sexta-feira, 26 de Julho de 2013 08:09h

Atlético Mineiro é campeão com a fé da massa alvinegra

A festa do Galo entrou madrugada adentro. Na virada desta quarta para quinta-feira, o Atlético derrotou o Olimpia por 2 a 0 no tempo regulamentar (gols de Jô e Leonardo Silva) e não aproveitou o fato de jogar com um a mais na prorrogação, mas levou a melh

A festa do Galo entrou madrugada adentro. Na virada desta quarta para quinta-feira, o Atlético derrotou o Olimpia por 2 a 0 no tempo regulamentar (gols de Jô e Leonardo Silva) e não aproveitou o fato de jogar com um a mais na prorrogação, mas levou a melhor na disputa dos pênaltis e conquistou no Mineirão o título de melhor da América pela primeira vez.

O time treinado por Cuca teve muito mais espaço nos 30 minutos extra e não foi capaz de balançar a rede olimpista pela terceira vez. Contudo, nos pênaltis o goleiro Victor mais uma vez brilhou. Ele defendeu a primeira cobrança adversária, mal efetuada por Miranda, e abriu o caminho para o triunfo decisivo. Depois de Alecsandro, Guilherme, Jô e Leonardo Silva converterem a favor dos donos da casa, Aranda chutou a bola no travessão e decretou o resultado final.
O Olimpia até jogou inteligentemente, a princípio, após ter vencido o jogo de ida por 2 a 0, em Assunção. Entretanto, depois de não se arriscar na etapa inicial desta quarta-feira, falhou com menos de um minuto do segundo tempo e deixou Jô abrir o placar. Mais tarde, perdeu Manzur expulso. E, com um a menos, um cabeceio lento de Leonardo Silva teve a rede como endereço final, forçando a prorrogação. Estava desenhado o cenário negativo para o Rey de Copas.
Para o Galo, o começo do enredo é que era desfavorável. Além da desvantagem, Cuca não tinha Marcos Rocha nem Richarlyson - o treinador escalou Júnior César e Michel respectivamente pelos lados esquerdo e direito. Em compensação, uma das grandes apostas da equipe brasileira, Bernard, estava de volta. Alvo de equipes do exterior, o meia-atacante jogaria para mais de 60 mil atleticanos e alguns olheiros do futebol europeu.
Logo no primeiro minuto, porém, ele e Jô desperdiçaram grande chance de abrir o placar, não conseguindo desviar ótimo chute rasteiro de Diego Tardelli pela ponta direita. Foi assim, à base de cruzamentos por baixo e pelo alto - ou em arremates de fora da área -, que o Atlético tentou vazar a meta do goleiro Martin Silva ao longo da primeira etapa.
Outras oportunidades criadas pelo lado direito, com Michel, não foram aproveitadas por Réver e Tardelli. O zagueiro desviou rente à trave direita de Silva, enquanto o atacante, bem colocado na primeira trave, furou o cabeceio. O goleiro uruguaio só efetivamente trabalhou em arremate à distância de Ronaldinho, aos nove minutos. Trabalhou mal, por sinal, deixando a bola na área.
Ronaldinho também não fez muito mais do que isso antes do intervalo. O camisa 10, que entrou em campo ensandecido, não traduziu a agitação inicial em uma boa atuação. Nem mesmo a bola parada, grande arma sua, resultou em chances de gol a favor do Atlético. O meia abusou de tentativas de ligação direta para Jô, todas sem o efeito pretendido.
Muito bem postado, com três homens fixos e dois laterais também preocupados defensivamente, o Olimpia teve menor posse de bola, mas ofereceu mais perigo. Victor fez ao menos duas boas defesas, em chutes rasteiros de Freddy Bareiro e Alejandro Silva, ambos originados em desatenção da retaguarda atleticana, facilmente envolvida.
Precisando de dois gols, no mínimo, Cuca sacou Pierre no intervalo e lançou o Atlético ainda mais à frente, com Rosinei. Em seu primeiro lance, com menos de um minuto da segunda etapa, o meia-atacante cruzou da ponta direita e viu a defesa olimpista falhar. Mesmo caído no chão, Jô enfiou o pé direito na bola e fez o primeiro gol da partida.
E não seria o único. Apesar de os gritos de "eu acredito" (ouvidos em Belo Horizonte todos os dias da semana) terem esfriado no decorrer da etapa, o segundo gol atleticano foi amadurecendo aos poucos. Aos 41, dois minutos depois de Manzur ser expulso e deixar o Olimpia com um a menos, o zagueiro Leonardo Silva, que já havia acertado o travessão, cabeceou para a rede.
Na prorrogação, o Atlético acertou a trave novamente e ainda perdeu uma grande oportunidade com Alecsandro. O jogo então foi para os pênaltis, meio pelo qual a equipe mineira havia chegado à decisão na semifinal contra o Newell's Old Boys - e também na fase anterior, em cobrança defendida por Victor no último minuto do duelo frente ao Tijuana.

