sexta-feira, 6 de Novembro de 2015 09:33h Atualizado em 6 de Novembro de 2015 às 09:35h. Pollyanna Martins

Vítimas das “listas de Divinópolis” registram boletim de ocorrência e abrem processo para punir os autores

Vítimas das “listas de Divinópolis” registram boletim de ocorrência e abrem processo para punir os autores

Quatro vítimas dos “Trolls”, ou “listas de Divinópolis”, que começaram a ser divulgadas nessa terça-feira (3), através do aplicativo WhatsApp, registraram Boletins de Ocorrência, e abriram um processo para identificar e punir os autores, na tarde de ontem. As garotas se reuniram com a sua advogada, Thamyres Rezende, na Delegacia de Polícia Civil, para darem início aos trâmites legais. As vítimas estão em várias listas que ferem a sua dignidade. Uma das relações em que as jovens estão é intitulada como “Roleta da Trancid”, e outra “As santinhas fogueteiras”.
Várias listas foram criadas, e mais de 100 pessoas da cidade foram citadas. Existem relações que citam homossexuais, usuários de rede social, pessoas que foram traídas, entre outras. De acordo com a delegada, Adriene Lopes de Oliveira, as pessoas que estão nas listas e se sentirem ofendidas podem ir à Delegacia e pedir as providências cabíveis. A delegada faz um alerta também para quem compartilha as relações no aplicativo, pois podem ser punidas junto com os autores. “Você pode até receber [a lista], se você não divulgar, você não pratica o crime. A partir do momento que você passa para frente, ajuda a divulgar, aí sim você está cometendo um crime contra a honra da pessoa que está se sentindo ofendida”, explica.
Os autores das listas, e os usuários que estão compartilhando o conteúdo podem ser autuados nos artigos 138, 139 e 140 do Código Penal, que correspondem à calúnia, difamação e injúria, respectivamente. A pena para calúnia varia entre seis meses e dois anos, além de multa; já para difamação, é de três meses a um ano, e multa; e para injúria, o autor poderá ficar preso de um a seis meses, ou multa. “Os autores podem responder por calúnia, difamação, ou injúria, ou seja, crimes contra a honra, depende do que for divulgado”, frisa.
A advogada, Thamyres Rezende, está à frente do caso das quatro jovens que decidiram processar os autores e quem está compartilhando o conteúdo nas redes sociais. Segundo a advogada, além das garotas, outras pessoas já a procuraram, inclusive um homem, que teve o seu nome divulgado na lista de traídos. “Essas listas estão causando diversos transtornos e abalos psíquicos aos ofendidos. Tem pessoas que estão com dificuldade de trabalhar, de continuar a rotina, por vergonha, por humilhação. Algumas pessoas terminaram namoros por causa do conteúdo da lista, outras estão com dificuldade de relacionamento com os pais, com os amigos”, detalha.

 

PROVIDÊNCIAS
De acordo com Thamyres, as pessoas que estão com os nomes nas listas podem procurar um advogado para iniciarem também o processo. “Essas listas com essas ofensas configuram aos crimes contra a honra. Esses crimes são de ação penal privada, então quem se sentiu ofendido, deve procurar um advogado para ajuizar uma queixa crime e buscar as medidas penais cabíveis, e também ajuizar uma ação cível para buscar uma indenização por danos morais, pelos atos ilícitos que estão sendo cometidos nas listas”, orienta.

 

VÍTIMAS
Uma estudante, de 18 anos, foi vítima de várias listas que insinuam sobre a sua vida sexual. A estudante conta que sua rotina mudou após a exposição, mas que o apoio da família está sendo fundamental para superar o momento. “Eu não sou o que o povo está falando. Fiquei muito chateada, de verdade, o povo não sabe da vida de ninguém, então ninguém tem o direito de falar isso. Eu sei que as pessoas me identificam, e eu não estou indo à escola, não estou saindo mais, vou ficar em casa até isso acabar. A minha mãe falou para eu não preocupar, porque eu sei quem eu sou, mas mesmo assim, é complicado, e não vou deixar isso barato”.
Outra jovem, que também foi vítima das listas que insinuam sobre a vida sexual das mulheres, garante que quer punir os autores do conteúdo. Segundo a estudante, de 26 anos, o conteúdo chegou através de grupos de amigos, da empresa em que trabalha e de familiares do aplicativo, e ainda de pessoas que mandavam a lista inbox. A vítima conta que ela também está em várias listas, e devido ao constrangimento gerado pelo conteúdo, a jovem deixou vários hábitos de lado para poder procurar justiça. “Eu não estou indo à faculdade por enquanto, e no serviço, o meu chefe também veio me questionar sobre esta lista, e até o meu sobrinho está tendo problemas na escola, porque os amigos ficam zombando dele. O meu alvo é descobrir quem começou isso, e quero justiça”, destaca.

 

Créditos: Pollyanna Martins

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