terça-feira, 20 de Janeiro de 2015 11:20h Atualizado em 20 de Janeiro de 2015 às 11:23h. Site oficial CBF

32 anos sem Garrincha: Alegria do Povo morreu em 20 de janeiro de 1983

Tinha de ser em um feriado. Em 20 de janeiro de 1983, o dia de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, Garrincha morreu

Em uma clínica de Laranjeiras, na cidade em que fez a alegria de torcedores de todas as camisas, vítima de complicações resultantes do alcoolismo, o único adversário que conseguiu pará-lo.

Garrincha jogou em vários clubes, entre eles Corinthians e Flamengo - nos dois já em precárias condições físicas -, mas foi no Botafogo que ele mostrou toda a sua genialidade. A ponto de, mesmo sendo protagonista de vitórias espetaculares sobre os rivais - como foram os jogos decisivos do Campeonato Carioca de 1957, com goleada de 6 a 2 sobre o Fluminense, e nos 3 a 0 de 1962, em cima do Flamengo -, ainda assim ser querido pelos torcedores desses e de outros clubes.

O ano de 1962, aliás, marcou o auge da sua carreira. Foi quando conquistou o bicampeonato mundial pelo Brasil, na Copa do Mundo do Chile, e o bicampeonato estadual na já citada vitória de 3 a 0 sobre o Flamengo. Para muitos, este jogo, disputado no dia 18 de dezembro daquele ano, foi a melhor e ao mesmo tempo a última grande atuação de Garrincha.

Em tarde inspirada, desmontou o sistema defensivo armado para anulá-lo. O cenário não poderia ser outro: o Maracanã, o palco onde fez o que bem entendeu com todos os seus marcadores.

Dribles em um campo de terra 

Manuel dos Santos, o Mané das Pernas Tortas, nasceu no dia 28 de outubro de 1933 na pequena localidade de Pau Grande, pertencente a um distrito de Magé, que acabaria conhecida em todo o mundo e visitada por turistas devido ao seu filho genial.

Foi em Pau Grande, em um campinho de terra batida, em um barranco perto da sua casa, que Garrincha deu seus primeiros dribles e aprontava com os adversários sem deixar a bola cair ribanceira abaixo.

Também lá, em Pau Grande, fincada aos pés da Serra dos Órgãos, Garrincha praticava o seu segundo esporte favorito: caçar passarinhos mata adentro, na companhia dos inseparáveis amigos Pincel, Swing e Malvino.

Malvino, com a perda de Garrincha, passou a viver das recordações, de contar histórias sobre o Mané que ele tinha como irmão.

- Como eu era Flamengo, ele gostava de me provocar. Na véspera do clássico, ele dizia: "Malvino, amanhã eu vou brincar com meu amigo Jordan".

(Jordan era o lateral-esquerdo do Flamengo, tido como o marcador mais leal que Garrincha teve pela frente, mas que, como todos os outros, sofria com os dribles do camisa 7 do Botafogo).

Simples, nascido, criado e sem nunca ter saído de Pau Grande, Malvino tinha uma versão em que expressava toda a sua pureza de opinião sobre a morte do amigo.

- O mal dele foi ter saído de Pau Grande, ter se mudado para o Rio. Se ele continuasse aqui, estava vivo até hoje. 

Malvino conta que, mesmo quando morava no Rio de Janeiro, já ídolo dos brasileiros, Garrincha não se esquecia de visitá-lo - e a Pincel e Swing - em Pau Grande.

- Ele tinha um fusca novinho. Quando entrava na cidade, era uma correria só, todo mundo atrás! E fazia questão de dar uma volta no carro com a gente.

Garrincha foi embora e deixou Malvino com suas histórias. Hoje, faz 32 anos da sua morte.

FONTE: “Pelos olhos de Malvino”, matéria publicada no Jornal do Brasil em 25 de outubro de 2003.

Leia Também

Imagem principal

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.