigamente não existia vacina.
O bacilo causador da doença, Mycobacterium tuberculosis foi descrito em 24 de março de 1882 por Robert Koch. Ele recebeu em 1905 o Prémio Nobel de medicina por sua descoberta. Koch não acreditava que as tuberculoses bovina e humana fossem similares, o que impediu o reconhecimento do leite infectado como fonte da doença. Mais tarde, esta fonte foi eliminada graças à pasteurização. Koch apresentou um extrato de glicerina com o bacilo da tuberculose como um "remédio" para a doença em 1890, chamando-o de tuberculina. Ele não teve eficácia, porém, foi mais tarde adaptado por von Pirquet para um teste para tuberculose pré-sintomática.
O primeiro sucesso genuíno de vacinação contra a tuberculose foi desenvolvido a partir de linhagens atenuadas da tuberculose bovina, e criado por Albert Calmette e Camille Guerin em 1906. Era a vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guerin). Ela foi usada pela primeira vez em humanos em 18 de julho de 1921 na França, apesar de arrogâncias nacionais terem impedido a disseminação de seu uso, seja nos Estados Unidos, Reino Unido ou Alemanha até o final da Segunda Guerra Mundial.
A tuberculose causou enorme preocupação pública no século XIX e no início do século XX, como a doença endêmica entre as classes pobres das cidades. Na Inglaterra de 1815, uma entre quatro mortes eram devido à tísica pulmonar; por volta de 1918, uma dentre seis mortes na França ainda era causada pela Tuberculose. Depois de ter ficado claro, por volta de 1880, que a doença era contagiosa, a tuberculose se tornou uma doença de notificação obrigatória na Grã-Bretanha e foram feitas campanhas para que não se escarrasse em locais públicos, e as pessoas com a infecção eram "encorajadas" a irem para sanatórios que chegavam a lembrar prisões. Apesar dos "benefícios" do ar fresco e do trabalho apregoados nos sanatórios, 75% dos que neles entravam morriam num prazo de 5 anos (dados de 1908).
A preocupação com a disseminação foi tanta em alguns países, como os EUA, que chegou a surgir um movimento contrário a que se escarrasse em público, exceto em locais com escarradeiras.
Na Europa, as mortes por Tuberculose caíram de 500 por cada 100 000 pessoas em 1850 para 50 em 100 000 por volta de 1950. Melhorias na saúde pública já vinham reduzindo a incidência de tuberculose mesmo antes do surgimento dos antibióticos, apesar de a importância da doença ainda ser grande quando o chamado Medical Research Council da Grã-Bretanha lançou seus primeiros projetos para a doença em 1913.
Somente após 1946, com o desenvolvimento do antibiótico estreptomicina é que o tratamento, e não apenas a prevenção, se tornaram possíveis. Antes disso, somente a intervenção cirúrgica era possível como tratamento (além dos sanatórios), incluindo a técnica do pneumotórax: provocar o colapso de um pulmão infectado para deixá-lo "descansar" e permitir a cicatrização das lesões, técnica muito habitual, mas pouco benéfica, e que foi posta de lado após 1946.
Esperanças de que a doença pudesse ser completamente eliminada foram frustradas desde o surgimento de cepas de bacilos resistentes aos antibióticos nos anos 1980. Por exemplo, os casos de Tuberculose no Reino Unido, por volta de 50 000 em 1955, caíram para cerca de 5 500 em 1987, mas em 2001 havia mais de 7 000 casos confirmados.
O número daqueles que interrompem o tratamento também foi muito alto. Nova Iorque teve que lidar com mais de 20 000 pacientes "desnecessários" com muitas cepas resistentes a muitas das drogas normalmente usadas. O ressurgimento da tuberculose resultou na declaração de uma emergência médica global pela Organização Mundial da Saúde - OMS em 1993.

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