terça-feira, 10 de Setembro de 2013 11:22h

Cruzeiro supera 2003, e Náutico pode ter recorde na era dos pontos corridos

Botafogo tenta superar trauma de 2007 para conseguir se manter no G-4 e ainda almejar algo mais. Líder tem o terceiro melhor aproveitamento

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro se encerrou com um líder indiscutível. A campanha do Cruzeiro fala por si só: 40 pontos, 70,2% de aproveitamento, com direito a 12 vitórias, quatro empates e apenas três derrotas, sem contar a invencibilidade no Mineirão. A torcida celeste está esbanjando confiança e tem razão, já que os números, desde que a competição é disputada em pontos corridos, reforçam o otimismo. Nos dez campeonatos anteriores, 70% dos campeões de turno levantaram a taça no fim do returno. No entanto, o sinal de alerta não pode ser apagado, especialmente porque as duas melhores campanhas na primeira metade do torneio - Atlético-MG, em 2012, e Grêmio, em 2008 - não garantiram a festa de alvinegros e tricolores. A terceira melhor é justamente a da Raposa em 2013.

 


Se o Cruzeiro se basear no retrospecto histórico para ver a conquista mais próxima, é nele mesmo que os seus perseguidores têm que pensar para entender que o líder pode ser desbancado. A vantagem celeste é de quatro pontos para o segundo colocado Botafogo, metade da diferença que Flamengo, em 2009, e São Paulo, em 2008, tiveram que tirar para encher ainda mais as suas já lotadas salas de troféus. Além do Alvinegro carioca, Grêmio e Atlético-PR, seis atrás, também não precisam se considerar fora da briga. Do Corinthians para baixo, seria uma inédita recuperação em termos de pontos. Voltando a 2009, porém, o Rubro-negro carioca era apenas o sétimo colocado na virada do turno, o que dá esperança a ainda mais equipes.

 


Esta não é a primeira vez que a Raposa fecha o primeiro turno na liderança e, em sua outra experiência em 2003, o título foi confirmado. A vantagem para o Santos, que estava na vice-liderança, era ainda menor - de três pontos -, assim como o aproveitamento, que foi de 68,1%. Vale lembrar ainda que, no primeiro campeonato da era dos pontos corridos, 24 equipes estavam na disputa e, com muito mais jogos, o risco de perder a ponta há dez anos era bem maior.

 



Os integrantes do G-4 também tem dado favorável, pois 65% deles no primeiro turno conseguem se manter nessas posições, o que garante vaga na Taça Libertadores da América do ano seguinte. Para chegar à principal competição sul-americana, o percentual é maior ainda, pois 77,5% dos que estão entre os quatro primeiros na metade do caminho chegam lá, afinal muitas vezes o atual campeão continental e da Copa do Brasil abrem vagas para o quinto e o sexto se classificarem.

 


Quando analisamos o histórico dos atuais membros do G-4, o Botafogo é o único que precisa quebrar um tabu. Em 2007, o time carioca terminou o turno coincidentemente na vice-liderança, mas caiu muito de produção e acabou em nono lugar na classificação geral. Para o Atlético-PR, a posição é inédita. Cruzeiro, três vezes, e Grêmio, duas, sempre que estiveram entre os quatro ao fim do turno, foram à Libertadores. A Raposa, em 2007, até saiu do G-4 no fim, mas a quinta colocação assegurou a vaga.

 



Nada parece dar certo para o Náutico no Brasileirão 2013. E os números devem deixar a sua torcida ainda mais preocupada. Em primeiro lugar, desde 2006 com 20 clubes no campeonato, o lanterna do turno nunca se safou. A missão do Timbu fica ainda mais complicada quando observamos o aproveitamento de apenas 16,7% dos pontos disputados. Os pernambucanos até têm uma partida a menos, mas só uma vitória no jogo adiado contra o Santos, na Vila Belmiro, impede que a campanha entre para a história como a pior de todos os tempos na era dos pontos corridos. Se empatar, iguala os 17,5% do América-RN de 2007 e, se perder, fica com 15,8% de aproveitamento.

 


Em números gerais da era dos pontos corridos, 38 times acabaram o turno no Z-4 (ou Z-2 em 2003) e 20, ou 53%, acabaram mesmo sendo rebaixados. Desconsiderando os três primeiros anos e contando apenas a competição com 20 participantes, o percentual de queda sobe para 64% (18 em 28). O que significa que, se a média se mantiver neste ano, pelo menos três entre Portuguesa, São Paulo, Ponte Preta e Náutico estarão disputando a Segundona em 2014.

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