segunda-feira, 12 de Maio de 2014 05:18h

Costa Rica e Minas Gerais tem goleiros como ídolos do futebol

Keylor Navas, goleiro da seleção, é o grande ídolo do time da América Central e vai jogar no Mineirão, em Belo Horizonte, durante a Copa.

Minas Gerais e Costa Rica compartilham uma característica comum dentro de campo. Tanto no país da América Central como na capital mineira, a posição de goleiro também vive momento áureo. Por aqui, Victor, do Atlético Mineiro, acaba de ser convocado para a Seleção Brasileira e, o capitão Fábio, do Cruzeiro Esporte Clube, foi eleito o melhor goleiro do Brasileirão de 2013. Já o arqueiro Keylor Navas, de 27 anos, é ídolo nacional por sua bem-sucedida atuação na Europa. Seu país jogará contra a Inglaterra, no dia 24, no Mineirão.

“Ele é nosso orgulho, e, mesmo estando em evidência na Europa, é simples, humilde e não perdeu suas origens”, diz o jornalista Marco Vinicio Navarro Bulgarelli, 27 anos, sobre o jogador. Navas foieleito o melhor jogador em atividade na Espanha em março, onde joga pelo Levante. Título merecido, já que as estatísticas o apontam como o goleiro com o maior índice de defesas da liga ibérica (78%). Tal característica pode fazer a diferença durante a Copa, já que a trajetória da Costa Rica na primeira fase da competição será difícil.  No sorteio de chaves, a equipe acabou caindo no “grupo da morte”, ao lado de três campeões mundiais. A estreia será no dia 14 de junho, contra o Uruguai, no Castelão, em Fortaleza. A segunda partida será contra a Itália, no dia 20 de junho, na Arena Pernambuco. Em Belo Horizonte, no Mineirão, a Costa Rica fecha a participação nesse primeiro momento, no jogo com os ingleses em 24 de junho.

Mesmo estando num grupo forte,  Keylor  não perde as esperanças. “Na vida nada é impossível. São seleções de muito nível, que costumam ir ao Mundial e ter boas atuações. Mas isso é algo que nos motiva, é um desafio muito importante nas nossas vidas e nas nossas carreiras como jogadores. Precisamos jogar as partidas. Não dá para falar nada antes. Vamos com muita expectativa e, em cada caso, são 90 minutos de esperança”, disse o goleiro ao site da Fifa.

Esse desafio também não desanima os torcedores daquele país, cuja seleção já participou de três Copas, incluindo uma disputa em oitavas de final em 1990, e venceu a tradicional competição Concacaf (América do Norte, Central e Caribe). “Nosso time sempre joga melhor em partidas difíceis e chegamos com jogadores que estão mostrando um rendimento maravilhoso como o capitão Ruiz, que é destaque no PSV da Holanda”, prevê Marco Bulgarelli.

Outro ponto positivo, segundo o costarriquenho, “é que nossos adversários não nos conhecem e podem nos desprestigiar e aí podemos surpreendê-los”.  Ele diz que a sorte pode ser também uma boa aliada. “Podemos ser o time zebra da Copa como fomos na Itália em 1990 ao classificarmos no mínimo para as oitavas”, completa o torcedor.

“Lembro que assisti ao sorteio de equipes da Copa pela televisão e um comentarista falou: os ticos podem ir comprando a passagem de volta”, conta Priscilla Pazos, 27 anos, outra costarriquenha que mora no Brasil. Seu desejo é que o time em campo demonstre justamente o contrário. “Acho que é bom que as pessoas não prestem muita atenção na gente. Não temos nada a perder e, se a Costa Rica passar de fase, vai ser uma bela surpresa”, espera a estudante.

Copa desperta o interesse dos ticos por Minas

Como o Mineirão será palco da Seleção de Costa Rica no último jogo da primeira fase do grupo D, os olhos da nação caribenha se voltaram para as alterosas. Segundo o secretário de Estado de Turismo e Esportes (Setes), Tiago Lacerda, a partida fará com que o número de turistas costarriquenhos que decidem por Minas Gerais, que ainda é tímido, aumente significativamente. Dados do Ministério do Turismo e da Polícia Federal apontam que, de 2008 a 2012, o volume de estrangeiros daquele país que desembarcaram no Aeroporto Internacional de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, somaram um total de 1.087 pessoas. Para uma comparação, apenas em 2012, Estados Unidos e Portugal, os maiores emissores de turistas estrangeiros para Minas Gerais, enviaram para cá 16.420 e 7.127 pessoas, respectivamente.

“A Copa do Mundo é uma incomparável ferramenta de promoção internacional de Minas Gerais para mostrar ao mundo as nossas riquezas e capacidades. Com partidas importantes no Mineirão, incluindo uma semifinal, países com pouca tradição de vir para cá poderão conhecer o que Minas tem de melhor.  Desfrutar de nossas belezas naturais, de nossa história, hospitalidade e culinária”, afirma o secretário de Estado de Turismo e Esportes, Tiago Lacerda.

O jornalista Bulgarelli foi um deles. Nascido em San José, capital da Costa Rica, ele está há mais de um ano no Brasil e há pouco tempo esteve em Belo Horizonte para produzir uma matéria sobre o município e o Mineirão. “Eu adorei a cidade, e o estádio é mais bonito que o Maracanã”, compara. A comida também agradou, principalmente o pão de queijo, o tutu com torresmo e o feijão tropeiro. “Pretendo voltar a passeio e conhecer Ouro Preto e o museu de Inhotim”, revela. Ele já morou no Rio Grande do Sul e agora está na Bahia, onde trabalha numa empresa de marketing digital, em Salvador, e produz matérias para uma rádio local e o para um site.

A primeira vez de Priscilla Pazos em Belo Horizonte será no jogo de seu país contra os britânicos. “Consegui ingresso apenas para essa partida e, por isso, estou muito ansiosa para conhecer o Mineirão. Tenho muita confiança na equipe e sei que faremos um bom papel”, conta. Priscilla, também de San José, mora no Rio de Janeiro há mais de um ano, onde faz mestrado em administração na PUC-RJ. A viagem para a capital mineira será com o irmão e, ao chegar, encontrarão  com vários amigos da Costa Rica que moram no Rio e com outros que vêm da Costa Rica só para a Copa. “Sempre entre amigos e com uma galera animada é melhor”.

Das impressões de Minas, Priscilla conta que o grande atrativo do Estado são as pessoas. “Todos que conheci até agora são super generosos, acolhedores e muito alegres. Também não posso esquecer da culinária, muito famosa. Adoro pão de queijo e feijão tropeiro”, revela. Dos locais que quer conhecer ela destaca Ouro Preto e as cachoeiras da Serra do Cipó.

Fabricio Richmond é outro caribenho, de Cartago, apaixonado por futebol e pelas peladas jogadas na Costa Rica com amigos desde moleque. “No meu país, esse jogo se chama megenga”, revela. Ao contrário dos conterrâneos, ele já teve uma experiência em Minas e, além de Belo Horizonte, conheceu cidades da região do Triângulo Mineiro. “Bem mais tranquilo que São Paulo”, compara Fabrício, que faz mestrado em engenharia civil em São Paulo. Fabrício está confirmado em todas as partidas da Seleção da Costa Rica e garante que trata-se de “uma das melhores equipes de todos os tempos”.

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