segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011 00:00h

Clássico das Multidões

Protagonistas do clássico mais antigo de Minas e um dos mais tradicionais do Brasil, Atlético e América voltam a medir forças domingo, às 16h, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, pela quinta rodada do Campeonato Mineiro.

Desta vez, aquele que já foi chamado “Clássico das Multidões” e por si só já chamaria a atenção, reúne ingredientes capazes de torná-lo ainda mais saboroso para os admiradores do futebol.

O Galo aposta na eficiência do seu ataque para se manter na liderança. Até agora, o alvinegro balançou as redes adversárias nada menos do que 14 vezes em quatro partidas da competição. Mas o time terá pela frente justamente o adversário que pode tirá-lo do primeiro lugar: o embalado Coelho, dois pontos atrás e vindo de três vitórias consecutivas.

Única equipe com vitórias nas quatro rodadas do Estadual, incluindo a de 4 a 3 no clássico com o Cruzeiro, o alvinegro não pretende perder a condição de única entre as grandes do país com 100% de aproveitamento nos jogos oficiais em 2011.

Só que o alviverde não está muito atrás: depois do 1 a 1 com o Uberaba na estreia, venceu os três jogos seguintes, um deles por goleada: 4 a 1 em cima do Ipatinga.

Um dos clubes que mais investiram em contratações para a temporada, o Atlético tenta mostrar que, desta vez, montou mesmo um grupo em condições de brigar por todos os títulos que disputar – além do Mineiro, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana –, depois de alguns anos decepcionando a massa.

Um dos destaques entre os que chegaram, o volante Richarlyson, que cumpriu suspensão na vitória sobre o Iape-MA, quarta-feira, pela Copa do Brasil, tem retorno garantido no domingo.

De volta à elite nacional depois de 10 anos, o América busca mostrar que não subiu por acaso e ainda defende invencibilidade de quatro anos diante do rival. A última derrota foi em 18 de março de 2007, por 2 a 0, no Mineirão, gols de Tchô e Danilinho. Por outro lado, o jejum do Coelho diante do adversário em partidas oficiais é mais longo: desde 13 de maio de 2005, quando o atacante Washington definiu o triunfo por 1 a 0, também na Pampulha.

Rivais desde o primeiro Campeonato Mineiro, há 96 anos, protagonizaram inúmeros jogos eletrizantes e decidiram vários estaduais.

A primeira partida oficial, em 11 de julho de 1915, terminou 2 a 2, no antigo estádio do Prado Mineiro, hoje Academia Militar. Enquanto o Galo lidera a estatística de conquistas estaduais (40), o Coelho é o único com 10 títulos consecutivos (1916 a 1925). Em 381 jogos, foram 186 vitórias atleticanas, 101 americanas e 94 empates.

O confronto também reserva briga acirrada pela artilharia da competição. Principal trunfo do América, Fábio Júnior, que jamais foi o goleador do Estadual – apesar de ter defendido os três grandes –, lidera a lista atual, com cinco gols.

Mas o trio Diego Tardelli (artilheiro em 2009, com 16), Magno Alves e Neto Berola vem logo atrás (quatro, cada), disposto a derrubar o camisa 1 Flávio, de 40 anos, o mais experiente jogador do Coelho.

Experiência ou juventude
?

O clássico será marcado pelo encontro de duas gerações. De um lado, Renan Ribeiro, goleiro do Galo, de apenas 20 anos. Do outro, o experiente Flávio, de 40 anos, e dono da camisa 1 do Coelho desde o ano de 2008.

Em 1991, quando Flávio disputava a sua primeira temporada como titular pelo CSA, de Alagoas, Renan Ribeiro sequer tinha completado um ano de vida. Apesar da pouca idade, Renan Ribeiro vem se firmando cada vez mais na meta do Atlético.

O camisa 30 é titular absoluto desde o fim da temporada passada e disputará o seu primeiro clássico diante do América. Renan subiu para o elenco principal do Atlético no ano passado. Contudo, quando Luxemburgo era treinador do Alvinegro, o jovem não tinha oportunidades. Com a chegada de Dorival o arqueiro tornou-se titular.

No clássico, Renan terá a oportunidade de enfrentar Flávio, que, para o goleiro atleticano, é modelo a ser seguido no futebol. “O Flávio é um espelho para qualquer jogador.

Pela idade que tem, ele, sem dúvida, se cuidou durante toda a carreira. Além disso, teve dedicação, empenho e força de vontade, porque não é fácil chegar a essa idade ainda jogando. Quero poder repetir isso”, disse. Flávio já disputou 221 partidas pelo Coelho, sempre como titular.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.