quinta-feira, 10 de Julho de 2014 07:51h Atualizado em 10 de Julho de 2014 às 07:56h.

Comissão técnica ainda tenta explicar o inexplicável

O técnico, Luiz Felipe Scolari, continua sem ter explicação para a humilhante derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha.

Na tarde desta quarta-feira, na Granja Comary, ele disse que nem havia conversado com os jogadores sobre o desastre do Mineirão. Ao ser bombardeado de perguntas, admitiu não saber o que se passou. "Se eu pudesse responder com consciência o que aconteceu naqueles seis minutos, eu responderia. Mas também não sei."

Felipão continuou batendo na tecla de que o Brasil fazia boa partida, apesar de ter tomado o primeiro gol com apenas 10 minutos, e que a goleada foi desenhada nos tais seis minutos de intervalo entre o segundo e quinto gol dos alemães. "Tomamos um contra-ataque e tomamos o primeiro gol de bola parada em vinte e poucos jogos. Nós sabíamos, estudamos (a jogada de escanteio do adversário), mas tomamos aquele gol. Tomamos o segundo e na saída de bola o terceiro. Aí houve uma pane geral da comissão técnica e dos jogadores. Ninguém entendia o que estava acontecendo e a equipe da Alemanha aproveitou a oportunidade", afirmou Felipão, que compareceu à entrevista coletiva acompanhado de todos os integrantes da comissão técnica.

O treinador se baseou nos números positivos da seleção desde que assumiu o cargo, um ano e meio atrás, para defender o trabalho. Voltou a agradecer o carinho do torcedor - "foi espetacular" - e disse que o objetivo, agora, é conquistar o terceiro lugar no sábado, em Brasília.

Ele não quis falar sobre seu futuro, sob o argumento de que seu compromisso com a CBF se encerra no fim da participação brasileira na Copa do Mundo. "Não vamos discutir isso antes do jogo de sábado. Após isso é que vai se definir alguma coisa e, essa definição, passa pela direção da CBF, que vai dar uma posição sobre a importância do nosso trabalho."

No entanto, sabe-se que tanto o presidente, José Maria Marin, como o vice, e presidente eleito, Marco Polo del Nero, não querem a permanência de Felipão e dos membros mais importantes da comissão técnica.

 

 

 

 

QUEM PAGA O PATO
Quem deu alerta para o problema foi o goleiro Julio Cesar. Ele mesmo, que se despediu de Copa do Mundo, chamou a atenção para que a derrota contundente para a Alemanha não possa ser responsável por se  "jogar fora" uma geração que tem potencial para representar bem o Brasil na Copa do Mundo de 2018. “Há vários jogadores no grupo que poderão brilhar em 2018. São jogadores de futuro, com potencial para serem campeões do mundo”.
O goleiro não citou nomes, mas do atual grupo Oscar, Willian, Bernard, Fernandinho, Luiz Gustavo, David Luiz, sem falar em Neymar, são jogadores que certamente prosseguirão na Seleção Brasileira.
Como ocorreu com jogadores que foram praticamente execrados depois da campanha vergonhosa na Copa do Mundo de 1966, quando a Seleção brasileira foi eliminada logo na fase de classificação, com uma vitória e duas derrotas.
Daquele grupo, Gérson, que era a maior revelação e esperança no meio-campo, voltou da Copa da Inglaterra completamente "queimado", tido como jogador de clube e não de Seleção - quatro anos depois seria o maestro que conduziu o meio-campo da Seleção brasileira ao tricampeonato em 1970 no México.
Jairzinho, então um garoto, também foi rotulado como um jogador comum e inexperiente para disputar uma Copa do Mundo - também quatro anos depois, seria o artilheiro do Brasil na Copa do Mundo, sendo até hoje o único jogador a marcar gol em todos os jogos da Copa do Mundo.

 

 

 

 

THIAGO SILVA
Thiago Silva ficou de fora do jogo contra a Alemanha devido ao segundo cartão amarelo. Assistiu, atônito e incrédulo, ao adversário marcar gols em série e com uma facilidade que ficava difícil de entender e explicar. “É quase impossível explicar o que aconteceu. O que dá para afirmar é que o time não foi a Seleção brasileira que normalmente se apresenta”.
No intervalo, Thiago foi ao vestiário tentar levantar o ânimo dos companheiros. Não adiantou. A derrota veio ao final por um placar atípico. “A dor dessa derrota é muito grande. O sonho do hexa cair por terra desse jeito foi triste demais”.
O zagueiro, apesar da tristeza, ainda encontrou forças para pedir ao torcedor brasileiro todo o apoio no último jogo, que será realizado sábado, em Brasília, na disputa do terceiro lugar. “É nesse momento ruim que precisamos ainda mais da força do nosso torcedor. Eu garanto que vamos disputar este jogo de sábado como se fosse a final de uma Copa do Mundo”.

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