segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015 09:16h Atualizado em 21 de Dezembro de 2015 às 09:19h. Pollyanna Martins

Vendedores ambulantes tomam conta das ruas do Centro de Divinópolis

Ambulantes que trabalham no camelódromo cobram fiscalização da Prefeitura

Andar pelas ruas do centro de Divinópolis virou uma verdadeira aventura. Vendedores ambulantes tomaram conta das calçadas e estão causando um verdadeiro tumulto. Meias, controles remotos, brinquedos, sombrinhas, redes, cobertores, brincos, pulseiras, são expostos durante todo o dia nas calçadas, sem nenhuma fiscalização da Prefeitura de Divinópolis. Quem paga o preço desta falta de controle são os vendedores ambulantes que têm box no camelódromo, que fica no quarteirão fechado da Rua São Paulo.
Inaugurado em 2008, para retirar os ambulantes das ruas da cidade, a Prefeitura de Divinópolis, na gestão de Demetrius Arantes, fez um contrato com os vendedores com várias normas a seguir. Entre as cláusulas, estavam não ter nenhum ambulante nas ruas do Centro da cidade; não vender ou alugar o box e não ter funcionários. Porém, segundo a vendedora, Cristiana Gonçalves dos Santos, este acordo não é cumprido. A vendedora era ambulante nas ruas e está no camelódromo desde a inauguração. Ela conta que vários boxes já foram vendidos e alugados, e funcionários é o que mais tem dentro do camelódromo. “O prefeito, na época, fez um contrato com a gente, com normas para a gente seguir. Uma das cláusulas desse contrato era que nós não podíamos expor produtos com mais de 20 cm, por causa da ventilação, se você olhar, tem produtos com mais de meio metro expostos. Aqui tem box que já foi vendido por R$ 25 mil, box alugado, funcionários, tem tudo”, conta.
De acordo com Cristiana, os boxes são alugados entre R$ 500 e R$ 600. Alguns vendedores alugam vários boxes para fazer do local uma loja, e nenhum fiscal vai para averiguar a situação. “Tem gente que comprou casa própria com a venda do box. Os boxes são alugados em torno de R$ 500. Teve uma conversa de que seriam retirados os boxes que foram vendidos e alugados no final do ano, que ia ser feito um corredor, e dar para pessoas que estão na lista de espera que tem na Prefeitura, mas até hoje nada foi feito”, detalha.

 

DONOS DA RUA
A falta de fiscalização deixa os vendedores à vontade. No início do quarteirão, os ambulantes tomaram conta com as suas bancas. Os enfeites de Natal estão por todos os lados, dificultando a passagem dos pedestres. Cadeirantes e mulheres com carrinhos de bebê pedem licença para passar pelo lugar. A vendedora reclama que este comércio prejudica quem tem box no camelódromo, e que a falta de fiscalização atrai cada dia mais ambulantes para a cidade. “Eles [ambulantes] vêm de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e ficam aqui, porque lá não pode ficar camelô na rua, lá tem fiscalização. Então, como aqui não tem fiscalização, um vem, liga pro outro e fala ‘oh, pode vir, porque aqui é tranquilo’. Às vezes, o cliente vai comprar da gente, mas quando vê essa bagunça que está na entrada, e que é proibida, desanima de entrar e compra dos [ambulantes] que estão na rua”, enfatiza.

 

NATAL
Além da Rua São Paulo, a esquina das ruas Goiás e 1° Junho está tomada pelos camelôs. Na extensão das vias, o que mais se ouve é “oh tia vem aqui, vamos olhar um controle pra sua televisão”, ou ainda “moça, você está precisando de alguma coisa?”. A esperança de Cristiana era recuperar no Natal o péssimo ano que foi para o comércio, mas a vendedora ressalta que está trabalhando apenas com a fé. “O preço deles [camelôs] é bem mais competitivo que o meu, e isso me prejudica muito. Aqui todo mundo esperou o ano inteiro para recuperar as vendas no Natal. Tem gente aqui que tem dívida e estava esperando recuperar com o Natal, mas nós estamos com fé de que tudo vai dar certo”, conclui.

 

PREFEITURA
Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Divinópolis, mas até o fechamento desta edição, o órgão não se posicionou sobre o assunto.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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