sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015 10:58h Atualizado em 30 de Janeiro de 2015 às 11:14h. Lorena Silva

Vinte e três ocorrências são registradas pelo Corpo de Bombeiro após chuva da última quarta-feira

Segundo o Batalhão, a maior parte delas foi com relação à queda de árvores

A chuva registrada no final da tarde da última quarta-feira deixou estragos em diversas regiões de Divinópolis. Além da queda de dezenas de árvores, o forte volume de água provocou inundações em alguns pontos e prejudicou o trânsito. Segundo dados do 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, 23 ocorrências foram registradas no município, sendo 22 com relação a quedas de árvores e uma relativa à queda de cobertura metálica de uma casa no bairro Manoel Valinhas - que teria sido arremessada contra outra residência.
De acordo com o tenente Rodolfo Kroehling de Moura, a corporação atendeu parte dos chamados na quarta-feira e até a tarde de ontem, os trabalhos ainda estavam sendo realizados. “Nós temos cerca de onze árvores caídas pela cidade [até a tarde de ontem], que ainda necessitam da nossa atuação para poder retirar as folhagens, os galhos e qualquer tipo de obstrução das vias que estejam atrapalhando a ordem”, esclareceu.
Ainda de acordo com o tenente, em nenhuma das ocorrências houve registro de feridos e o Corpo de Bombeiros permanece atento a qualquer situação que possa vir a ocorrer devido às chuvas. “Permanecemos em prontidão. Nossa guarnição é ininterrupta, a qualquer hora do dia ou da noite em que houver uma chuva mais forte ou qualquer situação de urgência e emergência, nós estaremos prontos para atuar com a eficiência máxima”, salientou Kroehling.

 

DIVERSOS PONTOS
Conforme noticiado pelo Gazeta do Oeste na edição de ontem (29), na Avenida JK, a chuva derrubou diversas árvores e placas, além de alagar e causar congestionamento na avenida. O trânsito foi interditado por agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans) e os condutores que seguiam no sentido bairro-Centro precisaram buscar caminhos alternativos. A região dos shoppings ficou alagada.
Na Rua Pernambuco, entre a Avenida 21 de Abril e a Avenida Primeiro de Junho, a queda de uma árvore causou danos à fiação elétrica do local e interditou a pista esquerda da via, provocando lentidão no trânsito. Até a manhã de ontem, o local estava sinalizado com cones, mas ainda não havia sido realizada a retirada da árvore.
Já na Rua das Rosas, no bairro Del Rei, o servente de pedreiro, Derci José Bento, foi surpreendido com a chuva após a queda de uma árvore sobre a sua residência. Segundo Derci, nenhum familiar ficou ferido, mas as telhas da casa ficaram bastante danificadas. “Diversas vezes fui à Prefeitura para pedir autorização para derrubar essa árvore e não deixaram. Agora a árvore caiu e não vão me pagar pelo dano causado, não é?”, reclamou o morador.

 

ALTO SÃO VICENTE
A chuva da última quarta-feira causou transtorno também para a dona de casa, Ronária Soares Rodrigues, que precisou driblar o problema das goteiras espalhadas por toda a residência. A moradora do bairro Alto São Vicente culpa a Prefeitura pela situação, uma vez que foi a primeira moradora do local a receber as obras de reforma no bairro, previstas no PAC/PPI Favelas. Ela conta que após a reforma, teve que lidar com diversos problemas estruturais, sendo o telhado o pior deles.
“Eu fui a primeira casa da reforma daqui do bairro, que eles fazem questão de jogar na cara que é favela. O meu telhado era velho, mas eu não tinha problema com goteiras. Olhando de cima o meu telhado está perfeito. Quer dizer, no sol ele é perfeito, mas é só começar a chover para começar a minha dor de cabeça”, desabafa. Segundo a dona de casa, ela e o marido já tentaram diversas vezes contato com a Prefeitura, que alega que nada pode ser feito, porque os moradores já alcançaram o limite do orçamento previsto para a reforma.
“Dizem que já gastamos os R$ 13 mil previstos para a casa. Mas agora me diz, onde foram gastos R$ 13 mil aqui? Tudo que fizeram dentro da minha casa foi tudo na base da humilhação. Eu não fui à porta de ninguém pedir nada. Não vou falar que invadiram, porque eu abri a porta. Mas tudo que fizeram pra mim, antes não tivessem feito, porque com o pouco que meu marido ganha, faria melhor”, argumenta Ronária.

 

PADRE LIBÉRIO
No bairro Padre Libério, quem sofreram foram os moradores da Rua Madre Xavier Nóvoa. No local, algumas casas foram alagadas devido a um problema já antigo. Há aproximadamente oito anos, foi realizada a canalização da água pluvial no bairro Jardim das Oliveiras e, desde então, quando há chuvas, essa água atravessa a rodovia MG-050, caindo em um terreno particular na Rua Madre Xavier. O grande escoamento de água para esse local faz com que algumas residências acabem enfrentando situações de alagamento.
Na última quarta-feira (28), foi o que ocorreu na residência da faccionista, Vânia Cristina de Mello. A moradora conta que um grande volume escoou para a sua casa, inundando principalmente a garagem e a sua sala, onde fica boa parte dos seus equipamentos e materiais para costurar. “Não chegou a danificar os meus materiais, mas porque eu estava aqui. Se eu não estivesse, teria perdido as coisas de casa também, os móveis. Já teve dia em que acordei e pisei dentro da água”, conta.
Morando de aluguel no local já há seis anos, Vânia conta que a dona do imóvel já realizou diversas mudanças na casa, tentando amenizar os problemas quando há chuvas. “A dona da casa trocou as portas de lugar, gastou, para ver se melhorava. Melhorou, mas ontem não segurou [a água] não. Sempre foi esse problema. Já reclamamos, nada resolve.”
Em resposta, a concessionária, Nascentes das Gerais, que é responsável pela operação e manutenção da MG-050, esclareceu que no trecho onde ocorre o problema com a água pluvial, haverá obras de duplicação e a drenagem da faixa de domínio será reformulada. “Ainda neste semestre, a Nascentes das Gerais dará continuidade aos trabalhos de duplicação da MG-050 no perímetro urbano de Divinópolis, com a construção do novo trevo com a Avenida JK”, garantiu, em nota.
Nossa equipe de reportagem esteve em contato com a Defesa Civil para questionar se houve registro de ocorrências na última quarta-feira, mas até o fechamento desta edição, não tivemos um retorno. A equipe também entrou em contato com a Usina de Projetos para saber o posicionamento sobre as obras do Alto São Vicente, mas também não obteve retorno.

 

 

Crédito: Lorena Silva

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