sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014 04:25h

Estreia frustrante para o Cruzeiro

O técnico Marcelo Oliveira engrossou o coro de descontentamento com os acontecimentos ocorridos durante a passagem do Cruzeiro por Huancayo, no Peru.

Antes e durante o confronto, válido pela 1ª rodada do grupo 5 da Libertadores, contra o Real Garcilaso, vencido pelos peruanos por 2 a 1, a equipe celeste acabou sendo submetida a práticas “ridículas e retrógradas”, como bem definiu o comandante estrelado.“Tivemos problemas desde ontem. Acreditava que isso fosse uma coisa superada. Faltar água, fechar o portão para o treinamento, depois apagar a luz no meio do treino. Treinamos quinze minutos, o que não dá nem para você aquecer o time”, condenou.“Pensei que a guerra fosse técnica e tática, de luta dentro do campo. O que a gente viu aqui foi um campo sem a menor condição, muito ruim, e todos esses episódios que se passaram, que atrapalharam bastante o Cruzeiro”, completou.

O Clube cinco estrelas entrará com uma representação junto a Conmebol, relatando os diversos problemas vivenciados em Huancayo.
O Cruzeiro saiu na frente na sua estreia pela Taça Libertadores, mas acabou cedendo a virada para o Real Garcilaso-PER, que acabou vencendo por 2 a 1, a partida realizada em Huancayo, no Peru.

Na saída do gramado, os jogadores celestes lamentaram a desatenção da equipe nos lances de bolas parada que acabaram resultando nos gols do time peruano.“Muito complicado. Nós tínhamos o jogo na mão, estava “tranquilo”, porém erramos em duas bolas paradas. Mas Libertadores é isso, agora é tirar lições e vamos para a próxima, temos ainda cinco jogos a disputar”, destacou o atacante Dagoberto.

Assim como o companheiro de equipe, o volante Lucas Silva destacou a infelicidade do time cinco estrelas nas bolas alçadas na área celeste, pormenorizando a influência da altitude no resultado final da partida.“Acredito que não foi a altitude, mas sim a desatenção na bola parada que fez com que sofrêssemos  os dois gols do Real Garcilaso na partida”, ressaltou o jovem jogador.

Racismo
O alvo de vergonhosa manifestação nas arquibancadas foi o volante Tinga, que toda vez que pegava na bola, acabava sendo hostilizado pela torcida adversária. Ao final da partida, o jogador não escondeu o abatimento quanto ao ocorrido.“No começo achava que era uma simples vaia, até por a gente ser um pouco conhecido aqui e ter jogado algumas Libertadores. Depois que eu vi que era um insulto racista, fiquei um pouco chateado, mas eu permaneci focado na partida, queria ganhar. A gente fica bem chateado por acontecer uma coisa dessa”, comentou.

Perguntado se passou pela sua cabeça sair de campo, o jogador demonstrou o caráter e a hombridade que faltaram à torcida peruana. “Estava muito focado em conseguir a virada, dar uma resposta dentro de campo, por isso que eu estava brigando tanto, acabei me motivando com aquilo. Confesso que fiquei surpreso, já é minha oitava Libertadores, nunca tinha acontecido isso. Fico bem chateado”, ressaltou.
Tinga destacou os recorrentes atos de racismo que vem tomando destaque na Europa e lamentou que atitudes como essas venham reverberar também na América Latina, onde a miscigenação é ainda mais intensa. “Joguei alguns anos na Europa onde se fala muito de racismo e nunca aconteceu isso comigo. De repente, em um país tão próximo, tão parecido com a gente pela mistura, acontece uma coisa dessas”, lamentou. “Eu trocaria todos os meus títulos pelo fim do preconceito. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes”, desabafou o volante, que tem em seu currículo dois títulos da Libertadores (2006 e 2010), um do Campeonato Brasileiro (2013), dois da Copa do Brasil (1997 e 2001), dentre diversas outras conquistas.
 

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