sábado, 30 de Abril de 2011 11:47h Luciano Eurides

Artes Marciais sofrem com enxurrada de competições

Nos últimos anos temos visto um crescente número de títulos em disputa e as vezes o mesmo título e dois vencedores.

 

Nos últimos anos temos visto um crescente número de títulos em disputa e as vezes o mesmo título e dois vencedores. São vários campeonatos brasileiros e até mesmo internacionais sem reconhecimento e com prejuízos para os atletas e professores devidamente credenciados as confederações esportivas.


O professor de Jiu-Jitsu Iran Brasileiro é proprietário da Academia Pantera Negra, reconhecida internacionalmente pelos nomes importantes já cedidos ao esporte mundial. Com filial nos EUA Iran fala com muita propriedade de como se iniciou essa enxurrada de nomenclaturas. Para o esportista existe má fé de alguns e comodidade de muitos outros. “Campeonato Brasileiro só tem um de cada esporte sendo o regido pela Confederação Brasileira daquele esporte. Por exemplo, Confederação Brasileira de Futebol, Confederação Brasileira de Vôlei, e nas artes marciais é a mesma coisa. No Jiu-Jitsu faz-se o Campeonato Brasileiro e a Confederação Brasileira de Karatê faz o dela e a Confederação Brasileira de Lutas faz a de lutas olímpicas e greco romanas. Acontece que por não ser um esporte popular e feito até a pouco tempo nas universidades, não é de domínio publico. Muitas vezes pessoas usam de má fé, uns por desinformação e muitos por estelionato mesmo, existem pessoas que montam Federação na casa delas! Temos Federação de Jiu-Jitsu em Formiga e Belo Horizonte umas três. Eles acrescentam um nome naquela Federação, exemplo, Federação Mineira de Jiu-Jitsu Olímpico, Jiu-Jitsu nem olímpico, mas existe, em Formiga tem duas inclusive. Federação Mineira de Jiu-Jitsu Esportivo, não é Jiu-Jitsu, foge do ranking de atualização da CBJJ. O Campeonato Brasileiro de Jiu-jitsu será em quinze dias. Estamos indo na semana que vem e nos fixaremos por duas semanas no Rio de Janeiro para sermos campeões. Não existe isso de uma pessoa ir lá e em duas horas sair campeão Brasileiro. Eu vi um campeonato mundial de Jiu-Jitsu ser realizado em São Paulo enquanto tradicionalmente a competição é na Califórnia-EUA.”, conta o professor.


Com essas artimanhas legais, segundo Iran Brasileiro, muita gente é enganada e outros se deixam enganar. “O pai muitas vezes, na boa fé, coloca o garoto para disputar e acha que ele é campeão mundial de Jiu-Jitsu, não é. A cegueira às vezes acontece porque o pai quer ser enganado. O pai chega no mundial, não vê equipe do Japão, Rússia, EUA, Argentina ou Uruguai, Achar estrangeiro em um campeonato como esse mundial de São Paulo é o mesmo que peneirar e achar no fundo alguma coisa. Ver a chave do filho, não ter ninguém de outro país e achar que o filho é campeão mundial, ou o pai está de má fé também ou ele quer ser enganado. Enganar os outros é a coisa mais fácil. O Brasil é muito bem assistido em termos de arte marcial. O atleta brasileiro é melhor assistido que o atleta americano,  eu conheço as estrutura dos atletas dos EUA, tenho uma academia lá”, ressaltou.


A situação financeira de atletas profissionais e até mesmo em formação é considerada boa. As equipes ou academias recebem mensalidades e ou patrocínios. Os atletas ainda têm um recurso federal chamado Bolsa Atleta. “Se ele é campeão, ou até terceiro lugar, ele recebe o Bolsa Atleta, se não recebe, ele não é atleta da Confederação do esporte em que pratica. Campeão no Brasil não precisa de patrocínio. Isso é uma grande mentira. Os empresários deveriam patrocinar equipes de base, crianças. O campeão é pago pelo Ministério dos Esportes e as federações. Se ele vai representar um Estado, a Federação tem de pagar. Ele é coberto. Um campeão tem uma negociação de patrocínio. Não pede, se negocia. Ele fica com a melhor proposta. Todos os meus atletas que são campeões tem apartamento, carro zero quilometro, casa na praia, só o professor que mora no Danilo Passos”, descontraiu.


