segunda-feira, 16 de Junho de 2014 10:29h

Cresce a concorrência na família Wilmots

Marc Wilmots já avisou: "ninguém tem lugar garantido".

Mas não se trata de transformar a riqueza de opções do elenco da Bélgica em problema, embora certas decisões possam provocar dor de cabeça no treinador. A seleção belga jamais contou com semelhante quantidade de talentos, e o técnico não pretende abrir mão deles. "A metade dos gols que resultaram em vitória durante as eliminatórias foi marcada por jogadores que saíram do banco", lembrou Wilmots em entrevista à FIFA.

Último belga a balançar as redes na Copa do Mundo da FIFA, Wilmots não hesita em usar a experiência adquirida em quatro edições da festa máxima do futebol entre 1990 e 2002 para aprofundar a sua filosofia de jogo. A primeira missão consiste em instaurar um espírito de família tratando cada um com a mesma consideração. "Procuro dar a mesma atenção aos que não jogam, porque os jogadores presentes no banco devem ter a mesma vontade dos que estão em campo", explica. Como bom chefe de família, ele precisa garantir o respeito pelas regras da casa. "Quem não as respeitar será afastado."

Essa mistura sutil entre disciplina e convívio familiar é importante sobretudo para os seis jogadores que competem por duas vagas na equipe titular. Nas eliminatórias, somente Kevin de Bruyne teve lugar inquestionável, um status que é preciso merecer. No fim, o meia de 22 anos marcou quatro gols e deu o passe para outros quatro. "Estou convencido de que o nosso entrosamento proporcionará o algo a mais necessário para irmos até o fim das nossas forças", diz o atleta do Wolfsbourg.

Uma receita vitoriosa
Eden Hazard ainda corre atrás desse status na prancheta de Wilmots. A atuação do astro do Chelsea no último amistoso antes da viagem ao Brasil, em que os belgas venceram a Tunísia por 1 a 0, não agradou o técnico, que aproveita para enfatizar os seus princípios. "Eu não me preocupo se um jogador está menos bem, porque tenho 23 e nenhum deles tem garantia de que vai jogar", insiste o ex-jogador da Bélgica, que agora espera ver os seus comandados se superarem. "Tomarei as minhas decisões em função do desempenho de cada um nos treinos."

Os meias Dries Mertens e Nacer Chadli têm ambição demais para sentarem no banco descansados. No entanto, eles conhecem as regras do jogo e estão conscientes de que há várias alternativas no setor. Já Adnan Januzaj e Kevin Mirallas têm a vantagem de poder disputar a posição prometida a Romelu Lukaku no comando de ataque.

Os ingredientes para uma competição saudável estão presentes, e o bom entendimento entre os belgas chama atenção. "Apenas um ambiente de camaradagem possibilita fazer uma longa e boa Copa do Mundo", avalia Mirallas. "A maioria de nós se conhece há 10 ou 15 anos e tenho certeza de que isso fará a diferença."

Chadli também se sente bastante à vontade no grupo. "A atmosfera não pode ser melhor", comenta ele. "Somos todos amigos, e espero que a gente cultive essa amizade pelo máximo de tempo possível." Para Mertens, que conhece Chadli desde a infância, "o bom humor está sempre presente na equipe, não falta descontração". Amigos que jogam pelos amigos: eis a receita de Wilmots para encontrar as peças vitoriosas no banco da Bélgica.

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