terça-feira, 1 de Novembro de 2011 13:30h Atualizado em 1 de Novembro de 2011 às 13:33h. Dácio Fernandes

Alegrias e decepções

O Brasil encerrou os Jogos Pan-americanos de Guadalajara neste domingo na terceira colocação do quadro de medalhas, com 48 ouros, 35 pratas e 58 bronzes, e se firmou como potência esportiva continental. O desempenho brasileiro foi o melhor em Pans fora do Brasil,foi bem parecido ao do Rio de Janeiro-2007, em que disputou com Cuba a vice- liderança da competição, e ainda ultrapassou a Argentina em número de medalhas da história do Pan, mas isso não quer dizer nada em relação às Olimpíadas de Londres-2012.

 

 

Com 27 ouros a mais do que a Argentina, o País passa o rival pela primeira vez em 60 anos de competição continental e soma 287 medalhas de ouro. O terceiro posto do Canadá ainda está longe, com 85 ouros a mais, Cuba, uma ilha com 11 milhões de habitantes é a segunda colocada na lista, com 839 títulos.

 

A natação foi a modalidade que mais contribuiu, foram 24 medalhas, dez de ouro, oito de prata e seis de bronze, com destaque para as performances de Cesar Cielo e Thiago Pereira, agora o maior campeão pan-americano do País, com 12 títulos.

 

 

O atletismo, apesar da decepção da prata da campeã mundial Fabiana Murer, contribuiu com dez ouros, seis pratas e sete bronzes.


O judô foi outra modalidade que deixou Guadalajara com um novo recorde. Com o bom desempenho da equipe masculina, o rendimento foi o melhor da história do Pan, com seis medalhas de ouro e uma de prata. O judô feminino, em compensação, decepcionou. Foram seis medalhas, sem nenhum ouro: duas pratas e quatro bronzes.

 

Entre as gratas surpresas para o esporte nacional está a velocista Rosângela Santos, de 20 anos de idade. Ela já pensou em largar o atletismo e não viajaria a Guadalajara para poder tirar férias, mas foi convencida por seu técnico e conquistou no Estádio Telmex de Atletismo a medalha de ouro dos 100m rasos, prova mais nobre do atletismo.

 

 

No masculino, o inédito ouro de Fernando Reis no levantamento de peso também pegou de surpresa a torcida nacional. Aos 21 anos de idade, ele conquistou a categoria acima de 105kg, ao levantar 185kg no arranque e 225kg no arremesso, somando 410kg e quebrando os três recordes pan-americanos.


O ouro da equipe masculina de ginástica artística também foi inédito, mas ainda mais histórico. Ao contrário do time feminino, que em meio a divergências entre as atletas ficou apenas na quinta posição, o masculino formado por Diego Hypolito, Arthur Zanetti, Sergio Sasaki, Francisco Barreto, Péricles Silva e Petrix Barbosa mostrou união e venceu a competição, conquistando a milésima medalha do Brasil na história do Pan. Canadá, Cuba e Estados Unidos são os outros países que já atingiram a marca.

 

O taekwondo, em Guadalajara decepcionou. Medalhista nas Olimpíadas de Pequim-2008, Natalia Falavigna não passou da luta de estreia no México. No masculino, Diogo Silva chegou credenciado como um dos favoritos, mas caiu nas quartas de final e voltou para o Brasil sem medalhas. Derrotado em sua segunda partida no México, o atleta fez críticas ao calendário e ainda reclamou de não poder continuar em Guadalajara para acompanhar as disputas dos outros esportes.

 

 

No atletismo, a campeã mundial do salto com vara Fabiana Murrer deixou o ouro escapar para a cubana Yarisley Silva, que conseguiu o melhor salto de sua carreira para conquistar o título no Pan. A brasileira, que meses antes saltou 4,85m, não conseguiu superar o sarrafo a 4,70m e ficou apenas com a prata.

 

Representada pelos jogadores que conquistaram o Mundial sub-20, a Seleção de futebol foi eliminada ainda na primeira fase do torneio, sem nenhuma vitória. Sob o comando de Ney Franco, foram dois empates e uma derrota.

 

 

A equipe feminina avançou até a final, mas falhou em conquistar no México o tricampeonato. A Seleção abriu o placar contra o Canadá na decisão e perdeu chances de ampliar a vantagem, mas levou o empate e perdeu nos pênaltis a medalha de ouro.

 

No basquete, as equipes masculina e feminina eram consideradas favoritas, mas caíram no meio do caminho. A queda dos homens, comandados por Rubén Magnano, na realidade foi no início da trajetória no Pan. Com uma vitória e duas derrotas na primeira fase, a Seleção, sem as estrelas que conquistaram a vaga nas Olimpíadas de Londres, logo foi eliminada da briga por medalhas e teve que se contentar com a quinta posição.

 

 

Mas o desempenho no Pan não serve de parâmetro para os Jogos Olímpicos do próximo ano. Na natação e no atletismo, modalidades que mais deram medalhas ao Brasil em Guadalajara, Estados Unidos e Jamaica não mandam suas principais estrelas para a competição.

 


A superação


Não foram poucas as histórias de superação dos brasileiros em Guadalajara. O patinador Marcel Stürmer, que teve seus patins roubados antes de viajar ao México, garantiu o ouro no Pan. No futebol feminino, as meninas sofreram com a morte do pai da lateral Maurine, mas foram à decisão – com direito a gol dela na semi. Perderam nos pênaltis e ficaram com a prata, mas saíram de cabeça erguida. Na maratona, Solonei Rocha ganhou a última medalha de ouro do Brasil e mostrou o orgulho do passado como catador de lixo.

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