sexta-feira, 3 de Agosto de 2012 12:51h Gazeta do Oeste

Baby conquista bronza e Brasil quebra recorde no judô

Foram sete dias e 14 judocas em busca de quatro medalhas, número mágico estipulado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) antes das Olimpíadas de Londres 2012.

 Foram sete dias e 14 judocas em busca de quatro medalhas, número mágico estipulado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) antes das Olimpíadas de Londres 2012. Quatro medalhas seriam suficientes para superar o recorde anterior da modalidade numa edição de Jogos. Como o coordenador-técnico Ney Wilson gosta de dizer, havia bastante "munição" para atingir o alvo. Pois foram necessárias todas para isso. A meta enfim foi cumprida nesta sexta-feira, na última categoria disputada, quando Rafael Silva, o "Baby" conquistou o bronze entre os pesos-pesados (acima de 100kg).

 

 O sul-mato-grossense Baby venceu Kim Sung-Min, da Coreia do Sul, para assegurar a medalha histórica, a primeira do país em sua categoria. O feito veio com doses extras de tensão: Rafael Silva foi ao golden score (três minutos de morte súbita) em suas quatro últimas lutas; na que valeu o bronze, venceu por yuko, pontuação mínima do judô, graças ao acúmulo de shidos (advertências) contra seu adversário.

 

 

- Estou morto. Foram quatro golden scores, mas é muito gratificante. Estou colhendo os frutos de um trabalho de quatro anos - contou Baby.

 

 A luta começou estudada, com ambos os judocas trocando toques embaixo sem arriscar entradas por mais de um minuto. Kim tentou a primeira queda, com um seoi nage, mas nem tirou o brasileiro do chão. Baby girava, tentava um toque aqui, outro ali, para desestabilizar o sul-coreano. O o-soto-gari, eficaz nas primeiras lutas do dia, foi bem defendido pelo adversário. O tempo passava e nenhum dos dois pontuava, nem levava punições. O primeiro shido, para ambos, veio apenas com 1m35s restando.

 

 

Kim passou a ser mais ativo, tentando provar aos árbitros que estava tentando. O o-soto-gari de Baby foi novamente bloqueado. Na tentativa de um contragolpe, o sul-coreano desequilibrou o brasileiro, que girou para não cair. Em seguida, os papéis se inverteram: Rafael derrubou e Kim girou, como um gato. Mais alguns segundos de tentativas frustradas, e Baby voltou ao golden score, pela quarta luta consecutiva.

 

Mais do mesmo. O brasileiro quase encaixou um o-soto-gari a 2m30s do fim, mas Kim se defendeu novamente. Outra tentativa falhou por pouco em seguida. O sul-coreano não queria luta. O árbitro central interrompeu com 1m47s para o fim, chamou os auxiliares e pediu para os judocas ajeitarem seus quimonos. Era o sinal de que viria a punição. Após segundos de tensão, a confirmação: shido para Kim, somando um yuko para Baby e garantindo o bronze inédito para os pesos-pesados do Brasil.

 

 

- Espero que venha muita coisa boa ainda para o Brasil. Temos potencial de conseguir muito mais em 2016 - afirmou Rafael Silva.

 

Com quatro medalhas, a seleção brasileira de 2012 superou os desempenhos de Los Angeles 1984 (uma prata e dois bronzes) e Pequim 2008 (três bronzes) para se tornar a mais vitoriosa em Olimpíadas. Além de Baby, Felipe Kitadai (peso-ligeiro, até 60kg) e Mayra Aguiar (peso-meio-pesado, até 78kg) levaram bronzes, e Sarah Menezes (peso-ligeiro, até 48kg) conquistou o único ouro da campanha. Ney Wilson, que estipulou a meta, confessou nervosismo e apreensão nos momentos decisivos. Ele não conseguiu assistir à luta na arquibancada e viu a vitória de Baby na área de atletas.

 

 

- Foi muito duro, muito apertado, na última luta. Nem consegui ver, fiquei aqui no canto. Em alguns momentos, ficava aquele "pode ser, pode não ser". Mas trabalhar com metas é sempre importante. Eu sabia que poderia falhar, mas estava confiante. A equipe tem muito potencial e poderia ter chegado a até mais medalhas - declarou o dirigente.

 

 

 

 

 

 

G1

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