segunda-feira, 12 de Novembro de 2012 02:40h Gazeta do Oeste

Com 5ª taça em 5 anos no Brasil, Abel se firma como técnico 'top'

Em cinco temporadas, dois títulos estaduais, um Brasileiro, uma Libertadores e um Mundial. É este o desempenho recente de Abel Braga treinando clubes brasileiros. O técnico consolidou-se no grupo dos treinadores mais vitoriosos do País ao levar o Fluminense ao título do Brasileirão, com três rodadas de antecedência, neste domingo.

No restrito grupo de treinadores brasileiros considerados "top", Abel Braga é o que mais demorou a conquistar grandes resultados. Sua estreia em times de ponta foi no Botafogo, em 1987, mas só 17 anos depois é que ele conquistou o seu primeiro título de importância, um Campeonato Carioca com o Flamengo. Mas agora, com um currículo invejável, Abel já aparece como concorrente ao cargo máximo de treinador da seleção brasileira.

Diferente da tríade Felipão, Luxemburgo e Muricy, que há bastante tempo ocupa o grupo dos "Top", Abelão é discreto. Até o seu apelido mostra o estilo bonachão, mais de boleiro do que de estrategista. O preciso trabalho tático de seus times, porém, mostra que o treinador só não sabe fazer marketing - nem antimarketing, como Muricy.

Na primeira passagem pelo Fluminense, em 2005, Abel Braga tornou-se bicampeão carioca e começou a se destacar. No ano seguinte, levou o Internacional ao título da Libertadores e do Mundial de Clubes, passando a ser considerado um dos melhores do País. Ele depois voltaria a ser campeão no Gauchão de 2008, mas logo em seguida partiria para fazer o pé de meia, "escondendo-se" no Al Jazira, nos Emirados Árabes Unidos.

Depois de três anos no mundo árabe, Abel topou voltar ao Brasil para assumir o Fluminense. O time carioca, que havia sido escrachado por Muricy Ramalho - que saiu falando até da presença de ratos nas Laranjeiras -, escolheu a dedo seu novo treinador, tanto que esperou três meses até Abel chegar. E ele não decepcionou, levando o time ao título do segundo turno do Brasileirão, o máximo que poderia fazer.

O trabalho de sucesso fez ele lidar com um problema no início da temporada 2012: o excesso de jogadores no elenco do Fluminense. A diretoria não poupou esforços na busca por reforços e criou uma situação complicada para o treinador, que precisava lidar com uma série de atletas descontentes com a reserva. Só para as quatro posições mais ofensivas do time ele tinha: Deco, Souza, Wagner, Thiago Neves, Marquinho, Lanzini, Fred, Araújo, Martinuccio, Rafael Sóbis, Rafael Moura e Wellington Nem. Doze jogadores, mais que um time inteiro brigando por quatro vagas. E garotos talentosos, como Marcos Júnior, Samuel Amaral e Matheus Carvalho ainda esperando por uma chance, que parecia que não viria.

Abel soube abrir mão daqueles que não interessavam, ainda que isso significasse perder talentos como de Marquinho, titular no título brasileiro de 2010, cedido à Roma. Com isso, ganhou ainda mais a confiança daqueles que permaneciam. O treinador também soube definir, desde meados do Campeonato Carioca, quem eram os 11 titulares, que permaneceram no time até a conquista do Brasileirão. Os mais caros do banco, Rafael Sóbis e Wagner, foram dos mais utilizados.

Nem a eliminação na Libertadores, pelo Boca Juniors, com um gol nos acréscimos, abalou de forma significativa a moral da equipe. Campeão carioca, o Fluminense de Abel Braga sabia que poderia chegar longe. Foram três empates seguidos após a queda na competição continental, mas depois disso o time deslanchou. De lá para cá, apenas outros dez tropeços, sendo apenas três derrotas. Campanha digna de um time campeão.

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