segunda-feira, 16 de Junho de 2014 10:32h

Dois tempos bem distintos, e uma Argentina confiante

Para uma seleção com a história e o peso da Argentina, a alegria por certas vitórias pode durar pouco, já que é preciso colocar o resultado rapidamente em perspectiva e analisar o que deu certo ou errado dentro de campo.

E esse era justamente o caso após o triunfo da Albiceleste sobre a Bósnia e Herzegovina por 2 a 1 em sua estreia na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

A primeira impressão dos que assistiram de fora foi muito parecida com o balanço feito pelos que estavam dentro: o futebol fluido da seleção de Alejandro Sabella só foi visto em alguns lampejos no segundo tempo, quando o técnico abriu mão do esquema 3-5-2 inicial para retomar o 4-3-3 que tantas alegrias tinha proporcionado durante as eliminatórias. Uma mudança sustentada pelas entradas de Fernando Gago e Gonzalo Higuaín no lugar de Hugo Campagnaro e Maxi Rodríguez.

"No primeiro tempo, demoramos a entrar no ritmo do jogo, apesar de termos saído na frente logo cedo, mas no segundo jogamos melhor", reconheceu Javier Mascherano ao FIFA.com. "O esquema a que estamos acostumados tem mais a nossa cara. Por que as variantes? O treinador achava que era a melhor maneira de começar a partida, mas também porque tinha que mudar. Foi por isso", disse o meio-campista, que agora está a um jogo de completar 100 confrontos pela seleção.

Pablo Zabaleta também admitiu que houve uma diferença de rendimento entre os dois tempos, mas acrescentou uma interessante observação tática. "Talvez com o 4-3-3 a equipe tenha melhorado a ligação com os atacantes, ganhado um pouco de posição e atacado com mais jogadores. Quando conseguimos isso, complicamos a vida de qualquer um", explicou o lateral, que, aos 29 anos, finalmente fez sua estreia em uma Copa do Mundo.

O copo meio cheio
Independentemente do esquema tático, porém, nenhum dos dois esperava uma partida tranquila contra a Bósnia. "Sabíamos que não seria nosso melhor jogo", confessou Mascherano. "O mais importante era vencer, porque estrear no Mundial é sempre difícil, ainda mais com uma garotada que nunca havia disputado o torneio. Agora a ansiedade passou."

Com o discurso afinado, Zabaleta também optou pelo pragmatismo. "É claro que pretendemos jogar bem para ganhar, mas hoje temos que valorizar o resultado. O mais importante era somar três pontos e foi o que conseguimos. Mas sabemos que há margem para melhorar nosso rendimento, e isso é bom."

Além dos três pontos, a Argentina teve outros motivos para comemorar na vitória sobre a Bósnia, entre eles o gol de Lionel Messi, que já somava 623 minutos sem marcar na Copa do Mundo da FIFA, desde a partida contra a Sérvia e Montenegro na Alemanha 2006. "Estamos todos muito felizes com o gol dele, que não vinha marcando nos Mundiais. Esperamos que venham muitos mais", vibrou o lateral.

Para terminar, os dois jogadores destacaram a presença massiva dos hinchas argentinos, que se fizeram notar com seus cantos nas arquibancadas do Maracanã. "A empolgação não me surpreende, é algo típico do torcedor argentino. Hoje nos sentimos jogando em casa e isso é motivo de orgulho para nós", comentou Zabaleta. "Nunca havia vivido algo assim fora do meu país. Espero que eles continuem nos acompanhando, porque vão nos ajudar muito", concluiu Mascherano.

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