Para a imprensa do Paraguai, a arbitragem foi uma das principais culpadas pela derrota do Olimpia para o Atlético-MG, nos pênaltis, na final da Libertadores. De acordo com ela, o goleiro Victor se adiantou na primeira cobrança, que não foi suspensa pelo árbitro colombiano Wilmar Roldán.
Após o jogo no Mineirão, na noite desta quarta, Roldán comentou à Fox Sports. "Foi uma partida justa. Qualquer um dos dois times poderia ganhar". A análise foi totalmente contrária à que fez o site d10.com, que também citou os problemas enfrentados pela delegação franjeada em Belo Horizonte.
Segundo a publicação, os paraguaios também sofreram com a torcida do Galo. Na madrugada de terça para quarta, por exemplo, vários fãs se concentraram em frente ao hotel onde o Olimpia estava hospedado e soltaram fogos de artifício e bombas, impedindo o sono do elenco.
No entanto, as informações foram as de que a delegação havia deixado o local momentos antes, justamente para "driblar" a marcação de torcedores alvinegros. E, uma semana atrás, o time mineiro também teve que aguentar as provocações adversárias na cidade de Luque, próxima de Assunção.
Como consolação, os veículos locais garantem que o Olimpia, tricampeão continental, reconquistou o respeito da América do Sul e do Mundo - a equipe, mais vitoriosa do País, voltou a vencer o Campeonato Paraguaio em 2011, depois de oito anos de jejum de títulos de expressão.
Porém, a imprensa também reconhece os erros dos comandados do técnico Éver Hugo Almeida, que desperdiçaram ao menos duas boas chances de gol durante a segunda decisão. Em ambas, Victor estava bem posicionado e evitou o tento visitante.

O mundo pôde conhecer um pouco mais sobre a Libertadores e o Atlético-MG nesta quinta-feira, já que a imprensa internacional destacou o primeiro título do Galo na competição continental. A começar pela Argentina, onde o Olé exaltou a supremacia dos times brasileiros no torneio nos últimos anos.
"A alegria é só brasileira", estampou o jornal argentino, citando as conquistas do Internacional, em 2010, do Santos, em 2011, e do Corinthians, no ano passado. Exaltando também a inédita taça da equipe mineira, a publicação termina com uma pergunta: "Quem conseguirá pará-los?".
Na Europa, o A Bola, de Portugal, apontou para o meia-atacante Bernard, próximo de acertar com o Porto, e o centroavante Alecsandro, ex-Sporting. Para o jornal, o grande nome da noite desta quarta-feira, no Mineirão, foi o goleiro Victor, que fez boas defesas no tempo normal e nos pênaltis.
Já na Espanha, toda a atenção foi para o meia Ronaldinho Gaúcho, que teve boa passagem pelo Barcelona na última década. O Mundo Desportivo exalta o craque, o único no mundo a ganhar a Copa do Mundo, a Libertadores, a Liga dos Campeões da Europa e prêmio de melhor atleta do planeta.
A Itália, onde Ronaldinho Gaúcho teve passagem irregular pelo Milan, também se rendeu ao armador, chamado de rei pela Gazzetta dello Sport. O jornal também faz uma relação com a visita do Papa Francisco ao Brasil, atribuindo a ele o "milagre" da reação do Atlético-MG na segunda decisão.

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