quarta-feira, 9 de Novembro de 2011 14:10h Dácio Fernandes

Fifa e governo brasileiro tentam se entender

O secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jerome Valcke, participou ontem (8) de uma audiência pública que analisa a chamada Lei Geral da Copa de 2014. Esse encontro pretende com os esclarecimentos da entidade, aparar algumas arrestas que ainda existem, em virtude da realização da Copa de Mundo.


A Fifa propôs à presidente Dilma Rousseff a criação de uma categoria de ingressos mais baratos para os brasileiros, na faixa de 25 dólares, que substuiriam as meias-entradas concedidas a idosos e estudantes. Esse valor corresponde a 10% da bilheteria bruta dos estádios, em todas as fases. Além disso, Valcke disse que a Fifa pretende disponibilizar 12% do total das entradas para esse tipo de ingresso de baixo custo só para venda aos brasileiros e eles seriam vendidos para todas as fases da Copa – do jogo 2 ao 48 – exceto para o jogo de abertura.


A venda seria não apenas para idosos e estudantes, “mas para todos que quiserem assistir aos jogos”. Como o total de ingressos deverá ser de 3 milhões, seriam então cerca de 300 mil entradas na categoria 4.


O secretário-geral da Fifa, porém, reconheceu que, mesmo assim, esses ingressos não serão suficientes para atender todos os torcedores brasileiros que desejarem assistir às partidas. Ele explicou também que os preços dos ingressos das outras três categorias ainda não estão definidos pela Fifa, mas os da categoria 1 deverão custar cerca de US$ 900.


Valcke disse ainda que a Fifa não pretende criar problemas para o credenciamento de jornalistas, mas os ingressos serão limitados de acordo com a disponibilidade de lugares nos estádios.


Sobre as polêmicas que o assunto vem gerando o secretário-geral da Fifa, disse que pode ser considerado arrogante, mas que o seu papel é fazer com que a Copa seja realizada. Ele pediu que sejam cumpridos os compromissos assumidos no governo anterior, quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa de 2014, e que foram renovados em acordo com a entidade em 2009.


Valcke acrescentou que “fazer o papel de mau” não é confortável, mas lembrou que tem de cumprir sua missão para que, no futuro, o evento seja lembrado como a Copa que o Brasil organizou e não a Fifa..


“Mesmo que minha atitude seja desagradável e chamada de arrogante, não posso dizer que tudo está correto quando não está correto”, disse Valcke. Ele criticou a Lei Geral da Copa, em discussão na Câmara, mas disse que ela  foi feita de acordo com a legislação que existe no Brasil. Explicou que essa é uma opinião “pessoal” e não da Fifa, pois foi feita em conjunto pela entidade e o governo brasileiro.


Bebidas alcoólicas


Valcke falou ainda que está disposto a comprar briga com o governo brasileiro em favor da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa. E desafiou durante a audiência que se prove que a comercialização de cerveja nas arenas aumenta os índices de violência entre torcedores nas partidas.


Ao participar de debate na Comissão Especial que discute a Lei Geral da Copa, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o dirigente relembrou que uma grande marca de cerveja é uma das principais patrocinadoras do Mundial e disse que a venda de álcool nos estádios não significa que a "Fifa esteja aqui para embebedar as pessoas".


"É verdade que limitar o álcool reduz muito a violência, mas na África do Sul, na Alemanha, a venda de cerveja em condições controladas nunca provocou nenhum tipo de violência ou guerra nos estádios. Temos esse acordo, seja com nosso patrocinador Budweiser ou diferentes organizações, que pode haver venda de álcool controlada nos estádios. Quer dizer que controlamos como ela pode ser distribuída. Não pode ser distribuída, por exemplo, em garrafas para que não possa ser utilizada como arma contra torcedores ou jogadores", disse.


O dirigente da Fifa ressaltou que a Copa do Mundo de 2014 é "um evento particular e excepcional" e, por isso, a entidade máxima do futebol defende que o álcool deveria ser vendido. "Não vou assumir nenhum compromisso que o álcool não será vendido. Precisamos encontrar um acordo e foram compromissos assumidos pelo Brasil quando essa Copa foi entregue ao Brasil. A Fifa não está aqui para embebedar as pessoas. Vocês terão dificuldade de me provar que o álcool causou alguma forma de violência", ponderou ele.

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