quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015 11:24h Jotha Lee

UPA 24h vive dia de superlotação e reclamações de pacientes

Sindicato denuncia falta de diálogo e salários e horas-extras atrasados

A UPA 24h continua enfrentando velhos problemas, porém agora agravados pela insegurança administrativa, diante da intervenção ocorrida na Fundação Santa Casa, da cidade de Formiga, instituição responsável pela administração da unidade. Usuários denunciam espera de até seis horas para atendimento, além da falta de leitos para atender ao elevado número de pacientes. Ontem no início da tarde a reportagem constatou a veracidade das denúncias.
Em um único corredor, de cerca de dez metros de extensão por dois de largura, cerca de 30 pacientes aguardavam atendimento, acomodados em cadeiras desconfortáveis e inadequadas. Outros seis pacientes tomavam soro em macas e eram medicados ali mesmo, já que alguns apresentavam quadros mais graves.
A dona de casa Maria Regina Gusmão, de 37 anos, acompanhava um paciente e estava revoltada. “A gente fica aqui nos corredores, sem saber se vai ter atendimento, sem saber se vai ter leito, ninguém dá explicação. É um sofrimento. A gente percebe que os médicos têm boa vontade, as atendentes são educadas, mas o que acontece é que está faltando funcionário para atender a tanta gente doente”, desabafou. “Eu sinceramente não sei se todo dia é assim, mas hoje a situação está muito difícil”, acrescentou.
Desde que foi entregue oficialmente à população, em março do ano passado, a UPA é administrada pela Fundação Santa Casa, da cidade de Formiga. Até novembro do ano passado havia problemas graves internos, envolvendo conflito entre funcionários e gestores e o Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram). Além disso, a demora no atendimento, a crônica falta de leitos, aliadas à falta de medicamentos e outros insumos básicos, tornaram o clima tenso no ano passado.

 

 

INTERVENÇÃO
Em dezembro de 2014, a situação se agravou ainda mais com a intervenção administrativa na Fundação Santa Casa de Formiga, em virtude de má gestão. A medida teve reflexos imediatos na UPA, gerando atraso de pagamento, aumento na falta de alguns insumos, medicamentos e materiais de uso diário, conforme denunciou o médico Alberto Gigante Quadros, médico plantonista na unidade e diretor do Sintram.
Há 15 dias, em reunião com representantes do Sintram, a diretora de Emergência e Urgência da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Cristiane Joaquim, ouviu uma série de queixas. A inexistência de diálogo entre a direção da unidade e funcionários, salários e horas extras atrasadas, assédio moral, insalubridade, privilégios dos contratados em relação aos concursados e contratação de profissionais sem o perfil desejado para atendimento de urgência e emergência, foram as principais queixas apresentadas à diretora da Semusa.
A superlotação na unidade verificada ontem não é novidade para o usuário e também é do conhecimento do Sintram. Durante o período em que a reportagem esteve no local, entre 13h e 13h50, cerca de 80 pessoas do lado externo e na recepção aguardavam atendimento. Na parte interna, todos os corredores estavam tomados e poucos médicos foram vistos. Nos corredores, um médico apressado resumiu a situação ontem à tarde. “Temos que correr, porque está faltando gente para atender a tanto paciente.”
A diretora administrativa da Santa Casa de Formiga, Mariana Xavier, esteve em Divinópolis durante toda a tarde de ontem. Oficialmente não se sabe os motivos de sua visita, mas uma fonte assegurou que ela veio tomar conhecimento da situação na unidade, especialmente verificar conflitos internos. Ela não retornou ao pedido de entrevista feito pela reportagem. O diretor técnico da UPA, Marco Aurélio Lobão, procurado para falar sobre a superlotação verificada ontem, também não respondeu ao pedido.

 

Crédito: Jotha Lee

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