quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015 10:12h Atualizado em 19 de Fevereiro de 2015 às 10:16h. Jotha Lee

UPA 24h sem água e superlotada no carnaval

Procurador que investiga construção da unidade pede informações federais

A UPA 24h, localizada no bairro Ponte Funda, continua sendo motivo de reclamações. No período de carnaval, embora a cidade estivesse vazia, o movimento na unidade foi intenso, especialmente no último sábado. Além da superlotação que está se tornando crônica, pacientes e funcionários ainda tiveram que enfrentar a falta de água. De acordo com usuários, a situação foi crítica durante todo o dia, sem água para banho de pacientes e até mesmo para limpeza de banheiros.
Também chamou a atenção a demora para atendimento de pacientes, muitos precisando de assistência emergencial. Em alguns casos a demora se deu devido ao grande volume de pessoas aguardando para serem medicadas. Já em outros, não havia profissionais especialistas. Uma paciente, vítima de AVC, esperou por atendimento por mais de quatro horas, segundo informações de familiares.
Ontem a reportagem não conseguiu informações junto à Copasa sobre a falta de água na unidade de saúde, já que a companhia só retorna às atividades hoje, após o recesso de carnaval. O diretor técnico da UPA, Marco Aurélio Lobão, também não atendeu o celular em nenhuma das ligações feitas pela reportagem, o mesmo ocorrendo com o secretário municipal de Saúde, David Maia, que também só retorna hoje ao trabalho.

INQUÉRITO
A UPA 24h enfrenta velhos problemas, especialmente a demora no atendimento e a falta de especialistas. Estas eram reclamações permanentes na antiga unidade de emergência, o Pronto-Socorro Regional, que funcionou até março do ano passado na Avenida Getúlio Vargas. A entrega da Unidade de Pronto Atendimento no bairro Ponte Funda era uma aposta do governo municipal de que esses problemas seriam definitivamente sanados.
Entretanto, isso ainda não aconteceu. Os velhos problemas estão de volta e a situação interna na unidade é tensa. As relações entre a direção da UPA e o Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) é tensa, diante de muitas denúncias que vêm sendo feitas pelos servidores do município que prestam serviços à unidade.
A demora no atendimento tem ocorrido rotineiramente e, a exemplo do antigo Pronto-Socorro, a UPA está servindo para manter em tratamento pacientes que necessitam de leitos na rede hospitalar. Como não há disponibilidade, a carga fica em peso sobre a UPA, afetando diretamente o volumoso número de usuários.
Enquanto vive seus problemas internos, a UPA também é alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF), que apura possíveis irregularidades no funcionamento da unidade. Instaurado em setembro de 2013, o inquérito ainda está longe de ser concluído, mas já deu alguns passos. A instauração da investigação se deu após fiscalização no local feita por servidores do Ministério Púbico do Estado de Minas Gerais, que, segundo portaria que instaurou a investigação, “constataram que a mencionada UPA não está funcionando efetivamente.”
No final do mês passado, o procurador da República substituto, Gustavo de Carvalho Fonseca, encaminhou ofício ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS solicitando informações sobre a unidade. Entre outras exigências, o procurador quer saber se há confirmação de notícia de irregularidades na aplicação dos recursos federais utilizados na construção da UPA.
Ele solicitou ainda cópia do instrumento jurídico que viabilizou a transferência de recursos da União para o município, com objetivo de construção da unidade. O procurador também quer saber se o Ministério da Saúde tem feito repasses mensais para custeio da referida unidade, que hoje é administrada por uma organização social, a Santa Casa de Formiga, que está sob intervenção judicial.
As investigações que estão sendo conduzidas pelo MPF começaram em 2013 e a administração da UPA ainda estava sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde. Por meio da assessoria de imprensa o secretário da pasta, David Maia, informou que “todas as informações solicitadas pela Procuradoria da República no Município de Divinópolis já foram repassadas a este órgão”. O secretário não quis fazer uma análise da investigação.

 

Crédito: Jotha Lee

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