sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016 09:15h Jotha Lee

Vereador diz que sabe segredos que não pode revelar sobre o Hospital São João de Deus

A crise que afeta o Hospital São João de Deus (HSJD) ainda está longe de ser solucionada, embora nos últimos dias uma série de reuniões tenha dado alguma expectativa de que a unidade possa continuar respirando

O maior hospital filantrópico da região, que há 43 anos é a principal referência em alta e média complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), vive a maior crise financeira de sua história e a possibilidade da paralisação total no atendimento ainda não está afastada, embora os responsáveis pela condução da crise garantam que os últimos acontecimentos apontam para um estancamento da crise, garantindo a continuidade no atendimento.

 


Nos últimos 20 dias, a prefeitura e o Estado começaram a falar a mesma língua, anunciando recursos concretos para manter o hospital em atividade. O Estado anunciou a liberação de R$ 4,5 milhões em três parcelas, para pagamento dos salários dos médicos, atrasados há um ano. A dívida com o corpo clínico passa de R$ 9 milhões e era uma ameaça de suspensão do atendimento, diante da revolta dos médicos pelo atraso salarial. Na mesma ocasião, a prefeitura anunciou a liberação de R$ 3 milhões, em 10 parcelas de R$ 300 mil mensais.

 


No início dessa semana, houve nova tentativa de negociação da dívida que o hospital tem junto à Caixa Econômica Federal. O objetivo do encontro foi buscar novos prazos para diminuir a parcela mensal do débito que está em R$ 600 mil, para pagamento de uma dívida acima de R$ 35 milhões. Esse parcelamento foi possível depois de uma negociação realizada no ano passado, porém o hospital honrou somente duas parcelas.

 


A Caixa ainda não deu uma resposta quando ao pedido de redução das parcelas mensais.  O superintendente da instituição bancária, Marcelo Bonfim, afirmou que será feita uma análise para avaliar a possibilidade de conceder a carência.  “Vamos estudar para contribuir com o hospital. Temos que fazer uma análise completa do possível, porque dependemos de várias áreas da Caixa e nunca deixaremos de ajudar uma instituição tão importante para 54 municípios da região”, afirmou.

 

 


SEGREDOS
Na sessão de ontem da Câmara Municipal, o vereador Delano Santiago (PRTB) teve indignada reação diante da crise que o HSJD enfrenta. O vereador, que atuou por alguns anos como médico no hospital, contestou o título de filantropia dado à instituição. “Aquilo lá não é instituição filantrópica, está só escrito”, disparou. “Quando é que foi [instituição] filantrópica quando enriqueceu uma meia dúzia de médicos que moram em condomínios fechados?”, questionou.

 


Delano Santiago questionou também a atuação do Legislativo na crise. “Cadê a Câmara Municipal?”, interrogou. O vereador prometeu voltar ao assunto na próxima sessão, mas antes disse que no período em que trabalhou como médico do HSJD, acabou ouvindo “coisas” atrás da porta. “Eu sei de segredos que não posso revelar, pois o último que revelou apareceu morto”, finalizou.
O vereador se referia ao Irmão Lopes, da Ordem Hospitaleira, que na década de 1990 era diretor da Escola de Enfermagem do Hospital. Irmão Lopes era psicólogo e foi assassinado a facadas em sua sala de trabalho dentro do hospital, no início de uma manhã, quando iniciava sua rotina de trabalho. Até hoje o crime não foi esclarecido e nunca se chegou ao responsável pelo assassinato.

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