sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016 09:06h Jotha Lee

Vereadores barram todos os projetos da pauta da sessão da Câmara

A Câmara Municipal retomou suas atividades ontem, depois de um recesso de cinco dias em razão do carnaval

Apenas dois projetos, ambos de autoria do vereador Edimar Félix (PROS) constavam da pauta, porém não foram votados. Embora estejam tramitando há mais de seis meses, tempo mais do que suficiente para analisá-las e discuti-las com as partes interessadas, as duas propostas não foram apreciadas, sendo retiradas por pedidos de sobrestamentos defendidos pela bancada do PSDB, sob argumentos pouco convincentes, embora tenham sido aceitos pelo autor das propostas.

 


A primeira proposição retirada, com um pedido de sobrestamento de 60 dias, estabelece regras para carga e descarga de valores, disciplinando os horários de circulação dos carros-fortes que prestam serviços às instituições financeiras, supermercados, lotéricas e grandes redes de lojas. Pela proposta, carga e descarga de valores só poderão ser feitas entre 5h e 8h e 18h e 22h. O projeto está tramitando desde agosto do ano passado e o autor da proposta argumenta que a medida é necessária para dar mais garantias ao cidadão, já que o movimento de veículos transportando e descarregando valores a qualquer hora do dia, em vias de grande aglomeração urbana, representa grande risco á segurança pública.

 


A retirada do projeto foi defendida pelo líder do prefeito na Câmara, Rodyson Kristinamurt (PSDB). Impedido regimentalmente de pedir sobrestamento à proposta, já que o fez anteriormente, Rodyson alegou ser necessária maior discussão do projeto, que acabou retirado com um pedido de sobrestamento de 60 dias pelo vereador do PT, Edimilson Andrade.  

 


FERROVIA
O segundo projeto retirado da sessão de ontem, também de autoria do vereador Edimar Félix, cria regras para a limpeza das margens da ferrovia na área urbana. De acordo com a proposta “a empresa concessionária, detentora do direito de uso da faixa de domínio da Ferrovia que cruza a zona urbana, deverá manter a faixa de domínio limpa dentro do município de Divinópolis”. Ainda de acordo com o projeto “A empresa concessionária, deverá proceder a limpeza de maneira sistemática, removendo o excesso do local, periodicamente, para que o local fique limpo durante todo o ano”.

 


O projeto se arrasta desde o ano passado e o vereador Edimar Felix informou durante a sessão que pediu um posicionamento da ferrovia sobre a proposta, porém até ontem não havia obtido resposta. Mais uma vez a bancada do PSDB entrou em cena para retirar o projeto da pauta. O vereador Rodyson Kristinamurt disse que o projeto é importante, mas que é preciso discuti-lo com mais profundidade, especialmente com os representantes da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O projeto foi sobrestado por 15 dias pelo vereador Edimar Máximo (PHS).

 


A retirada desse projeto representa o comprometimento de alguns vereadores com a classe empresarial, em detrimento da qualidade de vida da população. Quem mora às margens da linha férrea, conhece de perto os perigos que o matagal deixado pela FCA representa. O volumoso tráfego de trens na área urbana de Divinópolis, a FCA ter assumido a Rede Ferroviária Federal, não foi o suficiente para que um dos principais problemas relacionados aos trilhos urbanos fosse resolvido. Às margens da linha férrea, em praticamente todo o perímetro urbano, representam um grande perigo diante da falta de limpeza, possibilitando o crescimento de ervas daninhas e capim que atingem até a três metros de altura. O rápido crescimento desse tipo de capim, que se transforma num denso matagal, traz uma série de transtornos para a população. No inverno, são comuns as queimadas ao longo das margens da linha férrea como ferramenta de limpeza, enquanto nos outros períodos do ano, o capim denso esconde uma série de perigos.

 


Em função da falta de limpeza, o trecho cortado pela ferrovia serve para esconderijo de marginais, principalmente arrombadores, que utilizam os trilhos como rota de fuga. Mais grave, ainda, é o pesado tráfico de drogas, comum em praticamente toda a extensão da ferrovia na área urbana. A Polícia Militar realiza batidas com frequência em todo o trecho, porém na maioria das vezes os traficantes conseguem a fuga protegidos pelo matagal.
A Ferrovia realiza limpeza periódica, mas não com a frequência necessária para manter a limpeza às margens da ferrovia. Regiões de bairros populosos, como Ponte Funda, Catalão, Maria Helena e Mangabeiras, e em parte da região Central, são as mais afetadas. Além do matagal, as margens da linha férrea não têm iluminação adequada, como é o caso da Rua Mateus Leme, no Ponte Funda, que tem apenas três postes de iluminação em uma extensão de quase um quilômetro.

 


Tudo isso já seria suficiente para que o projeto do vereador Edimar Félix, que garantiria pelo menos limpeza ao longo da ferrovia durante todo o ano, fosse aprovado o mais rápido possível. Porém, a Câmara prefere esperar que ferrovia dê o aval para que a proposta seja apreciada. Enquanto isso, sem a ação do poder público e sem uma lei que obrigue a limpeza, a população continua convivendo com os perigos.

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