sexta-feira, 26 de Junho de 2015 10:57h Atualizado em 26 de Junho de 2015 às 11:00h. Jotha Lee

Vereadores insinuam teoria da conspiração e derrubam ideologia de gênero do Plano de Educação

Sob a tese da teoria da conspiração, a Câmara Municipal aprovou na sessão de ontem por 15 votos favoráveis (todos os vereadores presentes) o veto do prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB)

Sob a tese da teoria da conspiração, a Câmara Municipal aprovou na sessão de ontem por 15 votos favoráveis (todos os vereadores presentes) o veto do prefeito, Vladimir Azevedo (PSDB), a oito parágrafos do Plano Decenal de Educação, que tratavam da ideologia de gênero, um movimento considerado anticatólico, que defende que a criança nasce sem um sexo definido. A ideologia defende que quando a criança nasce não deve ser considerada do sexo masculino ou sexo feminino e fará esta escolha no futuro.
Com o plenário da Câmara lotado, todos os vereadores, à exceção do petista Edimilson Andrade, fizeram apaixonados discursos contra a inclusão da ideologia de gênero no Plano Decenal de Educação. Os oito parágrafos vetados suprimiram todas as questões envolvendo o tema.
O Plano Decenal de Educação foi aprovado por unanimidade na reunião da Câmara do dia 28 de maio, com discursos de que era o “melhor plano já elaborado” para nortear o ensino da cidade. A proposta foi entregue com pompa ao presidente da Câmara pela secretária municipal de Educação, Rosemary Lasmar, durante a reunião do Legislativo do dia 24 de fevereiro. Na ocasião, a secretária informou que o Plano fora elaborado depois de uma ampla discussão com todos os setores da sociedade.
Menos de um mês depois de sua aprovação, o Plano caiu em desgraça, especialmente das Igrejas Católica e Evangélica, pela inclusão da ideologia de gênero no ensino municipal. Foram manifestações e pressões contínuas, discussões em igrejas e reuniões de grupos contrários mais radicais, que levaram o prefeito Vladimir Azevedo a encaminhar o veto à Câmara para retirar a ideologia de gênero do Plano Decenal.

 

CONSPIRAÇÃO
A votação do veto do prefeito na sessão de ontem foi marcada por novos pedidos de perdão de vereadores por terem votado o Plano Decenal sem conhecer seu conteúdo. Também não faltaram explicações pouco convincentes sobre as razões pela votação da matéria sem o devido conhecimento, como também ocorreram pronunciamentos populistas, aproveitando o plenário lotado, por 90% de pessoas contrárias à ideologia de gênero. Os pronunciamentos oportunistas chamaram a atenção do vereador Marquinhos Clementino (PROS), que votou a favor, mas observou que a questão não deveria ser tratada com interesses políticos. “Não podemos transformar isso em palanque político e criar um clima desnecessário”, observou.
Os pronunciamentos também destacaram que em nenhum momento das discussões a questão da ideologia de gênero entrou nos debates e não faltaram insinuações de que houve uma conspiração para que o tema fosse incluído no Plano Decenal de Educação. O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSL), disse que a questão foi incluída de forma sutil e maldosa. “Isso foi feito para induzir os vereadores ao erro e essa Câmara vai corrigir essa distorção, que foi sutilmente imposta no Plano de Educação”, afirmou.
O vereador Delano Santiago (PRTB) fez questão de lembrar que o Plano foi endossado pelo Conselho Tutelar, por diretores escolares e por gente que entende do assunto. “E vem vereador pedir desculpa porque votou a favor do Plano? Quem tinha que pedir desculpas são esses 80 [referindo-se ao número de integrantes do grupo de discussão do Plano] que sentaram a bunda para discutir esse Plano. Cadê eles? Sumiu todo mundo. Voto a favor do veto, porque na minha profissão médica, eu só conheço dois corpos: o feminino e o masculino. Se existir um terceiro, nós ainda não o conhecemos”, discursou.
O vereador Raimundo Nonato (PDT) foi mais um adepto da teoria da conspiração. “Fomos induzidos a votar esse projeto”, afirmou. A mesma insinuação de conspiração para que a ideologia de gênero fosse colocada no Plano foi feita por Edmar Máximo (PHS). “Quem colocou essa ideologia de gênero no Plano, colocou para a gente ser enganado, colocou camuflado”, assegurou.
O vereador Marcos Vinícius Alves da Silva (PSC), que é pastor evangélico, fez o pronunciamento mais eloquente. “Foi uma leviandade, pois isso não foi discutido com a sociedade. Outros assuntos do Plano foram discutidos, mas essa questão pontual não foi discutida. Isso entrou no Plano de forma ardilosa e sorrateira. O que eles querem é criar uma nova ordem”, garantiu. “As pessoas que incluíram essas expressões no Plano Decenal precisam ser identificadas. Vou exigir abertura de sindicância para saber quem foram as pessoas que tentaram induzir o prefeito e essa Casa ao erro. Se o prefeito está vetando é porque ele não concordou, se ele está voltando atrás é porque ele foi induzido ao erro. Essas pessoas precisam ser identificadas e dar explicações porque isso foi inserido no Plano Decenal de forma sorrateira e ardilosa”, acrescentou.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vice-presidente da Casa, Oriosmar Pinheiro, o Careca da Água Mineral (PROS), lembrou que o tema jamais foi discutido. “A Comissão de Educação acompanhou a elaboração do Plano Decenal. A Comissão acompanhou, mas quem executou o Plano foi o Executivo, através da Secretaria de Educação. O Plano ficou dois meses parado no Executivo e chegou em cima da hora, pois tínhamos um prazo para votar. Em nenhum momento das reuniões que eu participei para discutir o Plano, entrou a questão da ideologia de gênero”, garantiu.

 

Crédito: Geovany Corrêa/CMD

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