quarta-feira, 26 de Outubro de 2011 17:54h revistaepoca.globo.com

Governo confirma demissão de Orlando Silva

Secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que Ministério do Esporte deve continuar com o PCdoB

O governo confirmou, na tarde desta quarta-feira (25), que o ministro do Esporte, Orlando Silva, vai deixar o comando da pasta, encerrando uma crise que começou há duas semanas, quando Orlando Silva passou a ser acusado de participação de um esquema de corrupção no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. 


De acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a tendência é que o Ministério do Esporte continue com o PCdoB, e que o mais provável é que assuma um ministro interino até a presidente Dilma Rousseff decidir um sucessor definitivo.


Com a demissão, Orlando Silva passa a ser o sexto ministro a sair do governo em menos de um ano. Foram quatro ministros que saíram após denúncias de corrupção (Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais), e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que caiu após declarações polêmicas quie desagradaram a cúpula do governo.


A situação política de Orlando Silva piorou na terça-feira (25), depois que a ministra Cármen Lúcia, do STF, determinou a abertura de inquérito para investigar as denúncias de corrupção e desvio de verbas públicas contra Orlando Silva, atendendo pedido feito na semana passada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Orlando Silva se tornou, assim, ministro investigado, uma condição considerada insustentável pelo Planalto.


As denúncias contra o ministro partiram do policial militar João Dias Ferrreira, dono de ONGs que tinham convênios com o Ministério do Esporte. João Dias acusou o ministro de ser o principal beneficiário de um esquema de desvio de recursos públicos do programa Segundo Tempo. Na segunda-feira, João Dias entregou à Polícia Federal treze arquivos de áudio  que, segundo ele, comprovariam a existência do esquema. Nas gravações, no entanto, não aparece a voz do ministro. Também na segunda-feira, o PM afirmou que tentaria convencer outros 20 donos de ONGs a fazer uma denúncia conjunta contra o ministro .

Desde o início das acusações, Orlando Silva vem negando participação no esquema em entrevistas e audiências no Congresso. Ele também pediu ao Ministério Público que o investigasse para garantir sua inocência, o que será feito pelo MPF. Na terça-feira (25), ele foi à Câmara falar sobre a Lei Geral da Copa, por meio da qual o Brasil adequará sua legislação às exigências da Fifa para a Copa do Mundo de 2014, e voltou a dizer que era inocente. Orlando afirmou, entretanto, que cabia à presidente da República decidir quem deveria ou não permanecer no ministério.


A veemência de sua defesa ajudou Orlando Silva a convencer a presidente Dilma Rousseff a mantê-lo no cargo. A mudança de condição do ministro, que passou a ser investigado, fez o governo mudar de opinião. 

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