sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015 10:00h Atualizado em 16 de Janeiro de 2015 às 10:04h. Lorena Silva

UFSJ responsabiliza alunos por reprovação do curso de Medicina em avaliação do MEC

Falta de compromisso dos alunos com a prova do Enade seria a justificativa para nota insuficiente dada pelo Ministério da Educação

Quase um mês após o curso de Medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com campus em Divinópolis, ter sido reprovado em avaliação do Ministério da Educação (MEC), a UFSJ decidiu se manifestar sobre o assunto novamente. Em nota divulgada na última quarta-feira, a universidade culpa os alunos pelo conceito 2 obtido na avaliação – em uma escala que vai de 1 a 5 – sendo considerado, portanto, como insatisfatório.
No comunicado, a instituição afirma que obteve conceito 4 no Índice Geral de Cursos (IGC), que mede a qualidade da educação superior brasileira. Desse modo, estaria entre as 50 melhores universidades do país, dentre as mais de duas mil instituições de ensino superior. O resultado, divulgado no último dia 19 pelo Ministério da Educação e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é relativo ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2013.
Segundo a Universidade, nesta edição do Exame todos os cursos avaliados na UFSJ obtiveram nota 4: Engenharia Agronômica, no campus de Sete Lagoas, Enfermagem e Farmácia no Campus Centro-Oeste (CCO), em Divinópolis, e Zootecnia, no Campus Tancredo Neves em São João del-Rei. A única exceção teria sido o curso de Medicina do campus CCO, em Divinópolis, com a nota 2.

 

CURSO DE MEDICINA
Especificamente sobre a avaliação do curso de Medicina, a instituição explicou que em visita a Divinópolis, em outubro de 2013, a comissão de avaliadores especialistas do Inep “reconheceu a excelência das condições de oferta do curso”. De acordo com a Universidade, o curso teria recebido o conceito 4, “a melhor nota concedida na ocasião a um novo curso de Medicina”. Durante a avaliação, os especialistas levaram em consideração a infraestrutura, laboratórios de ensino, qualificação do corpo docente e, em especial, a organização didático-pedagógica.
No entanto, na realização das provas do Enade, ocorrida em novembro de 2013, que contou com a participação de 39 estudantes concluintes, o curso de Medicina recebeu o conceito 2, considerado insuficiente. “Até aquele momento, em toda sua história, a UFSJ nunca havia recebido avaliação insuficiente em qualquer dos seus cursos”, diz a nota. Em seguida, a Universidade contrapõe dizendo que os mesmos estudantes que determinaram o conceito insuficiente, obtiveram excelentes resultados nos processos seletivos a que se submeteram em concursos públicos e para residências médicas.
“A atitude desses estudantes revela falta de compromisso e deslealdade para com a Instituição que os acolheu e ofereceu formação profissional gratuita em carreira de grande relevância social. É lamentável que um jovem que estudou em uma instituição pública, mantida com o dinheiro dos contribuintes, seja incapaz de retribuir, de modo decente, quando convocado a uma justa avaliação profissional”, se defende a Universidade.
A instituição finaliza a nota dizendo que aguarda nova visita dos avaliadores do Inep e esclarece que não há nenhuma alteração na oferta de vagas para os próximos processos seletivos.

 

Crédito: Arquivo GO

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