Para se descobrir a situação da entidade organizadora da competição é necessário verificar o nome dela. Se existe algum acréscimo pode duvidar. Outra maneira é a sede e o foro. Iran Brasileiro pede aos pais para ficarem atentos a formação do professor. “Ele tem de olhar o diploma da confederação. Se ele vai matricular o filho no Jiu-Jitsu, o diploma é da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu no Solo, não é professor de Jiu-Jitsu. O mesmo se ele for da Federação Mineira de Jiu-Jitsu Olímpico, (não pode haver acréscimos ao nome do esporte). Pior são as questões das Ligas, elas não têm autoridade para outorgar diplomas. Elas devem ser filiadas às federações para ser uma maneira de desafogar a entidade superior. Não existe diploma de Liga e sim da Confederação em que se participa”, ensina.


O risco de uma desilusão com uma participação em um campeonato extraoficial é muito grande. Se um atleta participa de uma competição olímpica, é campeão mundial e não é convocado para uma olimpíada. No esporte profissional mesmo caso. Iran explica se não for pelos meios legais não se chega a uma grande competição. “Não vai disputar um ADCC e muito menos UFC porque o título dele não dá respaldo, tem de ser Confederação Brasileira e o nome do esporte e mais nada. Qualquer acréscimo é uma fórmula, que já foi inteligente, de burlar a lei, hoje em dia não é mais inteligente, é corriqueira. Esse negócio de que meu filho foi campeão brasileiro de Jiu-Jitsu em Goiás, ele não lutou com ninguém em Caldas Novas. Tenho certeza”, declarou.

 

BOLSA ATLETA


O programa tem como objetivo garantir uma manutenção pessoal mínima aos atletas de alto rendimento, que não possuem patrocínio, buscando dar condições para que se dediquem ao treinamento esportivo e participação em competições visando o desenvolvimento pleno de sua carreira esportiva. Investir prioritariamente nos esportes olímpicos e paraolímpicos, com o objetivo de formar, manter e renovar periodicamente gerações de atletas com potencial para representar o País nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.


São quatro bolsas disponíveis a Estudantil, Nacional, Internacional, Olímpica e Paraolímpica. Os valores estão entre R$300 e R$2500. Para a Bolsa Estudantil é necessário ser maior de 12 anos. Estar regularmente matriculado em instituição de ensino, pública ou privada. Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor pecuniário, eventual ou permanente, resultante de contrapartida em propaganda. Não receber salário pela prática esportiva. Ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a Bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: Esportes Individuais (classificado de 1º a 3º lugar nos JEBs e JUBs - Jogos organizados pelo Ministério do Esporte). Esportes Coletivos (Estar entre os 24 melhores atletas selecionados).


Para a Nacional é necessário ter pelo menos 14 anos, estar vinculado a uma entidade de prática desportiva (clube). Não possuir qualquer tipo de patrocínio, entendido como tal a percepção de valor pecuniário, eventual ou permanente. Não receber salário pela prática esportiva.  Ter filiação à Entidade de Administração de sua modalidade, tanto Estadual (Federação) como Nacional (Confederação).  Ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a Bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: De 1º a 3º lugar no evento máximo nacional organizado pela Entidade Nacional de Administração de sua modalidade ou de 1º a 3º lugar no ranking nacional por ela organizado.


Para a Internacional são os mesmos critérios acima, porém ainda ter participado de competição no ano imediatamente anterior àquele em que está pleiteando a bolsa, tendo obtido a seguinte classificação: De 1º a 3º lugar em Campeonatos Mundiais de sua modalidade; Jogos ou Campeonatos Pan-americanos e Parapan-americanos ou Jogos ou Campeonatos Sul-americanos.


A Olímpica e Paraolímpica ainda exigem-se ter integrado na qualidade de atleta a delegação brasileira na última edição dos Jogos Olímpicos ou Paraolímpicos.

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