quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016 08:52h Jotha Lee

Vereadores se estranham em votação de projeto de doação de terreno

Parlamentar insinua existência de fraudes envolvendo a proposta

A quarta reunião extraordinária realizada ontem pela Câmara Municipal foi marcada por intensos debates, troca de acusações e confrontos entre os vereadores. O motivo da tensão foi o Projeto de Lei 11/2015, de autoria do Executivo, que prevê a doação de 39 lotes à empresa Natureza Reciclagem Indústria e Comércio e estão localizados nos bairros Santa Teresa e Mar e Terra. De acordo com o projeto, os terrenos, que juntos somam 10.914 metros quadrados, avaliados em R$ 1,4 milhão, serão utilizados para a ampliação da empresa, que trabalha com reciclagem de sucata metálica, de ferro e metais, bem como locação de máquinas e equipamentos, extração e exploração de minérios de ferro, alumínio, cobre, chumbo, zinco e outros minerais metálicos não ferrosos.

 


Para o vereador Adair Otaviano (PMDB), o projeto agride a sociedade divinopolitana., causando grande prejuízo á cidade. Segundo ele, a avaliação foi feita muito abaixo do valor real. “Esses lotes não saem por menos de R$ 5 milhões”, garantiu. “O que o prefeito faz com esse projeto, é permitir a expansão de uma empresa poluidora no meio de uma zona residencial”, acrescentou.


Para outro peemedebista, o vereador Hilton de Aguiar, o povo está sendo desrespeitado com esse projeto. “Temos que respeitar o povo. Isso é uma covardia que o senhor prefeito está fazendo com a população”, disparou. Para o vice-presidente da Câmara, Oriosmar Pinheiro, o Careca da Água Mineral (PROS), o projeto é imoral. “Esse governo administra a cidade só permutando ou vendendo lote”, criticou.

 


O vereador Nilmar Eustáquio PP pediu sobrestamento de 60 dias e fez insinuações de que há fraudes envolvendo a proposta. “Sou da base [do prefeito], nunca votei contra. Há algumas situações que me preocupam neste projeto, não posso dizer, porque não posso provar e poderia sofrer retaliações. Pessoas vieram em meu gabinete, me trazendo algumas situações, que me deixaram preocupado, mas eu não posso provar”, afirmou. E, se dirigindo diretamente ao presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSL), Nilmar Eustáquio emendou. “Vossa Excelência, senhor presidente, sabe do que eu estou falando”.
Para o vereador Marquinhos Clementino (PROS) “o projeto prejudica os moradores dos bairros e não é claro em suas informações”. “Isso aqui é um cheque em branco ao prefeito”, disse ele se referindo à proposta. O vereador Rodyson Kristinamurt (PSDB) respondeu às críticas aos brados, e afirmou que estava sendo dito um monte de lorotas no plenário e que “estavam inventando estorinhas”. Em resposta às insinuações do vereador Nilmar Eustáquio, Rodyson disparou: “Esse governo é cheio de falhas, mas não se pode falar que é corrupto”.


A proposta acabou sendo retirada por um pedido de vistas de sete dias feito pelo vereador Rodyson Kristinamurt. Conforme determina o regimento, prevalece o pedido por menor tempo. Como Nilmar Eustáquio pediu sobrestamento de 60 dias, prevaleceu o pedido de sete dias de vistas feito pelo tucano. O projeto deverá retornar na primeira reunião ordinária no dia 2 de fevereiro.

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